Expressar: Uma Injunção Hierárquica
Kathy Newburn
Hoje, gostaria de compartilhar algumas reflexões sobre a palavra "expressar", uma habilidade encontrada em todos os reinos da natureza, desde o mais minúsculo até, e incluindo, as Grandes Vidas que informam o planeta. Todos estão buscando aquilo que ainda está além do seu alcance. No entanto, é dentro do reino humano que esse alcance se torna de real importância. Através das capacidades da mente iluminada, os véus que antes bloqueavam o acesso à visão interior começam a se afinar e o caminho se abre para uma nova realidade.
Expressar é a segunda das cinco palavras que, juntas, constituem a regra final, ou 14ª, para Discípulos e Iniciados — sendo estas palavras: conhecer, expressar, revelar, destruir e ressuscitar. Essas palavras têm clara referência a cada uma das cinco iniciações humanas e merecem nossa atenção. Somos instados a nos recolhermos em nós mesmos ao considerá-las, a pensar, sentir e perceber em nosso mais alto nível de compreensão possível. Encontraremos essas palavras repetidamente a cada volta da espiral da vida, à medida que avançamos de um ponto a outro no Caminho. O Velho Comentário enquadra a jornada dessa ascensão, "para cima o tempo todo — da escuridão para a luz, da selva para o espaço aberto, da noite para o amanhecer".
As palavras desta regra final encontram correspondência nas palavras anteriores dadas aos candidatos e, no caso de expressar, essa palavra anterior é tocar. Tocar é entendido aqui como uma sensibilidade crescente aos planos internos que eventualmente resulta no nascimento do Cristo interior – uma experiência alegre e transformadora, mas também acompanhada de desafios. Essa sensibilidade crescente aos reinos sutis nos abre não apenas para a alma, mas também para as ilusões e distorções do plano astral, à medida que são tocadas e facilmente nos aprisionam.
As cinco palavras da regra 14 são conhecidas como assinaturas monádicas. Em termos Bíblicos, assinaturas eram entendidas como "sinais" da autoridade divina, demonstrações de algo trazido e impresso na estrutura do mundo pela vontade de Deus. Podemos imaginar um tipo de raio imbuído de uma combinação particular de energias irrompendo no mundo. O desafio para o grupo é preservar o máximo da visão enquanto ela avança através dos fogos em seu caminho para a manifestação.
É útil, nesse sentido, estar atento à intensidade ígnea da energia que flui neste momento do Conclave. Embora não tenhamos conhecimento real do que essas energias possam ser, se considerarmos a magnitude do alinhamento extra sistêmico que ocorre na Semana do Festival de Capricórnio a cada sete anos, podemos apenas imaginar o que está disponível agora neste alinhamento que ocorre uma vez a cada cem anos, quando importantes determinações estão sendo empreendidas dentro da Hierarquia.
Como parte do corpo coletivo do novo grupo de servidores do mundo, somos encarregados de "manter a visão diante dos olhos dos homens" de tal maneira que ela atenda às necessidades das pessoas de hoje, pois, como diz o conhecido ditado, "sem visão, o povo perece". E muitas pessoas hoje estão perecendo – desiludidas com os sistemas atuais e sucumbindo ao desespero à medida que a visão desaparece. Isso é particularmente trágico em relação aos jovens, pois eles são necessários para manter o Plano em progresso. Eles nasceram com uma plasticidade na consciência que os torna mais responsivos às novas energias, e precisam ser apresentados a uma visão do Plano que restaure a fé no futuro e os ajude a enxergar além dos limites do mundo exterior.
A criatividade e a capacidade de sintonizar-se com aquilo que busca expressão nos reinos interiores podem frequentemente florescer em pequenos grupos experimentais. Os grupos que surgirão serão um resultado natural de indivíduos que construíram ou estão em processo de construção do Antahkarana, a ponte interior de luz.
Há muitas vias de expressão diferentes para esses novos grupos, refletidas na ancoragem dos dez grupos-semente dada pelo Tibetano. Esses grupos podem proporcionar oportunidades para "inaugurar certas novas técnicas de trabalho e modos de comunicação". Seu trabalho criará redes de relacionamentos que se estendem horizontalmente, por meio de redes de grupos ligados por um propósito comum, bem como verticalmente, para incluir aqueles que trabalham nos planos internos, buscando uma saída para aquilo que aguarda precipitação nos três mundos.
Wesak traz à mente a vida do Buda, e eu gostaria de destacar alguns pontos sobre sua jornada que tentam ilustrar em palavras a magnitude da assinatura monádica com a qual Ele abençoou o planeta e que ainda reverbera hoje.
Por algum tempo antes de Sua iluminação, o Buda vinha seguindo o caminho do ascetismo que quase o levou à morte. Durante sua recuperação, ao refletir sobre sua vida, ele relembrou uma experiência de infância em que recebeu um toque espontâneo de iluminação. Esse despertar espontâneo veio como resultado de uma explosão de compaixão pelo sofrimento dos insetos arados em um campo. Esse evento aparentemente inócuo o levou a compreender que a libertação não se encontra na negação de sua humanidade, mas sim em seguir o caminho da compaixão.
Ele então começou a cultivar uma enorme, expansiva e imensurável expressão de amor que não conhecia ódio — um amor que Ele enviou aos quatro cantos da Terra. Cultivou empatia pelo sofrimento e pela dor dos outros e abriu mão do ganho. Substituiu os resíduos de amor-próprio que encontrou em Seu coração por uma alegria compassiva que se alegrava com a felicidade alheia. (Armstrong, Karen, Buddha, pp. 77-79).
Essa prática levou, com o tempo, àquele momento consumado em que ele se sentou sob a árvore bodhi e estendeu a mão para tocar a Terra. Ele virou as costas para a luz e a enviou a serviço do mundo. Naquele momento, o cosmos se convulsionou, os céus e os infernos tremeram, e da árvore bodhi choveram flores vermelhas... O oceano perdeu o sabor salgado, os cegos e os surdos puderam ver e ouvir; os aleijados puderam andar, e os grilhões dos prisioneiros caíram no chão. De repente, tudo vislumbrou nova liberdade e potência; por alguns instantes, cada forma de vida pôde se tornar mais plenamente ela mesma. (Armstrong, Karen, Buddha, pp. 92-93). O Buda trouxe um toque de iluminação ao mundo, mas não conseguiu salvá-lo. Cada ser vivo teria que encontrar seu próprio caminho de volta à casa do Pai, mas Ele dedicou Sua vida a fazer o que pudesse para ajudar a acelerar esse processo.
Hoje, após tantos séculos, pessoas em muitos caminhos diferentes estão respondendo ao caminho da compaixão, afastando-se de vidas de interesse próprio e adotando o caminho do serviço. Como consequência, a humanidade está demonstrando prontidão para a revelação vindoura, colhendo os benefícios daqueles que pavimentaram o caminho antes.
Aquilo que busca expressão hoje será o resultado do esforço coletivo e da síntese que está sendo estabelecida e será "de tão grande importância, beleza e força reveladora que os acontecimentos de todos os tempos até a atual Era de Aquário emergente, foram apenas a preparação inicial e iniciatória." (Bailey, Alice, Os Raios e as Iniciações, p. 258).
Então deixe estar e ajude-nos a fazer a nossa parte.
Alucução proferida na Conferência da Escola Arcana em Nova Yorque - 2025