O Natal e a Imagem do Cristo

Caro condiscípulo.

Esperamos que o Natal tenha sido uma época de inspiração iluminada para todos. Este período marca o período em que o sol se move para o norte novamente em relação ao equador celeste e por isso há muito tempo tem sido associado aos grandes Portadores da Luz. Em O Destino das Nações lemos que o dia de Natal, há dois mil anos, "foi o maior de todos os Dias de Natal e sua influência irradiante foi mais potente do que qualquer vinda anterior de um Portador da Luz, porque a humanidade estava mais preparada para a luz" (1).

Se isso aconteceu, então o que acontecerá com a luz que Cristo trará para a Terra desta vez? Se uma coisa é certa nestes tempos tão desconcertantes é que a humanidade anseia pela luz como nunca antes, um anseio que beira o desespero. Como resultado disso, percebe-se que a partir do subconsciente coletivo vem a invocação da luz com tanta intensidade que parece que tudo pode acontecer a qualquer momento. Por esta razão, nesta mesma medida, é necessário intensificar a preparação do caminho para o reaparecimento do Cristo.

Por que a preparação é necessária? Muitos podem pensar que a luz e o amor do Cristo são suficientes para elevar a consciência humana e trazer paz ao mundo. É claro que as representações religiosas do Cristo podem sugerir tais possibilidades, mas devemos ter claro que a luz e o amor que Ele traz têm pouca semelhança com essas imagens. As formas mentais cristalizadas e dogmáticas de Jesus Cristo brotam na mente de todo mundo com muita facilidade, tanto dentro como fora dos círculos religiosos, simbolizando o conceito atual que a humanidade tem de Cristo, um conceito que é rejeitado por muitos pensadores inteligentes.

O Tibetano escreveu: "As imagens atuais do Cristo testificam a sua própria e total imprecisão, pois não dão testemunho de qualquer perfeição glandular; estão cheias de fraqueza e doçura, e mostram pouca força, agudeza e vitalidade". (2)

Esta representação do Cristo, alimentada por uma forma mental carregada com energia dos níveis superiores do plano astral, indicando o contato direto da humanidade com "a energia do Amor, na sua forma dinâmica ou elétrica... que agora está fluindo" (3), poderia ter gerado uma grande onda de choque na consciência pública se os discípulos do mundo não tivessem previamente preparado o caminho através da mais alta expressão do amor e da inofensividade de que são capazes.

Como ocorreu com as imagens, palavras como amor e inofensividade ainda não transmitem o poder das novas potências que procuram se expressar neste momento. A inofensividade, por exemplo, pode facilmente transmitir a impressão de fraqueza insípida. No entanto, refletindo sobre como a Hierarquia expressa essa qualidade, pode ampliar nossa perspectiva, embora imitá-La está além de nossa capacidade. "Numa volta mais alta da espiral, a Hierarquia também emprega inofensividade, mas está relacionada à vontade para o bem e envolve o uso de energia elétrica dinâmica sob direção intuitiva; esse tipo de energia nunca é exercido pelo homem; é energia que ele ainda não pode manipular." (4)

Quanto à representação de Cristo, Rudolf Steiner e Edith Maryon tentaram fazer uma representação mais realista no início do século XX. É uma escultura esculpida em madeira, chamada "O representante do homem" e tem cerca de nove metros de altura no Segundo Goethiano de Dornach. Eleanor Merry, uma artista do século XX, o descreve como: "O Cristo avançando majestosamente, com a mão esquerda levantada, subjugando e quebrando as asas do aspirante Lúcifer e sua mão direita apontando para baixo, submetendo e aprisionando com seu gesto a forma de Ahriman". (5)

Na filosofia esotérica de Steiner, esses dois Seres são polos opostos e cada um luta pela supremacia na alma humana. Lúcifer representa os extremos da aspiração, onde o coração está em chamas e despreza a terra para criar seu próprio céu. Ahriman, por outro lado, simboliza o princípio do materialismo, onde a mente distorcida e superinteligente está acorrentada à terra por sua obsessão com seu próprio raciocínio. Esses dois aspectos devem ser equilibrados e mantidos em um balanço dinâmico pelo Cristo-Ego. O rosto da escultura "não mostra sentimentalismo ou suavidade. No entanto, não é a cara de um juiz; por ser capaz de criar um equilíbrio absoluto não julga, mas apenas ilumina a necessidade dos extremos que devem existir em toda evolução... Ele cria equilíbrio, ele reina nos ritmos do mundo". (6)

Aqui há um ponto interessante de convergência com os escritos de Alice Bailey que sustentam que o Cristo está sendo influenciado por um grande ser cósmico: o Espírito de Paz, também conhecido como o Espírito de Equilíbrio. Através do equilíbrio dos opostos, esta Grande Vida está criando um campo de tensão através do qual a humanidade pode começar a experimentar um novo sentido de liberdade. E um comentário interessante sobre a "necessidade dos extremos" e seu equilíbrio pode ser encontrado neste comentário do Tibetano: "A expressão dessa boa vontade está garantida pela expressão excessiva de ódio que tem sido lentamente acumulada nas mentes dos homens desde o início do século XIX e está a alcançando intensidade máxima neste momento. Uma medida proporcional da energia do amor se manifestará posteriormente, como um resultado da atividade do Espírito de Paz, atuando através do Príncipe da Paz, como às vezes é chamado o Cristo". (7) [Publicado em 1948]. A aplicação desse pensamento ao mundo de hoje pode nos ajudar a entender melhor o que está acontecendo atualmente no mundo do significado.

Esta carta foi escrita tendo em mente que a semana do festival do Novo Grupo de Servidores do Mundo acontecerá no final deste ano. Acontece a cada sete anos e sempre à luz de Capricórnio, cujo significado astrológico é explicado no artigo: Astrologia e Novos Grupos {ver este assunto}. Para aproveitar ao máximo essa oportunidade de intensificar a energia da boa vontade no mundo e continuar preparando o caminho para o reaparecimento do Cristo, a nota chave para as conferências da Escola Arcana deste ano será:

Que o grupo seja inspirado pelas regras para a iniciação grupal:
Conheçam, expressem, revelem, destruam e ressuscitem.

A segunda parte desta nota-chave foi tirada da Regra XIV para a iniciação grupal (*) {ver este assunto} e só pode ser verdadeiramente entendida pela consciência iniciática. No entanto, trabalhar com a imaginação criativa nos levará um pouco mais perto para apreciar o significado dessas palavras e invocar os poderes que elas velam.

Em companheirismo grupal iluminado,

Grupo da Sede
Escola Arcana

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1. O Destino das Nações, p. 148
2. Cura Esotérica, p. 621
3. Discipulado na Nova Era, Vol. II, p. 598
4. Cura Esotérica, p. 670
5. A Ascensão do Homem, Eleanor Merry.
6. Idem.
7. O Reaparecimento do Cristo, p.75
*. Regra XIV Os Raios e as Iniciações p. 286

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