O Caminho Real
Caminho de Peregrinação de Ouro Preto a
Diamantina
"A vida ou é uma audaciosa aventura, ou é nada."
(Helen Keller)
Uma rota de magia, mistérios e de exuberante
beleza natural no desenrolar do processo histórico de desbravamento e
construção da cultura de parte da nossa história.
Terceiro Dia - De
Conceição do Mato Dentro a Milho Verde
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Aos poucos percebe-se porque o canto dos galos era ouvido ao
longe, quase imperceptivelmente. Há poucas residências ou
fazendas no entorno da Pousada. Antes de se dirigir para o
café, uma ida até o rochedo impregna a vista com o
descortinar de uma bela visão do vale dominado pela encosta
onde está localizada a pousada. Contemplando a vastidão à
sua frente, o caminhante anônimo percebe algo mais. “O Mito
é o pensamento não revelado da alma”. Então, a revelação
traz a realidade para a conformação dos sentidos comuns. É
preciso propósito e decisão, não basta querer, é preciso
algo mais, porque a vontade não é autônoma, mas
impulsionada. Foi bom ter avançado, à noite, na leitura do
livro “O Caminho Real”, editado pela equipe do passeio. A
compreensão do Caminho está se tornando mais clara. Envolto
por esses pensamentos ele se dirige ao refeitório.
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O café já está servido. Lindas e variadas iguarias para um
desjejum reforçado porque o dia promete muita movimentação.
Os comentários são animados e variados.
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A movimentação para a partida é intensa e os preparativos
já concluídos. Daqui até a entrada da cidade são 4,5
quilômetros. Conceição do Mato Dentro é um grande centro
cultural com animados eventos que mantém a cultura local em
constante fermentação. As montanhas, o casario antigo, as
igrejas, a religiosidade, a singeleza e hospitalidade fazem
desta cidade um ponto turístico de relevância. Visitam-se os
principais pontos da cidade, incluindo o cenário do Salão de
Pedras, e vai sendo comprovada a veracidade do que se fala do
local.
Na mente do caminhante anônimo vai tomando forma o Caminho de
Peregrinação: Caminho da Santidade, de oração, de
meditação e reflexão a utilizar esta rota de caminhada
iniciada em Ouro Preto. Também aclara-se a simbologia do
bruxulear do ouro e o esplendor do diamante. É nítida a
impressão que alguém o espera no Portão de entrada em
Diamantina. Então, “haverá uma luz que brilhará sobre a
terra e o mar”. Esboça-se um sorriso em sua face e aflora a
lembrança que “tudo que é compreendido está certo”. Aos
poucos as pedras podem ser colocadas e ajustadas na
construção deste Caminho universal — o Caminho do
Discipulado, o Caminho da Santidade e o Caminho da Iluminação
— cujos problemas e dificuldades a ele inerentes terão sua
reafirmação justificada por uma aplicação realista,
prática e moderna, e não, necessariamente, feito de
angústia, autoabnegação e de infinito sofrimento, como foi
desenvolvido na mente do aspirante ocidental. É imperioso
deixar aflorar na consciência humana a crescente realização
da divindade inata e que o Homem é, na verdade, feito à
imagem de Deus e uno, em natureza, com seu Pai no Céu. É
possível, então, agora, obter um quadro sintético do
progresso da alma, desde a ignorância até a sabedoria, do
desejo material à realização espiritual, de tal maneira que
o fim seja visualizado desde o início, e o esforço feito às
cegas substituído pela inteligente cooperação com o
propósito da alma. Isto levará o peregrino a avançar pelo
caminho com a face voltada para a luz e irradiada de alegria.
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Ruma-se para Córregos, distrito de Conceição do Mato Dentro,
com chegada às 10:25 horas. Pouco antes da chegada vê-se a
placa comemorativa da construção da Ponte do Gondó com
inscrição do nome de várias pessoas. Chama a atenção o
nome de Onofre Xixi. A informação na cidade é que o nome do
Onofre não deveria constar na placa porque ele não ajudou na
construção da ponte, só aparecendo no último dia. Conta-se,
ainda, que ele compareceu pouco antes das comemorações se
comprometendo a tomar conta do garrafão de pinga e da bacia de
pastéis. Deve ter feito um belo trabalho.
Local de “movimento parado”, gracioso, de ruas bem cuidadas
e a bela Igreja de Nossa Senhora Aparecida. Ponto de descanso
na bonita residência de Dona Amparo, onde é servido um
delicioso suco de polpas de frutas produzidas pela própria
comunidade, através da obra social Vinocor que também produz
o mel que adoça o suco servido. Acompanham o suco, bolo e
rosquinhas de sabor indizível.
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É hora de partir para Santo Antônio do Norte (Tapera), com
chegada às 11:15 horas e pequena parada na Praça da Igreja.
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Deixa-se Santo Antônio do Norte por sinuosa, difícil e
castigada estrada, mato adentro, galgando a Serra da Escadinha
até o topo, ponto de parada e mirante com horizonte aberto de
longo alcance. A vista é esplendorosa e belas fotografias são
feitas.
Extasiado, talvez pela grandiosidade do horizonte aberto, o
caminhante anônimo permanece silencioso.
Ruma-se serra abaixo com destino a Itapanhoacanga por sinuoso
caminho de vista magnífica. Ponto de parada e almoço na
Pousada, da Dona Marilda. Aguardam, alegremente na pousada, o
Sr. Geraldo e o Giovani, dois comerciantes do local, para
saudarem com boas-vindas o grupo que chega.
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Deixa-se Itapanhoacanga às 14:00 horas com destino ao Serro,
com parada no “canyon” do Córrego Vermelho, uma
interessante formação geológica do curso d'água.
Serro é outro importante centro cultural do ciclo do ouro e do
diamante. Novamente, as formas, a religiosidade e a saga de
homens intrépidos dão origem à hospitalidade característica
da região. O importante acervo de casario antigo forma um belo
conjunto arquitetônico. Parada na Praça João Pinheiro.
Visitam-se os principais pontos da cidade.
Arrebatado pela beleza plástica, o caminhante anônimo sobe os
degraus da rua que dá acesso à Capela de Santa Rita. Do adro
da igreja tem-se uma bela visão da Praça com seu casario
antigo. O Caminho vai se revelando. Vai de fora para dentro
revelando, passo a passo, a vida oculta em cada forma e em cada
símbolo. Prescreve ao caminhante certas tarefas que o levam à
compreensão, produzindo integração e sabedoria que devem
preencher as necessidades mais prementes. Ele passa da etapa da
busca para aquela chamada de “o conhecimento reto”. Nesse
caminho, a visão e a esperança cedem lugar à
conscientização. Recebe-se uma iniciação após outra, cada
uma levando o iniciado a um ponto mais próximo da meta da
total unidade. Aqueles que no passado assim fizeram, sofreram e
realizaram esta caminhada, formam uma longa cadeia que se
estende, desde o passado mais remoto até os nossos dias, pois
os iniciados permanecem conosco e a porta de acesso ao caminho
permanece ainda aberta, de par em par. Por intermédio desta
cadeia de feitos heroicos, os Homens são elevados, degrau a
degrau, pela longa escada que vai da terra ao céu, para,
finalmente, se postarem ante o Iniciador e descobrir, neste
transcendente momento, que é o Próprio Cristo Que lhes dá as
boas-vindas - o Amigo familiar Que os havendo preparado com o
exemplo e o preceito, agora os leva à presença de Deus.
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Deixa-se o Serro às 16:40 horas com destino a Milho Verde. O
caminho é bastante agradável e na virada de Três Barras
galgam-se extensos contrafortes rochosos. Alcança-se o divisor
de águas das bacias do Rio Doce e do Rio Jequitinhonha à
frente. A Natureza é pródiga de belas paisagens onde a
luminosidade do sol é refletida num contraste claro/escuro do
mosaico rochoso. O majestoso Pico do Itambé domina o horizonte
leste/nordeste. Quantos olhares foram acolhidos por esta
maravilhosa montanha? Quantos se orientaram? Quantos se
maravilharam?
Aos poucos avista-se o vilarejo de Milho Verde no alto platô
montanhoso. A íngreme subida até o alto é galgada com
entusiasmo. Às 17:40 horas chega-se na Pousada da Dona Gaia,
para merecida pernoite. Às 20:00 é servida uma deliciosa
refeição que é festivamente saboreada.
O caminhante anônimo aproveita para se maravilhar com a
imensidão do céu noturno e vagueia pela relva úmida em
frente da pousada. Percebe que “toda beleza, toda bondade,
tudo que contribui para a erradicação do sofrimento e da
ignorância na terra deve ser devotado à Grande Perfeição.
Então, quando os Senhores da Compaixão tiverem civilizado
espiritualmente a Terra e feito dela um Céu, será revelado
aos Peregrinos o Caminho Infinito, que leva ao coração do
universo. O Homem já não será mais homem, terá transcendido
a Natureza e, de forma impessoal, embora conscientemente, em
unidade com todos os Seres Iluminados, ajudará a cumprir a Lei
da Evolução Superior, da qual o Nirvana é apenas o
começo.” Tal é a meta de todo buscador no caminho. Pois,
eis que “quando puderes ver além da aparência externa as
causas que dão origem a todos os efeitos; quando puderes
sentir o Amor de Deus envolvendo toda a terra no cálido fluxo
da luz do sol, então saibas que és iniciado nos Mistérios
que os sábios sempre consideraram de maior valor.”
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Galeria de fotos
Conceição do Mato Dentro: Importante
centro minerador no passado.
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Conceição do Mato Dentro: Salão de
Pedras.
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Córregos: Local de "movimento
parado".
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Córregos: manada de búfalos.
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Córregos: Parada na casa de Dona
Amparo.
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Córregos: Solar do Bispado (sec.
XVIII).
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Córregos: Capela de N. Sra.
Apareceida.
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Córregos: Sossego e
tranquilidade.
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Seguindo rumo a Tapera pelo sinuoso
caminho.
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Tapera: Pequeno vilarejo, parada
rápida.
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Serra da Escadinha: Parada no
mirante.
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Serra da Escadinha: Vista
extasiante.
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Sinuoso caminho , de vista magnífica,
em direção a Itapanhoacanga.
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Itapanhoacanga: Lugarejo simples. Parada
para almoço.
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"Canyon" do Ribeirão Vermelho.
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Serro: Belo conjunto
arquitetônico
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Serro: Escadaria da Capela de Santa
Rita.
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Serro: Praça João Pinheiro.
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A caminho de Milho Verde...natureza
pródiga.
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Milho Verde: Tranqüilidade
absoluta.
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Milho Verde: Capela N.Sra.
Rosário.
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Pico do Itambé: Presença
constante.
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