Reflexões sobre o Centro Ajna Planetário
Setembro 2025
Estimado (a) companheiro (a) estudante.
A humanidade está passando por um difícil período de transição entre a velha e a nova era, e a perspectiva geral do mundo parece ser de fragmentação política no Ocidente, justaposta ao crescente poder econômico da China no Oriente, uma nação que, devemos ter em mente, representa um quinto da população mundial. E, no contexto desse cenário, podemos abordar a desafiadora questão: em que linhas as ideologias opostas do Oriente e do Ocidente podem evoluir e convergir para expressar um ponto de síntese planetária? Ao refletir sobre isso, podemos também lembrar que a humanidade é a contrapartida, na Vida planetária, do centro ajna individual. É o centro através do qual... a família humana se funde e se une.
O centro ajna é o grande "órgão do idealismo". Dizem-nos que, em escala planetária, esse centro está apenas começando a se expressar de forma reconhecível por meio do Novo Grupo de Servidores do Mundo, cuja tarefa principal é levar à humanidade "uma compreensão dos ideais fundamentais que governarão a Nova Era". Esses ideais fornecerão a base para a nova cultura global, e começamos com uma definição de cultura dada pelo Tibetano, uma definição mais elevada do que o significado normalmente atribuído a essa palavra, mas que caracteriza a consciência do Novo Grupo de Servidores do Mundo, embora esteja além do alcance do estágio geral de desenvolvimento da raça:
“Cultura é a aproximação de dois caminhos - sensação e mente; de dois mundos - sensibilidade e pensamento; e das atitudes, de natureza relacionada, que capacitarão um homem a viver como um ser inteligente, subjetivo, em um mundo físico tangível. O homem de cultura relaciona o mundo do significado ao mundo das aparências e os considera mentalmente (reconhecendo-os assim com seu cérebro, indicação de um laço ou uma relação estabelecida como constituindo um mundo com dois aspectos. Ele se movimenta com Igual liberdade em ambos os mundos e com simultaneidade, tanto no que diz respeito à sua consciência como ao seu senso de percepção. Mesmo nos tempos atlantes havia aqueles que compreendiam o significado da cultura como um resultado da civilização. (1)
Ao examinar a relação entre Considerando o Leste Asiático e o Ocidente,
e os obstáculos que devem ser superados, é importante ter em mente o “significado
da cultura como um resultado da civilização”. Para complementar as perspectivas
dos principais pensadores mencionados em cartas anteriores, recorremos ao
jornalista e comentarista político Martin Jacques que há muito tempo argumenta
que a China é mais um “Estado-civilização” do que um Estado-nação. Ele ressalta
que o valor político mais importante para o povo chinês é a unidade por
meio de seu forte senso de identidade cultural ancestral; tendo um conceito
fraco de diferença cultural e pouca tolerância a ela, é improvável que a
China se conforme às formas ocidentais de democracia liberal; os direitos
humanos individuais sempre serão considerados no contexto da manutenção
da integridade cultural da civilização chinesa. (*)
O professor Jacques argumenta que a China não pode ser compreendida
observando-a através dos olhos e valores ocidentais; o problema, diz ele, é
bem resumido por um dos mais eminentes historiadores da China no Ocidente, Paul
A. Cohen, que apontou que, embora o Ocidente possa se considerar a mais
cosmopolita de todas as culturas, em muitos aspectos é a mais paroquial. Isso
ocorre porque, nos últimos duzentos anos, o Ocidente tem sido tão dominante
no mundo que não precisou realmente entender outras civilizações e culturas,
que, ao contrário, foram forçadas a entender o Ocidente devido à sua forte
presença em suas sociedades. Segundo Jacques, o Leste Asiático é a maior
economia do mundo, com um terço da população global, e tem muito mais
conhecimento sobre o Ocidente do que o Ocidente sabe sobre o Leste Asiático.
Isso é relevante porque o mundo está começando a ser impulsionado e moldado
não pelos antigos países desenvolvidos, mas pelo mundo em desenvolvimento.
(**)
Essas observações são consistentes com a perspectiva esotérica de que, embora "esta seja a raça ariana ou a quinta raça", os chineses são um "povo da quarta raça-raiz". Isso nos dá muito o que pensar, visto que o centro ajna planetário através do qual... a família humana se mistura e se funde está relacionado à quinta raça-raiz. Então, o que isso significa em relação à fusão e à mescla do povo chinês em uma única família humana?
Humanidade... Centro ajna planetário... 5º Raio do Conhecimento... 5ª raça-raiz.
Para desenvolver nossa reflexão sobre as correspondências acima, voltemos às reflexões de Oliver L. Reiser na carta do mês passado, visto que ele era claramente muito respeitado pelo Tibetano e foi convidado (presumivelmente por Alice Bailey, a pedido do Tibetano) a escrever o prefácio do livro "Educação na Nova Era". Aqui, ele comenta a necessidade premente de harmonizar as relações entre Oriente e Ocidente e, em seus próprios livros, tem muito a dizer sobre o papel do modo de pensar chinês na construção de uma futura democracia planetária. Como observamos, ele sugere que a base para a convergência entre os dois hemisférios pode ser encontrada no humanismo científico dos intelectuais ocidentais e no idealismo prático dos pensadores mais avançados do Oriente. Descrevendo a fusão dessas duas perspectivas como "lógica organísmica", (***) ele escreveu:
"A civilização moderna aproxima-se do fim de uma era. Durante vinte e cinco séculos, o intelecto humano foi guiado pelos axiomas daquele grande criador da cultura ocidental, a quem os medievais designavam como O Filósofo. Estamos agora diante de uma nova era de pensamento, uma era de orientação não aristotélica. Assim como a lógica antiga, e a ciência e a filosofia dela resultantes, estavam ligadas ao que se pode chamar de falácia da individualidade absoluta do sujeito, a próxima era da cultura, quando e se emergir, será caracterizada por um novo tipo de raciocínio baseado numa lógica de partes e propriedades dentro de totalidades dinamicamente organizadas." (2)
Esta descrição de uma futura cultura global nos dá muito o que pensar. Isso nos ajuda a imaginar como, nos ciclos de raios menores, as tremendas conquistas do quinto Raio da Ciência Concreta, que agora está se retirando [“por um acordo especial e excepcional”] (3), podem ser ainda mais desenvolvidas sob a influência do quarto Raio da Harmonia e da “vida criativa” que está lentamente se incorporando após 2025 (4). A esse respeito, é útil observar que a qualidade de um raio que chega tem o seguinte efeito:
“Mudanças na natureza da civilização e a cultura da humanidade em qualquer dado período. É esta força que a Hierarquia utiliza quando tem lugar qualquer encontro das energias de raio. A cultura é mudada primeiro, porque todas as mudanças básicas de qualidade operam sempre de cima para baixo, e é a inteligentsia a primeira a ser sensibilizada às diferenças entrantes.” (5)
Portanto, podemos esperar que o quarto raio que se aproxima inspire um novo tipo de raciocínio que:
“...ensina a arte de viver com a finalidade de produzir uma síntese de beleza. Não há beleza sem unidade, sem idealismo concretizado e sem o desabrochar simétrico resultante. Este não é o raio da arte, como tão frequentemente alegado, mas a energia que traz à realização a beleza daquelas formas vivas que personalizam ideias e os ideais procurando expressão imediata.” (6)
À medida que o quinto raio sai e o quarto raio entra, teremos o cenário perfeito para a visão de Reiser de “um novo tipo de raciocínio baseado em uma lógica de partes e propriedades dentro de todos dinamicamente organizados”. À medida que essa nova corrente de pensamento se desenvolve e o centro planetário ajna ganha vida, uma nova ciência da vida pode encontrar ressonância suficiente entre a população mundial para anunciar o estágio de integração da personalidade da humanidade. Este, lembramos, é o estágio em que, por meio do centro ajna, os centros superiores e inferiores são colocados em interação correta:
“A relação ... entre os centros e sua sincronização é interessante e nela está epitomizada a evolução da raça bem como a da unidade racial, o ser humano. Está também simbolizada para nós na relação entre os hemisférios Ocidental e Oriental.” (7)
Centro da cabeça — base da coluna vertebral. Centro do
coração — plexo solar.
Centro da garganta — centro sacral
Em termos do centro planetário ajna, que sincroniza as relações acima, podemos imaginar as duas pétalas principais estendendo-se em direção aos hemisférios oriental e ocidental do globo, assim como se estendem em frente aos hemisférios direito e esquerdo do cérebro no ser humano. Devemos então considerar quais seriam suas implicações planetárias:
“Elas se espraiam como as asas de um aeroplano à direita e à esquerda da cabeça, e simbolizam o caminho da mão direita e o caminho da mão esquerda, o caminho da matéria e o caminho do espírito. Constituem simbolicamente, portanto, os dois braços da Cruz sobre a qual o homem está crucificado, duas correntes de energia ou luz colocadas de través à corrente de vida que desce da mônada para a base da coluna, passando através da cabeça.” (8)
Essas declarações esotéricas parecem dar credibilidade à crença de Oliver L. Reiser de que a integração da humanidade será facilitada pelo humanismo científico do Ocidente e pelo idealismo prático do Oriente; e podemos esperar que, com as iminentes condições de raio, esse processo seja estimulado em direção a uma atividade renovada. No entanto, embora existam muitos membros do Novo Grupo de Servidores do Mundo que estejam tentando guiar a humanidade na direção certa, o Ocidente está claramente sucumbindo ao "caminho da matéria" e, de fato, o Oriente parece caminhar para o mesmo destino. Semelhante a como Reiser lamentou essa tendência global no século passado (em termos dos hemisférios direito e esquerdo do córtex global), o pesquisador de neurociência Iain McGilchrist também a lamenta:
“A visão do hemisfério esquerdo do cérebro foi projetada para ajudar você a compreender as coisas. Seu propósito é a utilidade, e sua adaptação evolutiva está a serviço da apreensão e do acúmulo de 'coisas'. Como tal, é sedutora. É provavelmente por isso que as culturas orientais, que costumavam ser mais equilibradas em suas perspectivas, agora estão adotando a atual visão de mundo ocidental com tanto entusiasmo e parecem determinadas, infelizmente, a superar o Ocidente em seu próprio jogo pernicioso. Na minha opinião, devemos aprender com eles, não eles conosco.” (9)
Alcançar a atividade e o relacionamento corretos entre as duas pétalas do centro planetário ajna e, portanto, os dois hemisférios da crosta terrestre, é crucial para o futuro do mundo. E é à intelectualidade que devemos recorrer em busca de soluções, lembrando as palavras do Tibetano de que eles são os primeiros a serem sensíveis às "diferenças emergentes" nas condições dos novos raios que mudarão a "cultura da humanidade". No próximo mês, refletiremos sobre algumas ideias-semente que podem indicar o tipo de cultura que poderá começar a se materializar à medida que o quarto raio se consolidar.
Em iluminado companheirismo grupal,
Grupo da Sede
ARCANE SCHOOL
Escola Arcana
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1. Educação na Nova Era, p. 43.
2. Oliver L. Reiser, A Promessa do Humanismo Científico, p. 43, Internet
Archive.
3. O Destino das Nações, p. 143.
4. Psicologia Esotérica I, p. 26.
5. O Destino das Nações, p. 116.
6. Ibid., p. 143.
7. Um Tratado sobre Magia Branca, p. 74.
8. Cura Esotérica, pp. 149-50.
9. Iain McGilchrist, O Mestre e Seu Emissário: O Cérebro Dividido e a
Criação do Mundo Ocidental. Yale University Press, 416. Edição Kindle.
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(*) Compreendendo o crescimento da China https://www.youtube.com/watch?v=imhUmLtlZpw
(**) Uma explicação simples e esclarecedora sobre a forma de social-democracia da China é dada pelo estudioso chinês Zhang Weiwei neste link. Como o sistema chinês realmente funciona? https://www.youtube.com/watch?v=rkVyYvWezI0&t=90s
(***) "Organísmica" refere-se a Teoria Organísmica, uma abordagem holística que vê o indivíduo como um todo integrado e autorregulado, e não como partes isoladas, proposta pelo neurofisiologista Kurt Goldstein. Essa teoria enfatiza a unidade do organismo, sua capacidade inata de crescimento e de se autorrealizar, influenciando a Gestalt Terapia e outras abordagens psicológicas que buscam compreender o comportamento humano de forma integrada e contextualizada. [nota: EE]