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A CIÊNCIA DO ANTAHKARANA


A Ciência do Antahkarana e a preparação para a Iniciação

Ao entrarmos na consideração da "Vida dual do processo iniciatório", quero chamar-lhes a atenção para a fraseologia usada, e particularmente, para a sua significação em referência ao processo iniciatório. Como veremos, isto não trata do esforço do discípulo para viver, simultaneamente, a vida do mundo espiritual e a vida prática do serviço no plano físico, mas lida inteiramente com a preparação do discípulo para a iniciação, e portanto, com sua vida mental e atitudes.

Esta declaração pode ser considerada como dizendo respeito, primariamente, aos dois grandes aspectos de sua vida mental, e não à vida de relação entre alma e personalidade. É correto, consequentemente, ver uma dualidade existindo na consciência do discípulo, e ambos os aspectos existindo lado a lado:

A vida de percepção na qual ele expressa a atitude da alma, a percepção da alma e a consciência da alma por intermédio da personalidade no plano físico. Isto ele aprende a registrar e expressar conscientemente. A intensamente privada e puramente subjetiva vida na qual ele - a personalidade impregnada pela alma - orientado no plano mental, conduz a uma crescente harmonia:

a. Sua mente concreta inferior e a mente abstrata superior.
b. Ele próprio e o Mestre de seu grupo de raio, desenvolvendo assim a consciência ashrâmica.
c. Ele próprio e a Hierarquia como um todo, tornando-se cada vez mais consciente da síntese espiritual subjacente aos Ashrams unidos. Conscientemente e firmemente, ele se aproxima do Centro radiante deste Ashram solar, o Próprio Cristo, o primeiro Iniciador.

Esta vida interior, com seus três objetivos lentamente revelados, diz respeito essencialmente à vida de preparação para a iniciação.

Não há iniciação para o discípulo até que ele tenha, conscientemente, começado a construir o antahkarana, trazendo assim a Tríade Espiritual e a mente como o aspecto superior nos três mundos a um estreito relacionamento; mais tarde, ele traz seu cérebro físico à posição de um agente registrador no plano físico, assim demonstrando novamente um definido alinhamento e um canal direto vindo da Tríade Espiritual diretamente através do cérebro, via o antahkarana, que fez a ligação entre a mente superior e a inferior.

Isto envolve muito trabalho, grande capacidade interpretativa e grande poder de visualização. Estou escolhendo as palavras com cuidado. Esta visualização não está, necessariamente, ligada à forma e à representação mental concreta; ela está ligada à sensibilidade pictórica e simbólica que expressa, interpretativamente, a compreensão espiritual, comunicada pela intuição que está despertando - o agente da Tríade Espiritual. O significado disto torna-se claro à medida que o trabalho prossegue. É difícil para o homem que está começando o trabalho de construção do antahkarana entender o significado de visualização quando esta está relacionada com a crescente sensibilidade de resposta àquilo que o grupo ashrâmico lhe transmite; com sua emergente visão do Plano divino como ele existe na realidade; e com aquilo que lhe é confiado como o efeito ou o resultado de cada sucessiva iniciação. Eu prefiro a palavra "efeito" à palavra "resultado", isto porque o iniciado trabalha cada vez mais conscientemente com a Lei de Causa e Efeito em outros planos que não o físico. Nós usamos a palavra "resultado" para exprimir as consequências dessa grande Lei cósmica quando elas se demonstram nos três mundos da evolução humana.

É em conexão com este esforço que ele descobre o valor, os usos e o propósito da imaginação criativa. Esta imaginação criativa é tudo que, eventualmente, lhe resta de ativa e intensamente poderosa vida astral que ele tem vivido durante tantas vidas. À medida que a evolução prossegue, seu corpo astral torna-se um mecanismo de transformação, o desejo sendo transformado em aspiração, e a própria aspiração sendo transformada numa crescente e expressiva faculdade intuitiva. A realidade deste processo é demonstrada pela emergência daquela qualidade básica sempre inerente ao próprio desejo: a qualidade imaginativa da alma, implementando o desejo e, firmemente, tornando-se uma faculdade criativa superior, à medida que o desejo muda para estados cada vez mais elevados e conduz a realizações sempre mais elevadas. Esta faculdade, eventualmente, invoca as energias da mente, e esta, aliada à imaginação, torna-se, com o tempo, um grande agente invocativo e criativo. É assim que a Tríade Espiritual é trazida à harmonia com a personalidade tripla.

Já lhes disse em obras anteriores que, basicamente, o plano astral não existe como parte do Plano divino. Ele é, fundamentalmente, o produto da miragem, de kama-manas - uma miragem que a própria humanidade criou e na qual tem vivido quase que inteiramente desde os primeiros dias atlantes. O efeito de um crescente contato da alma não tem sido simplesmente para dispersar as névoas da miragem, mas tem servido também para consolidar e pôr em uso efetivo, portanto, a imaginação com sua esmagadoramente poderosa faculdade criativa. Esta energia criativa, quando implementada por uma mente iluminada (com sua habilidade de construir pensamentos-forma), é, então, controlada pelo discípulo com o fim de estabelecer contatos superiores aos da alma, e trazer a uma forma simbólica aquilo de que se torna consciente por intermédio de uma linha de energia - o antahkarana - que ele está firme e cientificamente criando.

Podemos dizer (igualmente de forma simbólica) que, a cada iniciação, ele testa a ponte de conexão e, gradualmente, descobre o acerto daquilo que ele criou sob a inspiração da Tríade Espiritual, e com a ajuda de sua mente - a mente abstrata, a alma ou o Filho da Mente, e a mente concreta inferior - combinada com a cooperação inteligente da personalidade infundida pela alma. Nas etapas iniciais deste trabalho invocativo, o instrumento usado é a imaginação criativa. Isto o capacita a agir, desde o início, como se ele fosse capaz de assim criar; então, quando a consciência imaginativa do "como se" não mais for útil, ele torna-se consciente daquilo que - com esperança e expectativa espiritual - ele tem procurado criar; ele descobre isto como um fato existente, e sabe, além de qualquer controvérsia, que "a fé é a substância das coisas esperadas, e a evidência das coisas não vistas".

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