O Crescimento da Influência da Alma e a Iniciação

O desenvolvimento da consciência humana vai-se assinalando numa ordem natural, pelo reconhecimento de vida após vida, de um ser a outro e pela compreensão de que estas vidas são a totalidade de todas as potências e energias cuja vontade é criar e manifestar-se. Contudo, ao lidar com essas energias e forças, é impossível expressar a sua aparência, qualidade e propósito, a não ser de maneira simbólica, convindo, portanto, recordar os seguintes pontos:

1. A consciência da personalidade corresponde ao terceiro aspecto da divindade, o aspecto criador. Este trabalha na matéria e na substância com o fim de criar formas, através das quais a qualidade possa expressar-se e assim demonstrar a natureza da divindade no plano das aparências.

2. A consciência egoica corresponde ao segundo aspecto da divindade, o da alma, expressando-se como qualidade e como a "cor" determinante e subjetiva das aparências. Esta varia, naturalmente, de acordo com a capacidade da alma, contida em qualquer forma, para dominar o seu veículo, a matéria, e expressar a sua qualidade inata por meio da forma externa.

3. A consciência monádica corresponde ao primeiro aspecto da divindade, aquele que corporifica a intenção e o propósito da vida divina, e que utiliza a alma com o objetivo de por ela manifestar o propósito inerente de Deus. É isto que determina a qualidade. A alma personifica o propósito e a vontade de Deus à medida que se vai expressando nos sete aspectos. A mônada manifesta o mesmo propósito, tal como existe unificado na Mente do próprio Deus. Torna-se evidente que esta maneira de expressão nada significa para o pensador comum.

À medida que essas três manifestações da Grande Vida Una vão sendo compreendidas pelo homem no plano físico, começa a sintonizar-se conscientemente com o Plano emergente da Divindade e toda a história do processo criador se converte na história do propósito de Deus realizado.

Em primeiro lugar, à proporção que o terceiro aspecto se desenvolve conscientemente, o homem chega a um certo conhecimento da matéria, da substância e da atividade criadora externa. Em seguida, passa à compreensão das qualidades subjacentes que estão destinadas a ser reveladas pela forma e identifica-se com o ego, a alma ou anjo solar. Ele chega a reconhecer este como o seu verdadeiro Eu, o homem espiritual. Mais tarde, chega à conscientização do propósito que se vai manifestando através das qualidades, à medida que se expressam por meio da forma. Estes parágrafos são somente o resumo do que foi dito antes, mas é necessário que os conceitos sobre estas questões fiquem verdadeiramente claros. À medida que o estudo se aprofunda, evidencia-se como todo este progressivo processo de compreensão gira em torno da manifestação da forma e tem relação com a qualidade e o propósito da Mente divina. Isto, sem dúvida, tornar-se-á claro para quem estudou o tema do Tratado sobre o Fogo Cósmico, que cuida especificamente do processo criador e da manifestação. Ocupa-se, portanto, da expressão da personalidade externa dessa grande Vida que tudo engloba e a que chamamos Deus, à falta de melhor termo. Deve-se lembrar que o nosso universo (na medida em que a mais alta consciência humana pode até agora concebê-lo) encontra-se nos sete subplanos do plano físico cósmico e que nosso tipo mais elevado de energia, que representa para nós a mais pura expressão do Espírito, não passa da manifestação da força do primeiro subplano do plano físico cósmico. Portanto, no que respeita à consciência, estamos lidando com o que poderia ser simbolicamente considerado como a ação cerebral e a resposta ao propósito cósmico — a ação cerebral do próprio Deus.

No homem, o microcosmo, o objetivo do propósito evolutivo para o quarto reino da natureza é capacitar-se para se manifestar como alma no tempo e no espaço e sintonizar com o propósito da alma e com o plano do Criador, tal como é conhecido e expresso pelos sete Espíritos diante do Trono, os sete Logos planetários. Mas aqui não podemos senão dar o indício de um grande mistério: tudo aquilo que possa ser abarcado pelo mais elevado dos Filhos de Deus do nosso mundo planetário manifestado, será apenas uma parcial compreensão do propósito e do plano do Logos Solar, tal como o abarca, apreende e exprime um dos Logoi planetários, Aquele que está (no Seu lugar e segundo os termos do Seu cargo) condicionado e limitado pelo Seu próprio grau particular de evolução. Uma sétima parte do Plano em desenvolvimento está sendo expressa por nossa particular Vida planetária, e porque este grande Ser não é uma das sete Vidas sagradas e não Se expressa, portanto, por intermédio de um dos sete planetas sagrados, o Plano, tal como se desenvolve na Terra, é uma parte de uma expressão dual do propósito, e só quando outro planeta não sagrado atingir sua consumação, poderá ser realizado todo o Plano destinado à Terra. Isto pode não ser facilmente compreendido, porque, como já se disse, só os iniciados podem captar uma parte do significado da afirmação que diz "Os dois serão um e, juntos, expressarão a divindade".

Tudo o que interessa à humanidade neste tempo é a necessidade de uma resposta que se desenvolva de maneira firme e consciente à revelação evolutiva, e uma gradual percepção do Plano que permitirá ao homem:

a. Trabalhar consciente e inteligentemente.
b. Conscientizar-se da relação da forma e da qualidade com a vida.
c. Produzir a transmutação interna que trará à manifestação o quinto reino da natureza, o Reino das Almas.

Tudo isto deve ser levado a cabo no domínio da percepção consciente ou resposta, por meio dos veículos ou mecanismos de resposta que se aperfeiçoam constantemente, ajudados pela compreensão e interpretação espirituais.

Não consideraremos perguntas mais importantes, nem precisamos nos ocupar com a consciência da vida de Deus, tal como se expressa nos três reinos sub-humanos. Trataremos unicamente dos três pontos seguintes:

1. A consciência estritamente humana que começa com o processo da individualização e atinge o seu ápice na personalidade dominante.

2. A consciência egoica, que é a do anjo solar, ao começar com a preparação para a iniciação no Caminho do Discipulado e culmina no Mestre perfeito.

3. A realização monádica. Esta é uma frase que não tem nenhum sentido para nós porque se refere à consciência do Logos planetário. Ela começa a ser conscientizada na terceira iniciação, dominando a alma e se manifestando através da personalidade.

O homem, o ser humano comum, é a soma total de tendências separatistas, de forças não controladas e de energias desunidas que lenta e gradualmente se coordenam, se fundem e se misturam na personalidade separatista.

O homem, o Anjo Solar, é a totalidade dessas energias e forças que são unificadas, fundidas e controladas pela "tendência para a harmonia" que é o efeito do amor e a qualidade dominante divina.

O homem, a Mônada vivente, é a realidade velada e a que o Anjo da Presença oculta. É a expressão sintética do propósito de Deus, simbolizado pela qualidade divina revelada e manifestada pela forma.

Novamente nos confrontamos com a antiga triplicidade: aparência, qualidade, vida. Simbolicamente falando, esta triplicidade pode ser estudada da maneira seguinte:

1. O Homem O Anjo A Presença.
2. A raiz O lótus A fragrância.
3. A sarça O fogo A chama.

O trabalho da evolução, sendo uma parte da determinação de Deus de expressar a divindade por meio da forma, torna-se necessariamente a tarefa da revelação e, na medida em que se refere ao homem, esta revelação manifesta-se como o crescimento da evolução da alma e divide-se em três períodos:

1. Individualização Personalidade.
2. Iniciação Ego.
3. Identificação Mônada

Devemos manter firmemente as seguintes afirmações em nossas mentes. A personalidade é uma combinação tripla de forças que impressionam e controlam totalmente o quarto aspecto da personalidade, o corpo físico denso. Os três tipos de energia da personalidade são : o corpo etérico, veículo da energia vital, o corpo astral, veículo da energia de sensação ou de força sensitiva; e o corpo mental, veículo da energia inteligente da vontade, que está destinado a ser o aspecto criativo dominante. É sobre esta verdade que a Ciência Cristã pôs a ênfase. Estas forças constituem o homem inferior. O anjo solar é uma combinação dual de energias — a energia do amor e a energia da vontade ou propósito — que são as qualidades do fio da vida. Quando estas duas dominam a terceira energia, a da mente, produzem o homem perfeito. Elas explicam o problema humano; indicam o objetivo que se põe diante do homem; justificam e explicam a energia da ilusão e assinalam o caminho do desenvolvimento psicológico que conduz o homem (do triângulo da triplicidade e da diferenciação) à unidade através da dualidade.

Estas verdades são práticas e é por isso que vemos hoje a ênfase dominante ser posta sobre a compreensão do Plano entre os esoteristas; daí vermos também o trabalho dos psicólogos ao procurarem interpretar o homem e daí, também, suas diferenciações quanto ao equipamento humano, de modo que o homem viu-se, por assim dizer, dissecado em suas partes componentes. Já se reconhece que é a qualidade do homem que determina extremamente seu lugar na escala da evolução, mas a psicologia da escola moderna extremamente materialista supõe, erradamente, que a qualidade do homem seja determinada pelo seu mecanismo, quando, ao contrário, é na condição oposta que está o fator determinante.

O problema que os discípulos enfrentam consiste em expressar a dualidade do amor e da vontade através da personalidade. Esta afirmação contém um verdadeiro enunciado da meta para o discípulo. O objetivo do iniciado é o de expressar a Vontade de Deus por meio do amor desenvolvido e de uma sábia aplicação da inteligência. O enunciado precedente prepara o terreno para definir as três etapas do crescimento do ego.

Portanto, que é a individualização sob o ponto de vista do desenvolvimento psicológico do homem? É a focalização do aspecto mais baixo da alma, que é o da inteligência criativa, de forma que se possa expressar através da natureza da forma. Será, finalmente, o primeiro aspecto da divindade a expressar-se assim. É o aparecimento, na manifestação, da qualidade específica do anjo solar, que assim se apropria de um ou mais invólucros que assim constituem a sua aparência. É a imposição inicial de uma energia aplicada e dirigida sobre essa agregação da tripla força a que chamamos a natureza-forma do homem. O indivíduo, no caminho para alcançar plena coordenação e expressão, aparece no palco da vida. A entidade autoconsciente emerge na encarnação física. O ator aparece no processo do aprendizado de seu papel; faz as suas estreias e prepara-se para o dia da plena ênfase da personalidade. A alma penetra na forma densa e no plano inferior. O ego começa a desenvolver a parte que lhe corresponde, a qual se expressa através do egoísmo e conduz finalmente ao supremo altruísmo. A entidade separativa começa a preparar-se para a realização grupal. Um Deus caminha na Terra, velado pela forma carnal, pela natureza do desejo e da mente fluídica. Ele é temporariamente presa da ilusão dos sentidos e está dotado de uma faculdade mental que inicialmente cria obstáculos e aprisiona, mas que finalmente resgata e liberta.

Escreveu-se muito na Doutrina Secreta e no Tratado sobre o Fogo Cósmico acerca do tema da individualização; pode-se simplesmente defini-la como sendo o processo pelo qual as formas de vida no quarto reino da natureza chegam:

1- A individualidade consciente, através das experiências da vida dos sentidos.
2- À afirmação da individualidade pelo emprego da mente discriminadora.
3- Ao sacrifício final dessa individualidade em favor do grupo.

Atualmente, as massas se ocupam com a tarefa de se tornarem conscientes de si mesmas, e estão desenvolvendo esse espírito ou sentido de integridade ou plenitude pessoal que determinará uma maior autoafirmação — primeiro sinal da divindade. Isto está muito bem, apesar de imediatas complicações e consequências na consciência e no estado de ânimo mundiais. Torna-se portanto necessário guiar desde já os discípulos de todas as nações e treiná-los para que levem uma vida de aspiração correta, com sua consequente preparação para a iniciação. A tarefa que devem empreender hoje os pais e professores sábios deverá ser a de orientar a juventude para a atividade mundial, para que esses indivíduos conscientemente empreendam o trabalho de autoafirmação nos assuntos atuais. A psicologia das massas, de aceitar informações indiscriminadamente, de dar imediata obediência da massa a limitações impostas à liberdade pessoal sem a devida compreensão das razões subjacentes, e a consequente cega submissão a líderes, somente chegará a um fim através do fomento inteligente do reconhecimento individual do ego e das asserções do indivíduo que procura expressar as suas próprias ideias. Uma das ideias fundamentais que se encontra na base de toda a conduta humana e individual está na necessidade de paz e harmonia, a fim de que o homem possa criar o seu próprio destino. Esta é a crença fundamental e profunda da humanidade. Em consequência, a primeira evidência de manifestação da autoafirmação dos indivíduos na massa deve ser voltada para esta direção, porque será a linha de menor resistência. Logo seguir-se-ão a eliminação da guerra e o estabelecimento de condições de paz, que oferecerão a oportunidade para preparar e obter um cuidadoso progresso cultural.

Um ditador é um indivíduo que, por este processo, floresceu em conhecimentos e poder; é um exemplo da eficácia do caráter divino, quando lhe é dado manifestar a liberdade de agir, e como o resultado do processo evolutivo. Ele expressa muitas das potencialidades divinas do homem. Mas um dia o ditador será um anacronismo, pois quando a maioria chegar à etapa da autoconsciência e da potência individual, procurando expressar plenamente os seus poderes, ele já se terá perdido de vista em meio à afirmação da maioria. Na atualidade, o ditador indica a meta para o eu inferior, a personalidade.

Contudo, antes que a maioria dos homens possa chegar a tornar-se autoafirmativa, com segurança, deve haver um crescimento no número de indivíduos que tenham transcendido essa etapa, e dos que também saibam, ensinem e demonstrem, de modo que os muitos constituindo o grupo inteligente, composto de indivíduos autoconscientes, possam então identificar-se discriminadamente com o propósito do grupo e mergulhar suas identidades separatistas na atividade organizada e na síntese do grupo. Tal é a tarefa essencial do Novo Grupo de Servidores do Mundo. Ela deveria ser a aspiração atual dos discípulos mundiais. O trabalho de preparação dos indivíduos no propósito do grupo deve ser efetuado de três maneiras:

1- Pela identificação pessoal e autoimposta com o grupo, através da experiência da compreensão, do serviço e do sacrifício. Isto pode bem constituir uma útil experimentação autoimposta.

2- Pela educação das massas nos princípios subjacentes ao trabalho de grupo e pela formação de uma opinião pública esclarecida sobre estes conceitos.

3- Pela preparação de muitos componentes do Novo Grupo dos Servidores do Mundo para a grande transição na consciência a que chamamos iniciação.

Por conseguinte, que é Iniciação? Esta pode-se definir de duas maneiras: Primeiro de tudo, ela é a penetração, por meio da expansão da consciência do homem, num mundo novo e de mais amplas dimensões, podendo assim incluir e abarcar aquilo que ele agora exclui e de que se separa normalmente nos seus pensamentos e atos. Segundo, é a penetração, no homem, dessas energias características da alma, e unicamente da alma — as forças do amor inteligente e da vontade espiritual. São energias dinâmicas que atuam em todos os que são almas libertas. Este processo de penetrar e ser penetrado, deveria ser simultâneo e sintético, um acontecimento de primordial importância. Onde as fases do processo se sucedem ou se alternam, são indicação de um desenvolvimento irregular e da falta de equilíbrio. Geralmente conhece-se a teoria sobre o desenvolvimento e se possui uma capacitação mental para entender os fatos ligados ao processo iniciático antes de serem estes experimentados na vida diária, e assim integrados psicologicamente na expressão prática no plano físico. Isso envolve muitos perigos, dificuldades e perda de tempo. A compreensão mental do indivíduo é, na maior parte das vezes, muito maior que o seu poder de expressar o conhecimento e, em consequência, constatamos os grandes fracassos e situações difíceis que levaram ao descrédito toda a questão da iniciação.

Muitas pessoas são consideradas iniciadas mas não o são realmente, embora se estejam esforçando nesse sentido. São pessoas com boas intenções, cuja capacidade mental ultrapassa o poder das suas personalidades para sua plena expressão. São as que estão em contato com forças que ainda não conseguem manejar nem controlar; efetuaram grande parte do trabalho necessário para alcançar o contato interno, mas ainda não dominaram a natureza inferior. São incapazes, por isso, de expressar aquilo que compreendem internamente e mais ou menos percebem. Estes são os discípulos que falam demais e muito cedo; são muito egocêntricos e dão ao mundo um ideal em cuja direção estão, na verdade, trabalhando, mas que são ainda incapazes de materializar, devido à imperfeição dos seus veículos. Afirmam sua crença em termos de fatos ocorridos, causando grande confusão entre os de pouco conhecimento. Mas ao mesmo tempo, trabalham para alcançar a meta; estão mentalmente em contato com o ideal e com o Plano; são conscientes de forças e de energias totalmente desconhecidas da maioria. O seu único erro está no fator tempo, pois afirmam prematuramente o que um dia serão.

Quando a iniciação se toma possível, isso indica que dois grandes grupos de energias (as da tripla personalidade integrada e as da alma ou anjo solar) começam a fundir-se e a se combinar. A energia da alma começa a dominar e a controlar os tipos de forças inferiores e — de acordo com o raio da alma — assim será o corpo em que a presença desse controle se fará sentir. Dever-se-á lembrar que para receber a primeira iniciação apenas se necessita de um pequeno controle egoico. Essa iniciação indica simplesmente que o germe da vida da alma vitalizou e trouxe à existência ativa o corpo espiritual interno, o invólucro do homem espiritual interno, que oportunamente permitirá ao homem, na terceira iniciação, manifestar-se como "um homem plenamente desenvolvido em Cristo" e oferecer, nessa altura, a oportunidade à Mônada para aquela expressão plena de vida que pode ocorrer quando o iniciado se identifica conscientemente com a Vida Una. Entre a primeira e a segunda iniciações, como já muitas vezes se tem afirmado, pode decorrer muito tempo e muitas mudanças se efetuarão durante as numerosas etapas do discipulado.

A individualização total atinge o ponto culminante na personalidade expressando-se como uma unidade através de três aspectos. Essa expressão da personalidade compreende:

1 – A livre utilização da mente, de modo que a atenção focalizada possa dedicar-se a tudo o que respeita ao eu pessoal e seus objetivos. Isto significa sucesso e prosperidade para a personalidade.

2 – O poder de controlar as emoções e, contudo, de usar plenamente o equipamento sensorial a fim de perceber as condições, sentir as reações e estabelecer contato com os aspectos emocionais de outras personalidades.

3 – O poder para estabelecer contato com o plano das ideias e fazê-lo chegar à consciência. Ainda que estas ideias sejam mais tarde subordinadas a um propósito e interpretações egoístas, o homem pode, contudo, estar em contato com aquilo que pode ser espiritualmente conhecido. A livre utilização da mente pressupõe sua crescente sensibilidade à impressão intuitiva.

4 – A demonstração de muitos talentos, poderes e o desenvolvimento do gênio, e a subjugação enfática de toda a personalidade para expressar alguns poderes. Há, muitas vezes, uma extrema versatilidade e capacidade para realizar eficientemente muitas coisas importantes.

5 – O homem físico é frequentemente um instrumento extraordinariamente sensível dos egos emocional e mental internos e dotado de um grande poder magnético; tem normalmente boa saúde, ainda que o corpo seja vigoroso; e encanta, além de outros dotes pessoais.

Um estudo das personalidades que se têm notabilizado hoje, em todos os campos de expressão mundial, quando estão completamente divorciadas dos conceitos superiores de grupo e da constante aspiração espiritual para servir à humanidade, revelará a natureza da individualidade que atingiu o seu ponto culminante, assim como o sucesso desta parte do plano divino. Deve-se registrar cuidadosamente que a demonstração bem sucedida do individuo dominante significa também um triunfo divino, no seu próprio lugar e tempo, como é o caso dos grandes Filhos de Deus. Contudo, um sucesso é a expressão do terceiro aspecto da divindade que vela e oculta a alma, e o outro, a expressão de dois aspectos da divindade (o segundo e o terceiro) ao velarem e ocultarem o aspecto vida da Mônada. Quando se compreender bem o exposto, a nossa avaliação das conquistas mundiais será modificada e veremos a vida com mais realismo e livre de miragens que desfiguram a nossa visão e também a das grandes Personalidades. Além disso deve ter-se em conta que o êxito individual separatista é em si mesmo uma evidência da atividade da alma, dado que cada indivíduo é uma alma vivente ativando os invólucros inferiores dos corpos e se esforçando por:

1- Construir invólucro após invólucro, vida após vida, cada vez mais adequados à sua própria expressão.

2- Produzir essa sensibilidade nos invólucros — primeiro sucessivamente e por fim simultaneamente — que lhes permitirá responder a uma esfera ou medida sempre crescente de influência divina.

3- Integrar os três invólucros numa unidade que durante três e às vezes sete vidas (ocasionalmente onze vidas) atuará como uma personalidade dominante em algum campo de ampla expressão, empregando a energia da ambição para o levar a efeito.

4- Reorientar o eu inferior individual a fim de que o reino dos seus desejos e a satisfação das suas conquistas pessoais sejam oportunamente relegadas ao seu legítimo lugar.

5- Galvanizar o homem autoafirmativo para que efetue essas novas conquistas que o encaminharão para o Caminho do Discipulado e finalmente para o da Iniciação

6- Substituir, por ultrapassadas, necessariamente voltadas para o interesse próprio e a ambição pessoal, as necessidades do grupo e o objetivo do serviço mundial

Não será o que acima foi dito suficientemente prático?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A iniciação levada à sua consumação, no que respeita à humanidade, produz o liberado Mestre de Sabedoria, isento das limitações do indivíduo, recolhendo os frutos do processo da individualização e atuando cada vez mais como anjo solar, por estar primariamente focalizado no corpo espiritual interno. Assim se desenvolve firmemente a conscientização da Presença. Este fato merece ser estudado e profundamente meditado por todos os discípulos. Quando os três raios que governam a triplicidade inferior se combinam e sintetizam e produzem a personalidade vital e, por sua vez, dominam o raio do corpo físico denso, o homem inferior entra num prolongado estado de conflito. Gradualmente, e de maneira crescente, o raio da alma, "o raio da compreensão persistente e magnética", como é chamado em linguagem ocultista, toma-se mais ativo; então no cérebro do homem que é uma personalidade desenvolvida, desenvolve-se uma crescente percepção de vibração. Há muitos graus e etapas nesta experiência e eles abrangem muitas vidas. A princípio o raio da personalidade e o raio egoico parecem chocar-se e então mais tarde estabelece-se uma guerra com o discípulo como espectador — e dramático participante. Arjuna entra no campo de batalha; a meio entre as duas forças, ele permanece como um minúsculo ponto consciente de percepção alerta e de luz. À sua volta, nele e através dele, as energias dos dois raios precipitam-se e se conflitam. Gradualmente, à medida que continua o fragor da batalha, ele se toma um fator mais ativo e abandona a atitude de espectador desapegado e desinteressado. Quando verifica definitivamente o que verdadeiramente está em jogo, e em definitivo põe o peso de sua influência, desejos e mente a favor da alma, ele pode receber a primeira iniciação. Quando o raio da alma se focaliza plenamente através dele, e todos os seus centros são controlados pelo raio focalizado, o da alma, converte-se no Iniciado transfigurado e recebe a terceira iniciação. O raio da personalidade ocultamente está "extinto" ou absorvido pelo raio da alma e todos os poderes e atributos dos raios inferiores tomam-se "um homem de Deus" — uma pessoa cujos poderes estão controlados pela vibração dominante do raio da alma e cujo mecanismo sensitivo, interno, vibra na mesma medida que o raio da alma que — por sua vez — é reorientado e controlado pelo raio da Mônada. O processo repete-se então assim:

1- Os diversos raios que constituem o homem inferior separatista fundem-se e combinam-se nos três raios da personalidade.

2- Estes, por sua vez, fundem-se e combinam-se, numa expressão sintética do homem autoafirmativo, o eu pessoal.

3- Os raios da personalidade tomam-se então um e, por sua vez, submetem-se ao raio dual da alma. Novamente, portanto, três raios estão combinados e fundidos.

4- Os raios da alma dominam a personalidade e os três tomam-se novamente um só, na medida em que o raio dual da alma e o da personalidade fundidos vibram no diapasão mais elevado dos raios da alma — o raio do grupo da alma, que é sempre considerado o verdadeiro raio egoico.

5- Depois, com o tempo, o raio da alma começa (na terceira iniciação) a fundir-se com o raio da Mônada, o raio da vida. Portanto, o mais elevado iniciado não é uma expressão tripla mas sim dual.

6- Com o tempo, porém, esta dualidade realizada dá lugar ao misterioso e indescritível processo chamado identificação, que é a etapa final do desenvolvimento da alma. É inútil acrescentar mais alguma coisa ao que se expôs, porque tudo o que poderia ser dito apenas seria compreendido por aqueles que se preparam para receber a quarta iniciação, e este tratado está escrito para os discípulos e iniciados do primeiro grau.

Nestas sucessivas etapas podemos vislumbrar aquilo que somos e que podemos ser. Firmemente, o propósito evolutivo das nossas próprias almas ("esses anjos de persistente e imortal amor") deveria alcançar mais constante e profundo controle sobre cada um de nós, e isto, sem olhar preço nem sacrifício, deveria ser o nosso firme propósito. Em verdade e sinceramente, é a que deveríamos aspirar.

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