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Livros de Alice Bailey

Um Tratado sobre o Fogo Cósmico

Índice Geral das Matérias

Seção Dois - Divisão D - Elementais do Pensamento e Elementais do Fogo
I. PENSAMENTOS-FORMA
II. ELEMENTAIS DO PENSAMENTO E DEVAS
III. O HOMEM, UM CRIADOR NA MATÉRIA MENTAL
IV. O HOMEM E OS ESPÍRITOS DO FOGO OU CONSTRUTORES
III. O Homem Como Um Criador na Matéria Mental
1. A Criação dos Pensamentos-forma
2. A Construção dos Pensamentos-Forma nos Três Mundos

III. O HOMEM COMO UM CRIADOR NA MATÉRIA MENTAL

1. A Criação dos Pensamentos-forma

Não entraremos em detalhes sobre este assunto devido aos perigos que ele pode acarretar. Durante os processos criativos, o homem lida com diferentes tipos de fenômenos elétricos, com aquilo que é vitalmente afetado por cada pensamento que dele emana, e com aquelas vidas menores que (reunidas) constituem, sob certos pontos de vista, uma fonte de real perigo para ele. Exporemos o que pode ser dito sob a forma de afirmações.

a. Grande parte do sofrimento que atualmente assola o mundo pode ser diretamente atribuído ao modo errôneo como o homem manipula a matéria mental, aos errôneos conceitos quanto à natureza da própria matéria, e às perigosas condições produzidas pelo conjunto das tentativas criadoras da humanidade ao longo dos séculos.

Errôneas interpretações foram dadas a respeito do propósito dos fluidos vitais do universo e isto aumentou a angústia e o sofrimento, assim como certas distorções da luz astral, produzindo a miragem subsidiária ou secundária, ou luz reflexa, a qual intensifica a maya já criada. Este reflexo secundário foi criação do próprio homem na sua tentativa evolucionária de equilibrar os pares de opostos, e produziu uma condição que precisa ser superada para que o verdadeiro equilíbrio ocultista seja iniciado.

Isto pode ser considerado como a soma total daquela grande manifestação criada exclusivamente pelo homem chamada “O Morador do Umbral.”

Um dos maiores impedimentos encontrados no Caminho do Retorno e pelo qual o homem é claramente responsável dentro de limites ocultistas, são aquelas formas animadas que ele tem produzido desde a segunda metade da raça-raiz atlante, quando o fator mente começou lentamente a assumir importância crescente. O egoísmo, os sórdidos motivos, a pronta resposta aos impulsos malignos que têm caracterizado a raça humana, criaram uma situação sem paralelo no sistema. Um gigantesco pensamento-forma paira sobre a família humana, construído pelos homens em toda parte durante as eras, energizado pelos ensandecidos desejos e malignas inclinações de tudo que há de pior na natureza humana e mantido vivo pelos incitamentos de seus desejos inferiores. Este pensamento-forma tem de ser fragmentado e dissipado pelo próprio homem durante a parte final desta ronda antes da conclusão do ciclo, e sua dissipação constituirá uma das forças tendentes a produzir o pralaya interplanetário. É esta peça de trabalho mal feito, se assim podemos chamá-la, que os Grandes Seres estão ocupados em destruir. Sob a Lei do Carma, ela tem de ser dissipada por aqueles que a criaram; o trabalho dos Mestres, portanto, tem de prosseguir indiretamente, sob a forma de iluminar os filhos dos homens gradualmente para que eles possam ver com clareza este “Morador do Umbral” da nova vida, e o antagonista que se encontra entre o quarto reino da natureza e o quinto. Cada vez que um filho do homem entra no Caminho Probatório, o trabalho dos Mestres é facilitado, porque isso significa que uma pequena corrente de energia vital está direcionada para novos canais, e distante da velha corrente, que tende a vitalizar e alimentar a forma maligna, e que um novo atacante mais consciente pode ser treinado para cooperar no trabalho de destruição. Cada vez que um iniciado é admitido aos graus da Loja, significa que um novo e poderoso agente está disponível para fazer descer dos níveis superiores a força que irá ajudar no trabalho de desintegração. Na compreensão desses dois métodos de trabalho agressivo - o do aspirante e o do iniciado - o estudante da Lei de Correspondência encontrará muitas coisas de vital interesse. Aqui encontramos a chave para o problema do mal, e para a vitalidade do domínio que o aspecto matéria tem sobre o espiritual. Este gigantesco pensamento-forma, produto da ignorância e egoísmo do homem, é mantido vivo e vitalizado de três modos:

Primeiro, pelo agregado de nocivos desejos, perversas intenções e egoísticos propósitos de cada homem individualmente. Cada pensamento malévolo, quando corporificado na fala ou manifestado na ação no plano físico, contribui para fazer crescer as proporções desta maligna entidade.

Segundo, pela encorajadora atenção dos irmãos das sombras, e dos representantes daquilo que pode ser chamado o “mal cósmico”, aqueles que (sob o carma da família humana, o quarto reino, nesta quarta ronda) assumem tremendas responsabilidades, tornando possível a vitalização secundária do pensamento-forma e produzindo condições tão terríveis que, de acordo com a lei, trazem a cristalização e a seguir, como consequência, a destruição final. Aconselha-se que os estudantes ampliem seu conceito sobre o propósito do mal e o lugar que as forças do mal ocupam no esquema geral.

Terceiro, pela energia e vibração resultantes da força de um sistema anterior ainda sentidas aqui mas que, no nosso sistema, não são consideradas como um princípio.

Estes são os três principais fatores levados em consideração pelos Grandes Seres na tarefa de capacitar os homens a se libertarem da influência desta forma auto imposta, de destruir aquilo que eles próprios construíram, e libertarem-se da ilusão criada pelo persistente vampiro que eles alimentaram e fortaleceram durante milênios.

A tarefa de destruição exercida pelos Grandes Seres é realizada principalmente de quatro modos:

1. Pela força de Seus pensamentos e meditações conjuntas.

2. Pelo trabalho da Hierarquia, treinando e ensinando indivíduos, que desse modo se desprendem da cega atividade do grupo, tornando-se conscientes centros de força e cooperadores no trabalho de destruição. Este trabalho tem de ser realizado nos níveis mentais, daí a razão do treinamento dos discípulos na meditação e no trabalho mental.

3. Pelo emprego de certos mantrams e palavras que introduzem força planetária da quarta ordem, a qual é então dirigida para esta distorcida criação da quarta Hierarquia Criadora (o quarto reino ou humano) e destinada a aumentar o trabalho de destruição.

4. Pela estimulação dos corpos egoicos dos homens de modo que os Anjos solares possam levar adiante com maior precisão e força, seu conflito com os deuses lunares. Esta é a verdadeira guerra nos céus. À medida que os Deuses (87) Solares cada vez mais se aproximam do plano físico, e ao descer, assumem crescente controle de suas naturezas lunares, os pensamentos e desejos dos homens vão sendo consequentemente purificados e refinados. Os fogos solares apagam a luz lunar, e a natureza inferior é finalmente purificada e transmutada. Com o tempo, os Anjos solares passam a brilhar em toda a sua glória no plano físico, por intermédio da natureza inferior que agora provê o combustível para as chamas. Assim, o odioso “Morador do Umbral” morre gradualmente por falta de sustento, até desintegrar-se por falta de vitalidade, e o homem é liberado.

b. Atualmente grande parte da manipulação da matéria mental usada para construir formas de qualquer tipo emana de níveis inferiores, e é o resultado de poderoso desejo baseado na atração física. Os corpos de desejo, e não os corpos mentais da maioria dos homens são os mais poderosos, e estabelecem uma vibração tão forte (devido à força dos dois grupos de senhores lunares) que o terceiro grupo de entidades lunares que constroem o corpo mental são induzidos quase que hipnoticamente a concordar, de modo que toda a tríplice natureza inferior fica imediatamente ocupada no calamitoso processo de alimentar o temível “Morador”. Esta direção de energia segue a linha de menor resistência. Uma das mais importantes tarefas do Ego, como bem sabemos, é impor um novo ritmo à sua sombra e reflexo, o homem inferior, e é esta imposição que, no devido tempo, desvia a energia da criação deformada do homem, e harmoniza sua vibração com a do seu Anjo solar.

Aos devas, que constituem a soma total da energia da própria substância, não importa qual o tipo de forma a ser construída. Eles apenas respondem às correntes de energia, não importa qual a sua procedência. Portanto, o lugar do homem no plano cósmico, torna-se mais vital e evidente quando compreendemos que uma de suas principais responsabilidades é a direção das correntes de energia do plano mental, e a criação daquilo que é desejado em níveis superiores. Todos os seres humanos estão sendo submetidos a um desenvolvimento evolutivo com o fim de que possam tornar-se criadores conscientes na matéria. Isto envolve

Uma compreensão do plano arquetípico,

Uma compreensão das leis que regem os processos de construção da natureza,

Um processo consciente de criação deliberada, de modo que o homem coopere com o ideal, trabalhe segundo a lei, e produza aquilo que esteja de acordo com o plano planetário, e que venha favorecer os melhores interesses da raça,

Uma compreensão quanto à natureza da energia, e habilidade para direcionaras correntes de energia e para desintegrar, ou extrair a energia, de todas as formas nos três mundos,

Uma apreciação da natureza dos devas, sua constituição e lugar como construtores, e das palavras e sons pelos quais eles são dirigidos e controlados.

Quando as correntes de energia da família humana forem somente dirigidas a partir dos níveis egoicos, quando o desejo for transmutado, e o quinto princípio despertado e finalmente iluminado pelo sexto, então e somente então, se extinguirá o impulso emanado dos níveis inferiores e o “Morador do Umbral”, que agora ronda a família humana, também morrerá. Em outras palavras, quando o corpo físico denso do Logos planetário (composto de matéria dos três mundos do esforço humano) estiver completamente purificado e vitalizado pela força da vida fluindo dos níveis etéricos, e quando todos os Seus centros (formados por unidades humanas) estiverem plenamente despertos, então esses centros tornar-se-ão canais de pura força e já não poderá existir uma entidade como o “Morador.”

Tudo que disse aqui referente a este “Morador do Umbral” do Caminho entre os dois grandes reinos, o quarto e o quinto, pode ser estudado pelo estudante com aplicação pessoal. Confrontando cada sério aspirante aos Mistérios encontra-se aquela forma vitalizada que ele próprio construiu e alimentou durante o curso de suas prévias encarnações, e que representa a soma total de seus maus desejos, motivos e pensamentos. Há séculos essa forma o tem vampirizado, e há séculos representa o que ele não conseguiu realizar. Ela afeta não somente a ele, mas a todos com quem entra em contato. Para conseguir destrui-la, ele tem de procurar métodos semelhantes aos usados pelos Grandes Seres, e através do crescente poder do seu próprio Anjo solar, através da força do seu Ego, e através do estudo da lei, do conhecimento do poder do som, e do controle da fala, ele eventualmente provocará sua desintegração. Diz O Velho-Comentário:

“O Anjo solar deve apagar a luz dos anjos lunares, e então, por falta de calor e luz, aquilo que servia de obstáculo, deixa de existir.”

c. Por enquanto, apenas poucos da família humana trabalham deliberada e conscientemente só na matéria mental. A energia posta em ação pelo homem é principalmente kama-manásica ou desejo acoplado à mente inferior, com a preponderância, como é de se esperar, da força do desejo. Isto se conclui da segunda afirmação. Toda a tendência da evolução consiste em desenvolver a habilidade para construir na matéria mental, e duas coisas aguardam a raça:

Primeiro. A gradual dissipação das indefinidas massas de matéria kama-manásica que cercam praticamente cada unidade da família humana, produzindo uma condição de escuridão e nevoeiro dentro, e ao redor, de cada aura. Gradualmente isto será dispersado, e os homens passarão a estar cercados por nítidos pensamentos-forma, diferenciados por sua vibração característica e a particular qualidade incidente ao raio do indivíduo e, portanto, ao seu tipo de mente.

Segundo. O agregado de pensamentos-forma que atualmente são de caráter pessoal, vibrando ao redor de cada ser humano assim como os planetas vibram ao redor do Sol, tenderão a aproximar-se a um centro grupal. A energia mental, que atualmente emana de cada ser humano como uma corrente comparativamente fraca de um conglomerado de matéria mental, de caráter e forma indefinidos, que anima essa criação por um breve período - será direcionada para a criação daquilo que é desejado pelo grupo, e não somente para satisfazer o desejo da unidade. Esta é a base, em grande parte, para o antagonismo que têm de enfrentar todos os pensadores construtivos e os trabalhadores grupais. A corrente de energia que deles emana, e que constrói relevantes pensamentos- forma, opostos ao pensamento das massas, desperta oposição e acarreta um caos temporário. Os trabalhadores e pensadores proeminentes da família humana, sob a direção da Loja, estão ocupados com três coisas:

a. Impor aos homens um novo e mais elevado ritmo.

b. Dissipar as sombrias nuvens de pensamentos-forma, indefinidas e semivitalizadas que envolvem nosso planeta, de modo a permitir a entrada da força interplanetária, e da força dos níveis mentais superiores.

c. Despertar nos homens o poder de pensar com clareza, energizar com precisão suas formas mentais, e manter vitalizadas aquelas construções mentais por meio das quais possam atingir seu objetivo, e trazer para o plano físico as condições desejadas.

Esses três objetivos exigem a presença daqueles vigorosos pensadores e trabalhadores que possuam uma clara compreensão do poder do pensamento; da direção das correntes do pensamento; da ciência da construção do pensamento; da manipulação da matéria mental, segundo a lei e a ordem; e do processo da manifestação do pensamento através dos dois fatores do som e vitalização. Envolve também a capacidade de invalidar ou tornar inócuos todos os impulsos provenientes do eu inferior que apresentem aspectos centralizados de natureza pessoal, e a faculdade de trabalhar em forma grupal, enviando cada pensamento com a clara missão de somar sua cota de energia e matéria àquela corrente específica e conhecida. Este último item é importante, pois nenhum trabalhador presta real serviço, a menos que - conscientemente e com pleno conhecimento de seu trabalho - ele definidamente dirija a energia de seu pensamento para um determinado canal de serviço à raça.

d. Portanto, na construção de pensamentos de ordem elevada, os homens têm várias coisas a fazer, que podem ser assim enumeradas:

Primeiro, purificar seus desejos inferiores de modo que possam ver claramente, no sentido ocultista. Ninguém pode ter clara visão enquanto vive voltado para suas próprias necessidades, ações e interesses, e permanece inconsciente daquilo que é superior, e da atividade grupal. A clara visão proporciona a capacidade de ler, mesmo inconscientemente a princípio, os registros akashicos, determinando assim o ponto de partida para a entrada de novos impulsos mentais, uma nova capacidade para substituir o auto interesse pelo interesse do grupo e assim cooperar com o plano, e aquela faculdade que lhe permitirá perceber a nota-chave da raça, e ouvir “o clamor da humanidade.”

Segundo, manter a mente sob controle. Isto envolve certas coisas importantes, como: a compreensão da natureza da mente e do cérebro através da concentração; compreensão da relação que deve existir entre o cérebro físico e o Homem, o real Pensador no plano físico, relação esta que se desenvolve gradualmente à medida que o homem aprende a controlar a mente através da meditação, isto é, aprende a meditar no sentido ocultista, captando assim o plano dos níveis superiores; reconhecer sua participação individual no plano, e então cooperar no trabalho de algum grupo de Nirmanakayas. Depois segue-se o estudo das leis da energia. O homem descobre como construir um pensamento-forma de uma determinada qualidade e tom, como energizá-lo com sua própria vida, e desse modo produz - nos níveis mentais - uma pequena criação, o filho da sua vontade, que ele pode usar como um mensageiro, ou como um meio para a manifestação de uma ideia. Os estudantes deveriam considerar estes pontos atentamente, se desejam tornarem-se servidores conscientes.

Finalmente, tendo construído um pensamento-forma, o servidor tem então de aprender como enviá-lo para a sua missão, qualquer que ela seja, manter sua forma com sua própria energia vital, vibrando segundo seu próprio ritmo, e, uma vez cumprida a sua missão, destruí-lo. A maioria dos homens é vítima de seus pensamentos-forma. O homem constrói essas formas, mas não dispõe de força suficiente para enviá-las para executar seu trabalho, nem tampouco é sábio bastante para dissipá-las, quando necessário. Este estado de coisas tem produzido o espesso redemoinho de nevoeiro de pensamentos semiformados, e semivitalizados, pelo qual oitenta e cinco por cento da raça humana está rodeada.

No seu trabalho como construtor de formas, o homem tem que demonstrar as características do Logos, o grande Arquiteto ou Construtor do universo. No plano mental, o trabalho do homem tem de ser comparável ao do Logos:

Aquele que concebe a ideia.

Aquele que reveste de matéria a ideia.

Aquele que energiza a ideia, e assim capacita a forma para manter seu formato e executar sua missão.

Aquele que - no tempo e espaço - através do desejo e do amor - direciona essa forma mental, vitaliza-a continuamente, até atingir o objetivo.

Aquele que, quando o fim desejado é atingido, destrói ou desintegra o pensamento-forma, retirando dele sua energia (ocultamente, “a atenção é retirada” ou “o olho não mais se detém sobre ele” ou ela), de modo que as vidas menores que foram construídas na forma desejada se desagregam, e retornam para o reservatório geral da substância dévica.

Assim, em todo trabalho criativo na matéria mental, o homem é visto como uma Trindade em atividade: ele é o criador, o preservador, e o destruidor.

e. Em todo trabalho oculto na matéria mental, destinado a manifestar-se no plano físico, e assim alcançar a objetividade, o homem terá que trabalhar como uma unidade. Isto é uma referência à capacidade do tríplice homem inferior subordinar-se ao Ego, de modo que a dinâmica vontade do Ego possa impor-se ao cérebro físico.

O método do homem que, no plano físico, trabalha conscientemente na matéria mental, deve ser considerado em duas divisões: primeiro o processo inicial de alinhamento com o Ego, de modo que o plano, o propósito e o método de alcançar a meta, possam ser impressos no cérebro físico; e a seguir, um processo secundário, na qual o homem - usando o cérebro físico conscientemente - leva o plano adiante, constrói, através da vontade e do propósito a forma necessária, e então, tendo construído e energizado a forma, “mantém sobre ela o seu olhar.” Esta é uma forma de expressar ocultamente a grande verdade que subjaz a todos os processos de energização. Encontramos constantes referências ao “olho do Senhor” na Bíblia Cristã, e em termos ocultistas, o olho é aquilo que outorga poder ao seu servidor, o pensamento-forma. Os cientistas começam a interessar-se pelo poder do olho humano, e essa faculdade de controlar e de reconhecimento que é encontrada em toda parte encontrará sua explicação científica e ocultista quando for estudada como um instrumento de energia iniciática.

Por conseguinte, é evidente que um pensamento-forma é o resultado de dois tipos de energia:

Em primeiro lugar, aquela que, em níveis abstratos, emana do Ego.

Segundo, aquela que, no plano físico, emana do homem, através do cérebro.

Como regra geral, os homens não reconhecem o primeiro fator, e é esse fato o responsável por grande parte do mal existente. Quando a “Ciência do Eu” assumir as devidas proporções, os homens terão o cuidado de verificar os impulsos em todos os processos de pensamento, e utilizar somente a verdadeira energia egoica, antes de começar a manipular a substância dévica, e construir formas com as vidas dévicas.

2. A Construção dos Pensamentos-Forma nos Três Mundos

Tenho algumas palavras mais a dizer sobre o homem como um Criador na matéria mental, palavras essas que são dirigidas a todos aqueles estudantes que - devido à sua capacidade de concentrar-se - já desenvolveram uma certa medida de controle mental, e desejam compreender o processo de criação com maior precisão científica. Trataremos, pois, de dois fatores no processo de construção do pensamento-forma:

a. O do alinhamento com o Ego. (88)
b. O processo de impressionar o cérebro físico com a vontade egoica, ou em outras palavras, a utilização inicial da energia egoica.

Consideremos agora cada um desses fatores.

a. Alinhamento com o Ego. Como sabemos, isto só é possível ao homem que alcançou o Caminho Probacionário, ou um certo ponto bem definido de evolução. Por meio do conhecimento e da prática adquire-se o poder de automática e cientificamente utilizar o sutratma, ou canal, como meio de contato. Quando a esta habilidade é acrescentada, com igual facilidade, à utilização do antahkarana, ou ponte entre a Tríade e a personalidade, então temos um poderoso agente da Hierarquia na Terra. Poderíamos generalizar, da maneira seguinte, as etapas de crescimento e consequente habilidade para tornar-se um agente com poderes sempre crescentes, lançando mão dos recursos da energia dinâmica nos três mundos.

Os tipos inferiores da humanidade utilizam o sutratma que atravessa o corpo etérico.

Os tipos comuns da humanidade utilizam quase que inteiramente aquela parte do sutratma que passa pelo plano astral.

Os homens intelectuais utilizam o sutratma em suas duas partes, à medida que passa pelos níveis inferiores do plano mental, descendo pelo astral para o físico. Suas atividades são energizadas pela mente e não pelo desejo, como nos dois casos anteriores.

Aspirantes no plano físico utilizam o sutratma que passa pelos dois subplanos inferiores dos níveis abstratos do plano mental, e estão gradualmente começando a construir o antahkarana, ou a ponte entre a Tríade e a Personalidade. O poder do Ego pode começar a fazer-se sentir.

Candidatos à iniciação e iniciados até à terceira iniciação utilizam tanto o sutratma quanto o antahkarana, empregando-os como uma unidade. O poder da Tríade começa assim todas as atividades humanas no plano físico, e vitalizando em graus sempre crescentes, os pensamentos-forma do homem. A chave para a formação do Mayavirupa encontra-se na correta compreensão do processo.

Se os estudantes estudarem cuidadosamente as diferenciações dadas acima, muita luz será lançada sobre a qualidade da energia empregada na construção dos pensamentos-forma.

Nas suas etapas iniciais, o alinhamento tem de ser realizado concisa e cuidadosamente por meio da concentração e meditação. Mais tarde, quando o ritmo correto já esteja implantado nos corpos, e a purificação dos envoltórios tenha sido rigidamente buscada, a atividade dual torna-se praticamente instantânea, e o estudante pode então voltar sua atenção para o trabalho de consciente construção e vitalização, pois sua concentração deixou de estar voltada para conseguir o alinhamento.

Um alinhamento exato requer:

Quiescência mental, ou vibração estável.

Estabilidade emocional, resultando num reflexo límpido.

Equilíbrio etérico, produzindo uma condição no centro coronário que permitirá a aplicação direta da força ao cérebro físico via o citado centro.

b. Impressão no cérebro físico. A exata compreensão pelo cérebro físico daquilo que o Ego está procurando comunicar a respeito do trabalho a ser feito somente se torna possível quando conseguimos realizar duas coisas:

1. O alinhamento direto e

2. Transmitir a energia egoica ou vontade para um ou outro dos três centros físicos na cabeça:

a glândula pineal.

o corpo pituitário.

o centro alta maior, aquele centro nervoso encontrado no alto da coluna vertebral, onde o crânio e a coluna quase se unem. Quando este conglomerado de nervos está plenamente desenvolvido, forma um centro de comunicação entre a energia vital da coluna vertebral, o fogo kundalini, e a energia dos dois centros da cabeça acima enumerados. É a correspondência do antahkarana nos níveis superiores.

O corpo pituitário (em todos os casos de correto e normal desenvolvimento) forma o centro que recebe a tríplice vitalização que flui pelo sutratma desde o mental inferior até o astral e os planos etéricos. A glândula pineal entra em atividade quando esta ação é reforçada pelo fluir da energia do Ego em seu próprio plano. Quando o antahkarana é utilizado, também o centro alta maior é empregado, e os três centros físicos da cabeça começam a trabalhar como uma unidade, formando assim, uma espécie de triângulo. Quando a terceira Iniciação é alcançada, este triângulo está completamente desperto, e o fogo (ou energia) circula livremente.

É pois, evidente, que a capacidade do homem criar na matéria mental cresce à medida que ele percorre o Caminho. É preciso lembrar que (segundo o ângulo sob o qual estamos estudando) nós não estamos tratando do poder do Ego de produzir formas no plano mental, mas sim da habilidade do homem no plano físico, criar no plano mental aqueles veículos para a energia que - quando entram em movimento por sua vontade consciente - produzem certos efeitos específicos no plano físico. Isto é realizado pela energia egoica que passa pelo sutratma para o cérebro físico, e retransmitida para o plano mental com aquilo que adquiriu ou perdeu no processo. O verdadeiro Adepto, por meio do conhecimento, conserva toda a energia durante o processo de transmissão, acrescentando a ela a energia com a qual faz contato. Temos, portanto, a energia da vontade, mais a do desejo, alimentadas pela energia do cérebro físico. Literalmente, portanto, temos um pequeno resumo do processo criador de Deus, constituindo a energia unificada das três pessoas, sob o ponto de vista físico. É a unificação dos três fogos no homem, sendo de fato:

a. Aquela determinada quantidade de fogo do espírito, ou fogo elétrico, de que qualquer Ego em particular disponha (relativamente pouco, antes da terceira Iniciação) ou é capaz de transmitir juntamente com,

b. Aquele tanto de fogo do Anjo solar (fogo solar) ou aspecto egoico, que o Ego é capaz de transmitir muito pouco, no homem comum; bastante, no Caminho Probacionário, e num jorro constante quando a terceira Iniciação é alcançada.

c. Aquele tanto de fogo que pode penetrar na substância purificada. Isto depende da pureza dos três envoltórios, e no caso do homem altamente desenvolvido, é o fogo kundalínico que aviva a chama produzida pelos outros dois.

Portanto, quando o alinhamento está correto, e os centros físicos da cabeça despertam, o homem pode tornar-se um criador consciente na matéria mental.


Notas:

87 Os Deuses Solares são os “Anjos Caídos”. D. S., II. 287.

a. Eles aquecem as sombras... os corpos humanos.

b. Eles por sua vez são aquecidos pela Mônada ou Atma. D. S., II 116, 117, 284.

c. Eles são as Serpentes de Sabedoria. D. S., II, 240.

d. Sua natureza é Conhecimento e Amor. D. S., II, 527.

e. Eles vêm do plano mental cósmico. D. S., III, 540.

O Ego, ou Anjo Solar está aprisionado. D. S., 621.

a. Tem de libertar-se da escravidão da percepção sensorial.

b. Tem de ver à luz da Realiadade una.

c. Ver D. S., II, 578.

d. Para redimira humanidade. D. S., II, 257.

e. Para dotá-lo de afetos e aspirações humanas. D. S., II, 257.

f. Dão ao homem inteligência e consciência. D. S., I, 204.


88 Ver Cartas sobre Meditação Ocultista, p. 1-7

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