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Livros de Alice Bailey

Um Tratado sobre o Fogo Cósmico

Índice Geral das Matérias

Seção Dois - Divisão D - Elementais do Pensamento e Elementais do Fogo
I. PENSAMENTOS-FORMA
II. ELEMENTAIS DO PENSAMENTO E DEVAS
III. O HOMEM, UM CRIADOR NA MATÉRIA MENTAL
IV. O HOMEM E OS ESPÍRITOS DO FOGO OU CONSTRUTORES
IV. O Homem e os Espíritos do Fogo ou Construtores
1. O Aspecto Vontade e a Criação.
2. A Natureza da Magia
3.Quinze Regras para a Magia

IV. O HOMEM E OS ESPÍRITOS DO FOGO OU CONSTRUTORES

Trataremos esta seção mais detalhadamente do que a anterior, porque encontramos aqui muita coisa de valor prático para o homem, especialmente quando estudarmos os efeitos da fala e o significado oculto da palavra falada.

1. O Aspecto Vontade e a Criação.

Numa seção anterior, falamos da transmissão da vontade do Ego para o cérebro físico e vimos que só nas pessoas que (devido ao desenvolvimento evolutivo) já estabeleceram a ligação entre o sutratma e o antahkarana, e cujos três centros físicos da cabeça já estão parcialmente despertos, pode a vontade do Ego ser transmitida. Nos demais casos, como o homem comum e o homem pouco evoluído, o propósito afetando o cérebro físico emanou dos níveis astral ou mental inferior, e era mais provavelmente o impulso de algum Senhor lunar, ainda que de uma ordem elevada, do que a divina vontade do Anjo solar, que é o verdadeiro homem.

a. A condição do Mago.

É importante lembrar que, quando os centros físicos da cabeça estão despertos (devido ao alinhamento dos centros etéricos), temos os aspectos mais inferiores da influência egoica. A partir destes três centros, o homem no Caminho Probacionário e até a terceira Iniciação, dirige e controla seu envoltório, e deles difunde essa iluminação que se irradiará na vida do plano físico. Quando a terceira Iniciação é alcançada, o triângulo interno encontra-se em pleno processo de transmissão circulatória, e a vida toda da Personalidade encontra-se submetida à vontade do Ego. “A Estrela absorve a luz da Lua, para que os raios do Sol possam refletir-se” é o modo ocultista de expressar a verdade relativamente a este ponto na evolução. É importante também indicar aqui a condição dos centros etéricos durante este processo de controle solar direto.

Antes do despertar dos três centros físicos da cabeça, o homem encontra-se grandemente sujeito à força que flui através dos quatro centros etéricos menores; posteriormente, os três centros principais – o coronário, o cardíaco, e o laríngeo - começam a vibrar, ampliando gradualmente sua atividade, até que sua energia tenda a anular a dos centros inferiores, a absorver sua vitalidade e a desviar sua direção, até que as três rodas superiores estejam em plena atividade quadrimensional. Enquanto isto tem lugar, os três centros físicos da cabeça começam a despertar de sua letargia e a entrar em atividade, com os efeitos seguintes:

a. Quando o principal centro da cabeça desperta, a glândula pineal começa a funcionar.

b. Quando o centro do coração se torna plenamente ativo, o corpo pituitário entra em atividade.

c. Quando o centro da garganta assume seu correto lugar no processo da evolução, o centro alta maior vibra adequadamente.

Quando o triângulo de força formado por esses três centros físicos se encontra em atividade circulatória pode ver-se também em atividade circulatória o triângulo maior; ele então converte-se numa “roda girando sobre si mesma.” Os centros etéricos principais estão em pleno funcionamento, e o homem está aproximando-se do momento da liberação.

No trabalho de criação, quando ocultamente realizado, estes três centros físicos têm de ser utilizados, e se estudarmos o assunto, torna- se evidente a necessidade de abordá-los nesta ordem.

Por meio da glândula pineal, (89) o órgão da percepção espiritual, o homem comprova a vontade e propósito do Ego, e a partir dali extrai dos níveis superiores a necessária energia, via o centro da cabeça e o sutratma.

Por meio do corpo pituitário, o segundo elemento do desejo ou a energia construtora da forma, fica disponível, e sob a lei de atração, ele pode modelar a substância dévica e com ela construir as formas.

Quando o centro alta maior, a síntese daquilo que podemos chamar energia nervosa, está desperto, torna-se possível para o homem, então, materializar e ativar a desejada forma que, por meio da energia atrativa, ele está construindo.

Assim, ficará evidente porque razão tão poucas pessoas jamais constroem pensamentos-forma que sejam de duradouro e construtivo benefício para a humanidade, e também a razão porque os Grandes Seres (ao trabalhar por intermédio de Seus discípulos) são forçados a trabalhar com grupos, sendo raramente capazes de encontrar um homem ou uma mulher cujos três centros físicos da cabeça estejam simultaneamente ativos. Frequentemente têm de trabalhar com grandes grupos antes de conseguir obter a energia necessária para a realização de Seus fins.

Será óbvio, também, que o poder do discípulo para servir a humanidade depende grandemente de três coisas:

a. O estado de seus corpos e de seu alinhamento egoico.
b. A condição da atividade dos centros físicos da cabeça.
c. A ação circulatória da transmissão triangular de força.

Esses fatores, por sua vez, dependem uns dos outros, entre os quais podemos enumerar:

1. A habilidade do discípulo para meditar.

2. A capacidade que ele demonstra para captar com precisão nos níveis mais sutis dos planos e propósitos de que o Ego é conhecedor.

3. A pureza de seus motivos.

4. Seu poder de “manter o estado meditativo”, e enquanto se mantém nesse estado, começar a construir a forma para a sua ideia, e assim materializar o plano de seu Ego.

5. A quantidade de energia que ele for capaz de lançar depois sobre o seu pensamento-forma, prolongando assim o período de sua existência, ou seu pequeno “dia de Brahma.”

Por sua vez, estes fatores subsidiários dependem de:

a. Do lugar que o homem ocupa na escada da evolução.
b. Da condição de seus corpos.
c. De sua condição cármica.
d. Da tenuidade da teia etérica.
e. Da qualidade de seu corpo físico e seu relativo refinamento.

É necessário advertir o estudante para que não se prenda a regras rígidas a respeito da sequência do desenvolvimento dos centros físicos da cabeça ou da vitalização dos centros de força. Este processo depende de vários fatores, como por exemplo, o raio da Mônada e a natureza do desenvolvimento alcançado em encarnações passadas. A Natureza, em todos os departamentos de sua vida corporativa, equipara seus esforços e sobrepõe seus vários processos uns sobre os outros, de modo que é preciso ser um vidente de grande sabedoria e vasta experiência para dizer, com exatidão, em que etapa qualquer unidade da família humana possa estar. Aquele que é sábio sempre se abstém de afirmar alguma coisa até ter dela o conhecimento correto.

Vamos agora considerar

b. A construção, vitalização e atuação do pensamento-forma. Uma vez tenha o Ego conseguido uma condição de receptividade, ou de reconhecimento no cérebro físico do homem, e obtido dele a necessária resposta, começa então o processo de construção.

Este processo de resposta no plano físico está baseado - como tudo mais na natureza - na relação existente entre os opostos polares. Os centros físicos são receptivos à influência positiva dos centros de força. Nas etapas evolutivas iniciais, o cérebro físico responde à influência positiva da natureza inferior, ou seja, às reações da substância dos invólucros, a impressão dos Senhores lunares. Nas etapas posteriores, responde à influência positiva do Ego, ou à impressão do Senhor solar.

Como é evidente, este processo de construção divide-se em três partes, que se sobrepõem umas às outras, o que as faz assumir uma aparência de simultaneidade. Quando o processo é inconsciente (que é o caso da maioria da família humana) isto é, produzido por ação reflexa e largamente baseada na satisfação do desejo, tudo se processa com grande rapidez e conduz a rápidos resultados, que podem ser efetivos ou não, dependendo da habilidade do homem para vitalizar e, manter em forma coesa sua ideia. A maioria dos pensamentos-forma criados pelo homem comum é apenas relativamente efetiva, dentro de grandes limitações, e têm um restrito raio de ação.

Quando o homem está aprendendo conscientemente a criar - o que ele faz através da organização do pensamento, concentração e meditação - ele procede mais vagarosamente, porque há duas coisas básicas a realizar antes que o processo criativo possa ser levado a cabo:

a. Estabelecer contato ou comunicar-se com o Ego ou Anjo solar.
b. Estudar o processo de criação e adaptá-lo passo a passo à lei natural da evolução.

O que está dito acima nada mais é do que outra maneira de definir meditação e seu objetivo.

Mais tarde, quando um homem é um perito em meditação, o trabalho de criação do pensamento realiza-se com rapidez sempre crescente, até que ele ultrapassa - numa volta superior da espiral - a atividade do período inconsciente anterior.

Portanto, começando com o reconhecimento, pelo cérebro físico, do propósito egoico, o homem passa a construir a forma para a sua ideia. Começa primeiro a organizar o material requerido no plano mental. É neste plano que o impulso toma para si sua forma primária. No plano do desejo ou plano astral, tem lugar por mais tempo o processo de vitalização, pois a duração da vida de qualquer pensamento-forma depende da persistência e da força do desejo.

Nos níveis etéricos do plano físico, tem lugar o processo de concreção física; quando o veículo físico assume as necessárias proporções, o pensamento-forma separa-se daquele que lhe deu a forma. Qualquer ideia suficientemente forte, inevitavelmente se materializará, na matéria física densa, porém, o principal trabalho de seu criador cessa depois que ele trabalhou com ela nos níveis mental, astral e etérico. A resposta do físico denso é automática e inevitável. Algumas das grandes, importantes ideias que têm surgido na consciência dos Guias da raça, somente alcançam plena manifestação por meio de numerosos agentes, e dos dinâmicos impulsos de muitas mentes. Quando este é o caso, uns poucos trabalham conscientemente para produzir a forma necessária; muitos mais são levados à atividade e emprestam sua ajuda por meio da própria negatividade de sua natureza; são “forçados” a interessar-se mesmo que não queiram, e se “juntam ao movimento”, não através de qualquer apreensão mental ou “desejo vital”, mas porque é o que devem fazer. Podemos ver aqui um exemplo da habilidade dos Grandes Seres para lançar mão de condições de aparente inércia e negatividade (devido ao pequeno desenvolvimento) e conseguir bons resultados.

Aqui só trataremos do homem que está aprendendo conscientemente a construir, e não trataremos do processo seguido pelo adepto, ou das caóticas tentativas dos homens pouco evoluídos. Tendo captado a ideia, e discriminado cuidadosamente o motivo subjacente a ela, avaliando seus propósitos utilitários, e seu valor para o grupo a serviço da humanidade, o homem tem certas coisas a fazer que - para torná-las claras - podemos resumir como se segue:

Primeiro que tudo, o homem tem que reter a ideia por um período de tempo suficiente para que ela possa ser facilmente registrada no cérebro físico. Frequentemente o Ego, “enviará” ao cérebro um conceito, um detalhe do plano, mas terá que repetir o processo continuamente por um longo período antes que a resposta física seja de molde a assegurar ao Anjo solar ter sido ela inteligentemente captada e registrada. Será desnecessário dizer que o processo é grandemente facilitado quando a “sombra”, ou o homem, pratica a meditação regularmente, e se todos os dias e a cada hora cultiva o hábito de recordar-se do Eu superior, e antes de dormir esforça-se para “reter a ideia” de que ao despertar se lembrará o mais possível de qualquer impressão egoica que tenha recebido. Quando a reação entre os dois fatores, o Ego e o cérebro físico receptivo, está estabelecida, a interação torna-se recíproca, os dois entram em sintonia, e começa então a segunda etapa: a concepção da ideia.

Segue-se um período de gestação, dividido em várias etapas. O homem remove a ideia; pondera sobre ela pondo em atividade a matéria mental, atraindo para o seu pensamento germinal o material necessário para revesti-lo. Ele imagina o contorno do pensamento-forma, dá-lhe cor e junta-lhe detalhes. Vê-se aqui o imenso valor da verdadeira imaginação e seu uso científico ordenado. A imaginação é de origem kama-manásica, não é só desejo ou apenas mente; é um produto exclusivamente humano, sendo substituído pela intuição no homem aperfeiçoado, e nas Inteligências superiores da Natureza.

Quando a sua vontade, ou o impulso inicial é suficientemente forte, e quando a imaginação, ou o poder de visualização é adequadamente vívido, entra-se no período de gestação e tem início a vitalização pelo desejo. A interação do impulso mental e do desejo produz o que podemos chamar uma pulsação na forma organizadora da ideia, e adquire vida.

Embora se mostre ainda nebulosa e muito tênue, veem-se sinais de organização, e o contorno de sua forma. É preciso que os estudantes se lembrem que todo este processo está sendo realizado no cérebro, existindo assim uma definida correspondência com o trabalho dos nove Sephiroth:

Os três primeiros correspondem ao impulso egoico de que tratamos anteriormente.

O segundo grupo de Sephiroth tem sua analogia no trabalho empreendido na etapa correspondente a esta da qual estamos tratando, isto é, do impulso mente-desejo, emanando conscientemente do cérebro do homem.

O trabalho dos três últimos termina quando o pensamento-forma, tendo sido revestido de matéria mental e astral, passa à objetividade no plano físico.

Uma etapa posterior no período de gestação tem lugar, quando o pensamento-forma revestido de matéria mental e tendo sido vitalizado pelo desejo, toma para si uma camada de substância da matéria astral, o que consequentemente a torna capaz de funcionar tanto no plano astral, quanto no mental. Agora seu crescimento é rápido. É preciso ter em mente que o processo de construção na matéria mental prossegue simultaneamente, e que o desenvolvimento agora é duplo. Aqui, o construtor consciente precisa ter cuidado para manter o equilíbrio e não permitir que a imaginação assuma proporções indevidas. Os elementos manásico e kâmico precisam estar equitativamente proporcionados, pois caso contrário, teremos essa manifestação tão comum de uma ideia erroneamente concebida e alimentada, incapaz portanto de desempenhar o seu justo papel no plano evolutivo, sendo apenas uma grotesca distorção.

A ideia está agora chegando a uma etapa crítica, e precisa estar pronta para apropriar-se da matéria física e tomar para si mesmo uma forma etérica. Quando nos níveis etéricos, a ideia recebe aquele impulso final que a conduzirá ao que podemos qualificar como sua “atuação”, ou sua recepção daquele impulso motivador que a levará a dissociar-se do seu originador, e a assumir

1. Uma forma densa.
2. Uma existência separada.

É preciso lembrar que o pensamento-forma já deixou o plano mental, já se apropriou de um invólucro astral, e está também reunindo para si um corpo de matéria etérica. Quando esta etapa é alcançada, a vitalização acelera-se, e a hora de sua existência separada aproxima-se. Esta vitalização é conscientemente realizada pelo homem, o qual - de acordo com o intento original, ou impulso inicial - dirige algum tipo de energia para o pensamento-forma. Esta energia emana de um ou outro dos três centros superiores, de acordo com a qualidade da ideia corporificada e será vista fluindo desse determinado centro em direção à ideia que rapidamente se torna objetiva. É preciso não esquecer que estamos considerando o pensamento-forma de um construtor consciente. Os pensamentos-forma da maioria dos seres humanos não são energizados por fonte tão elevada; seu impulso ativador parte do plexo solar ou dos órgãos de procriação, que são ainda mais inferiores.

Esta constante corrente de energia emocional ou energia sexual é responsável pelas caóticas condições atuais, pois na interação entre as duas, o equilíbrio não é preservado, e consequentemente, as miríades de pensamentos-forma de ordem e vibração inferior são produzidas e estão criando uma condição tal que exigirá todos os esforços dos trabalhadores mentais para anular esses efeitos, contrabalançá-los e transmutá-los. Essas formas, que dificilmente merecem o prefixo “pensamento”, uma vez que são basicamente kâmicas com uma mistura de matéria mental de grau inferior, são responsáveis pelo pesado nevoeiro que envolve a família humana, e que produz grande parte do mal atual, da criminalidade e da letargia mental. Como sabemos, a grande maioria está polarizada no corpo astral, e os centros inferiores são os mais ativos; quando somamos a isto, uma atmosfera ou ambiente de pensamentos-forma de baixa vibração, e vitalizados pelas formas mais grosseiras de energia astral, torna-se evidente quão estupenda é a tarefa de erguer a humanidade para uma atmosfera melhor, mais clara e mais pura, e quão fácil é para os aspectos e apetites inferiores florescerem e crescerem.

À medida que a vitalização prossegue e a energia de um ou outro centro flui para o pensamento-forma, o construtor consciente começa a expandir esta influência visando afastá-la dele próprio para que ela execute sua missão, seja ela qual for, para torná-la ocultamente “radiante”, de modo que suas vibrações se façam sentir até se tornarem, por fim, magnéticas, para que algo no pensamento-forma obtenha resposta de outros pensamentos-forma ou das mentes com as quais ele possa entrar em contato.

Tendo alcançado esses três objetivos, a própria vida da forma é agora tão forte que pode seguir seu próprio pequeno ciclo de vida e executar seu trabalho, permanecendo somente ligada ao seu criador por um pequeno fio de substância radiante, correspondente ao sutratma. Todas as formas possuem um sutratma. Ele vincula os corpos do homem à Identidade interna, ou àquela corrente magnética que, emanando da verdadeira Identidade - o Logos Solar - estabelece a conexão entre o Criador do sistema solar com Seu grande pensamento-forma por uma corrente de energia emanando do Sol Espiritual Central para um ponto no centro do Sol físico.

Enquanto a atenção do criador de qualquer pensamento-forma, grande ou pequeno, estiver voltada para ele, esse elo magnético persiste, o pensamento-forma é vitalizado, e seu trabalho continua. Quando o trabalho está terminado, qualquer criador consciente ou inconscientemente volta sua atenção para outra coisa, e seu pensamento-forma se desintegra.

Encontramos aqui o significado ocultista de todos os processos envolvendo a visão. Enquanto o Criador não afasta Seu olhar daquilo que foi criado, Sua criação persistirá; porém, retire o Criador “a luz de Sua face” e seguir-se-á a morte dos pensamentos-formas, porque a vitalidade ou energia segue a linha do olho. Portanto, quando em meditação, o homem considera seu trabalho e constrói seus pensamentos-forma para servir, ocultamente ele está olhando e, consequentemente, energizando; ele está começando a usar o terceiro olho, em seu aspecto secundário. O terceiro olho, ou olho espiritual, tem várias funções. Entre outras, ele é o órgão da iluminação, o olho desvelado da alma, através do qual a luz e a iluminação penetram a mente, e assim toda a vida inferior é irradiada. É também o órgão através do qual flui a energia direcionadora que parte do adepto consciente e criador para os instrumentos de serviço, seus pensamentos-forma.

É claro que as pessoas pouco evoluídas não usam o terceiro olho para estimular seus pensamentos-forma. Na maioria dos casos, a energia usada origina-se no plexo solar, e trabalha em duas direções: via os órgãos de procriação ou através dos olhos físicos. Em muitas pessoas estes três pontos - os órgãos inferiores, e plexo solar, e os olhos físicos - formam um triângulo de força, ao redor do qual a corrente de energia flui antes de se dirigir ao pensamento-forma objetivado. Nos aspirantes, e no homem intelectual, o triângulo pode ser do plexo solar, para o centro da garganta, e daí para os olhos. Mais tarde, quando o aspirante cresce em conhecimento e pureza de motivo, o triângulo terá como ponto inferior o coração, em lugar do plexo solar, e o terceiro olho começará a realizar seu trabalho, embora ainda do modo muito imperfeito.

Enquanto o “Olho” estiver dirigido para a forma criada, a corrente de força lhe será transmitida, e quanto mais concentrado o homem se mantenha, mais centralizada e eficaz será esta energia. Grande parte da ineficácia das pessoas deve-se ao fato de que seus interesses não são centralizados; ao contrário, são muito difusos, e nada prende sua atenção. Dissipam sua energia na tentativa de satisfazer todo desejo que cruza seu caminho. Por isso, pensamento algum que essas pessoas pensam jamais assume uma forma apropriada, ou é jamais devidamente energizada. Em consequência, essas pessoas estão rodeadas por uma densa nuvem de pensamentos-forma semiformados em desintegração, e nuvens de matéria parcialmente energizada em processo de dissolução. Isto produz, ocultamente, uma condição similar à decomposição de uma forma física, sendo igualmente desagradável e enfermiço. Responde em grande parte pelas condições doentias da família humana na atualidade.

Uma das razões da ineficácia na criação do pensamento-forma é que as leis do pensamento não são ensinadas, e que os homens não sabem como criar - por meio da meditação - esses filhos de sua atividade para levar a cabo seu trabalho. No plano físico, obtemos resultados mais rapidamente, por intermédio da criação mental científica que emprega diretamente os meios do plano físico. Isto está sendo melhor compreendido, porém até que a raça alcance um ponto maior de pureza e altruísmo, será impossível darmos explicações mais detalhadas.

Uma outra razão para a ineficácia das criações mentais é que as correntes que emanam da maioria das pessoas são de ordem tão inferior que os pensamentos-forma jamais alcançam o ponto de ação independente, exceto por meio do trabalho grupal acumulativo. Até que a matéria dos três subplanos superiores dos planos astral e físico encontre seu lugar no pensamento-forma, este terá que ser energizado principalmente pela energia da massa, do povo. Quando a substância superior começar a entrar na composição da forma, então nós a veremos atuando de modo independente, uma vez que o Ego individual do homem em questão pode começar a trabalhar através da matéria - algo antes impossível. O Ego não pode trabalhar livremente na personalidade até que, em seus corpos, se encontre matéria do terceiro subplano; também aqui se aplica a analogia.

Uma vez que o pensamento-forma tenha sido vitalizado e sua forma etérica completada ou “selada”, como é chamada, ele pode adquirir a forma física densa, se assim desejar. Isto não significa que os pensamentos-forma de todos os homens tomem substância densa no etérico, mas sim que eles eventualmente se converterão em uma atividade no plano físico. Um homem, por exemplo, está tendo um pensamento bondoso; ele o constrói e o vitaliza e, para o clarividente que se encontra próximo ao homem, esse pensamento existe em matéria etérica e é algo objetivo, que portanto encontrará expressão seja por um ato de bondade ou uma carícia física. Realizado o ato, ou consumada a carícia, o interesse do homem por essa forma mental particular desaparece e, por conseguinte, a forma morre. O mesmo ocorre com um crime - o pensamento-forma foi construído e inevitavelmente encontrará sua expressão física em alguma ação positiva ou negativa. Qualquer tipo de ação é o resultado:

a. De pensamentos-forma construídos consciente ou inconscientemente.

b. De pensamentos-forma auto iniciados ou o efeito dos pensamentos-forma de outras pessoas.

c. De resposta aos próprios impulsos internos, ou resposta aos impulsos de outras pessoas e, portanto, resposta a pensamentos-forma grupais.

Torna-se evidente a importância desta matéria, e a necessidade de perceber até que ponto homens e mulheres são influenciados pelos seus próprios pensamentos, assim como pelas criações mentais dos demais seres humanos.

c. O significado oculto da fala. Já o Antigo Testamento dizia: “Na multidão de palavras não falta transgressão (ou pecado), mas aquele que modera os seus lábios é prudente” (90). Ainda na torrente de palavras nesta etapa da evolução humana, muitas são proferidas sem qualquer propósito, ou por motivos que, quando analisados, mostram-se baseados exclusivamente na personalidade. Quanto maior é o progresso feito ao longo do caminho de aproximação aos mistérios, maior é o cuidado que o aspirante precisa ter, e isto devido a três razões:

Primeiro; devido à sua etapa na evolução, suas palavras têm um poder de execução que o surpreenderiam, caso ele possuísse a visão mental. Ele constrói com maior exatidão do que o homem comum; consequentemente seu pensamento-forma é mais fortemente vitalizado, e realiza com maior precisão a função para a qual foi enviado pelo “Som”, ou fala.

Segundo: qualquer palavra falada, e consequentemente, qualquer pensamento-forma construído (exceto no Caminho superior, e não baseado em impulsos da personalidade) pode erguer uma barreira de matéria mental entre o homem e sua meta. Esta matéria de separação terá de ser dissipada, ou seja, eliminada, antes que novo avanço possa ser alcançado. Este processo é cármico e inevitável.

Terceiro: a fala é essencialmente um meio de comunicação nos níveis físicos; nos níveis mais sutis, onde se encontra o trabalhador, e nas comunicações com seus companheiros de trabalho e colaboradores escolhidos, a fala terá um papel cada vez menor. O intercâmbio entre aspirantes e discípulos será caracterizado pela percepção intuitiva e a interação telepática, e quando isto for acompanhado de confiança plena, capacidade de partilhar e compreender o estado de espírito dos outros, e esforço unido para realizar o plano, teremos então uma formação onde o Mestre pode trabalhar, e através da qual Ele pode derramar Sua força. O Mestre trabalha através de grupos grandes ou pequenos, e o trabalho Lhes é facilitado se a interação entre as unidades do grupo for firme e ininterrupta. Uma das mais frequentes causas de dificuldade no trabalho grupal, e consequente suspensão do fluxo de força do Mestre temporariamente, baseia-se no impróprio uso da fala, que é o responsável por um bloqueio temporário no canal do plano mental.

Menciono estes três fatores porque a questão do trabalho grupal é de vital importância e muito se espera dele nestes dias. Se em qualquer organização no plano físico, os Mestres conseguirem formar um núcleo, mesmo que seja de três pessoas que interajam mutuamente (escolho esta palavra deliberadamente) e que desinteressadamente sigam o caminho do serviço, Eles poderão conseguir resultados mais definidos, num espaço de tempo mais curto, de que é possível com um numeroso e ativo grupo de pessoas que, embora possam ser sinceras e diligentes, desconhecem o significado do que seja contar com o outro, e cooperar uns com os outros, além de esquecer de manter a guarda no portão da fala.

Se um homem consegue compreender o significado da fala; se ele aprende como falar e quando falar; se aprende o que lucra com a fala, e o que acontece quando fala, ele já terá percorrido grande parte do caminho da conquista de sua meta. A pessoa que regula sua fala corretamente será aquela que fará o maior progresso, e este fato foi sempre reconhecido por todos os líderes dos movimentos ocultistas. A mais esotérica das ordens, a de Pitágoras em Crotona, e muitas outras escolas esotéricas na Europa e na Ásia, tinham como regra não permitir a neófitos e probacionários, depois de seu ingresso, falar durante dois anos, e só depois desse período lhes era dado o direito de falar, uma vez que haviam aprendido a se manterem reticentes.

Seria valioso aqui se os estudantes compreendessem que todo bom orador está realizando um dos mais ocultos trabalhos. Um bom conferencista, por exemplo, é alguém que está realizando um trabalho análogo, em pequena escala, àquele feito pelo Logos solar. O que fez o Logos? Ele pensou, Ele construiu, Ele vitalizou. Um conferencista, por sua vez, separa, isola, o material com o qual ele vai construir sua conferência, a qual ele irá vitalizar. Da matéria do pensamento do mundo ele extrai a substância que ele, individualmente, procura usar. A seguir, ele copia o trabalho do segundo Logos, dando forma inteligente a essa substância. Ele constrói a forma, e então, quando ela está construída, ele termina desempenhando a parte da primeira Pessoa da Trindade, introduzindo nela seu Espírito, vitalidade e força, de modo a torná-la uma manifestação viva e vibrante. Quando um conferencista ou orador de qualquer gênero pode realizar isso, ele sempre prende a atenção de seus ouvintes, os quais sempre aprenderão com ele; eles reconhecerão aquilo que o pensamento-forma estava destinado a transmitir.

Na vida diária, o estudante faz exatamente o mesmo ao falar, mas o problema surge, porque na sua fala ele constrói algo sem valor e o vitaliza com o tipo errôneo de energia, e a forma em vez de ser vital, construtiva e útil, torna-se uma força destrutiva no mundo. Se estudarmos as várias cosmologias do mundo, veremos que o processo de criação foi realizado por meio do som, palavra ou Verbo. Na Bíblia Cristã encontramos, “No princípio era o Verbo, e o Verbo era Deus. Todas as coisas foram feitas por Ele, e sem Ele nada do que foi feito se fez.” (91) Assim, de acordo com o ensinamento cristão, os mundos foram feitos pelo Verbo de Deus.

Nas Escrituras Hindus, encontramos que o Senhor Vishnu, Que representa a segunda Pessoa da Trindade, é chamado “A Voz.” Ele é o grande Cantor Que construiu os mundos e o universo por meio de Sua canção. Ele é o Revelador do pensamento de Deus Que construiu o universo de sistemas solares. Assim como os cristãos falam da grande Palavra, o Verbo de Deus, o Cristo, assim também os hindus falam de Vishnu, o grande Cantor, que cria por meio de Seu cantar.

No plano físico de manifestação, nós somos conhecidos por nosso modo de falar; somos conhecidos pelas coisas que dizemos e pelas coisas que omitimos e assim, somos julgados pela qualidade de nossa conversação. Nós julgamos as pessoas por aquilo que elas dizem, porque suas palavras revelam o tipo de matéria mental com que elas trabalham e a qualidade da energia ou vida que está por trás de suas palavras. Para os vários Logoi solares das vastas constelações que podemos observar quando perscrutamos os céus estrelados, a qualidade do Logos do nosso sistema solar é vista por meio do grande pensamento-forma que Ele construiu pelo poder de Sua Palavra, e que está energizado por Sua particular qualidade do amor. Quando Deus fala, os mundos são criados, e neste tempo presente, Ele continua somente nesse processo. Ele ainda não concluiu o que tem a dizer, e por isso a atual aparente imperfeição. Quando estiver terminada essa grande frase ou sentença divina que ocupa Seu pensamento, teremos um sistema solar perfeito, habitado por existências perfeitas.

Pela palavra, um pensamento é evocado e tornado presente; é extraído da abstração e de uma condição nebulosa, e materializado no plano físico, produzindo assim (se tivermos olhos de ver) algo bastante definido nos níveis etéricos. A manifestação objetiva é produzida, porque “As coisas são aquilo que a Palavra as torna ao lhes dar nomes." A linguagem é literalmente uma grande força mágica, e os adeptos ou magos brancos, pelo conhecimento das forças e do poder do silêncio e da fala, podem produzir efeitos no plano físico. Como bem sabemos, há um ramo de trabalho mágico que consiste na utilização deste conhecimento na forma de Palavras de Poder e de mantras, e fórmulas que põem em movimento as energias ocultas da natureza, e convocam os devas a realizar seu trabalho.

A fala é uma das chaves que abre as portas de comunicação entre os homens e os seres mais sutis. Permite descobrir aquelas entidades que podemos contatar do outro lado do véu. Porém, somente aquele que aprendeu a manter o silêncio e alcançou o conhecimento de quando falar, pode atravessar o véu e estabelecer certos contatos esotéricos. Na Doutrina Secreta, dizem-nos que a magia consiste em dirigirmo-nos aos Deuses em Sua própria língua, portanto, a língua do homem comum não consegue alcançá-Los.

Assim sendo, aqueles que buscam aprender a linguagem oculta, os que anseiam tornar-se conhecedores das palavras que penetrarão os ouvidos daqueles que se encontram do outro lado, e aqueles que procuram utilizar-se de fórmulas e frases que lhes darão poder sobre os Construtores, terão que esquecer o seu antigo uso das palavras e seu modo de falar. Então a nova linguagem será deles, e as novas expressões, palavras, mantrams e fórmulas lhes serão confiadas.

As leis da linguagem são as leis da matéria, e os estudantes podem aplicar as leis que governam a substância do plano físico para o uso das palavras, pois isso diz respeito à manipulação da matéria em outros níveis. A fala é o grande meio pelo qual tornamos aparente a natureza do pequeno sistema que estamos construindo - aquele sistema em que cada unidade humana constitui o sol central, pois, segundo a Lei de Atração, ele atrai para si aquilo que necessita.

2. A Natureza da Magia. (92)

Nós dedicamos um longo tempo à construção dos pensamentos- forma, e vimos que o processo seguido pelo homem é análogo àquele seguido pelo tríplice Logos na criação do sistema solar. Vamos agora tratar daquele departamento no ocultismo geralmente denominado magia. O homem que dominar o significado esotérico do que for exposto aqui, tomará seu lugar nas fileiras daqueles que se intitulam os “Irmãos da Magia Branca.” O assunto é imensamente vasto, pois abrange todos os setores do esforço no campo da construção material, porém nós só podemos abordá-lo brevemente.

Primeiramente vamos tratar da atitude mental do homem que se vê diante do trabalho de criação, e de sua habilidade para, por meio do corpo mental, captar o propósito do Ego e assim poder impressionar os agentes construtores do plano mental com um determinado ritmo e uma certa atividade vibratória. Este é o fator primordial que resulta na atividade egoica direta no plano físico. É preciso levar em consideração que não estamos tratando aqui da atuação do homem comum, mas sim do trabalho criador, organizado de acordo com as leis e as regras, do homem evoluído. Estamos assim estabelecendo um padrão e dando ênfase ao ideal pelo qual os estudantes ocultistas devem esforçar-se.

Precisamos, também, considerar o trabalho que o estudante inteligente de magia realiza no plano astral, onde, através do desejo purificado e da emoção santificada, ele fornece aquelas condições equilibradas e vibrações estáveis que permitirão a transmissão, sem impedimentos, para o plano físico, através do cérebro do homem, da atividade vibratória que emana do Ego, e da ação circulatória da força superior. Por essa razão, (se é que podemos incluir um conselho prático para o estudante comum) o cultivo da tranquilidade emocional é um dos primeiros passos para alcançar o necessário equipamento do mago branco. Esta tranquilidade não é alcançada por um esforço da vontade tentando reprimir toda a atividade vibratória astral, mas sim cultivando a capacidade de responder ao Ego e evitando, ou negando-se a responder às inatas vibrações do próprio envoltório astral.

Trataremos agora do trabalho da transmissão de força no plano físico via os centros etéricos e o cérebro físico, estudando alguma coisa sobre o efeito do som ao ser emitido inconscientemente na fala diária, e conscientemente nas ordenadas e reguladas palavras do verdadeiro trabalhador na magia. (93)

Portanto, devido ao valor prático e vital desta seção, e aos perigos a que estão expostos aqueles que poderão compreender estes assuntos, muito embora ainda não estejam preparados para manipular conscientemente a força, vamos apresentar o ensinamento necessário sob a fórmula de “Regras de Magia”, com alguns comentários esclarecedores. Deste modo, o trabalho mágico fica resguardado, e ao mesmo tempo serão dadas informações suficientes para aqueles que possuem o ouvido interno atento, e o olho de sabedoria em processo de abrir-se.

a. Magos Negros e Brancos. Muito se fala entre os estudantes de ocultismo nestes dias sobre magia branca e negra, (94) e muito do que é dito não tem valor ou veracidade. Já foi dito - e com exatidão - que entre os dois tipos de trabalhadores, a linha de demarcação é tão tênue a ponto de dificilmente ser reconhecida por aqueles que ainda não merecem o nome de “conhecedores.”

A distinção entre os dois existe, tanto no motivo quanto no método, e pode ser assim resumida:

O mago branco tem como motivo o benefício do grupo para o qual devota energia e tempo. O mago do caminho da mão esquerda trabalha sempre sozinho, ou se por acaso vier a cooperar com outros, será por um propósito escuso e egoísta. O expoente da magia branca interessa-se pelo trabalho construtivo que se esforça para cooperar com os planos hierárquicos, e levar adiante os desejos do Logos planetário. O Irmão das Trevas ocupa-se com aquilo que está fora dos planos da Hierarquia, e igualmente fora do propósito do Senhor do Raio planetário.

Como já dissemos anteriormente, o mago branco trabalha inteiramente por meio dos Devas Construtores maiores, e por meio do som e dos números, funde o trabalho desses Devas, influenciando assim os Construtores menores que constituem a substância de seus corpos, portanto de tudo que existe. Ele trabalha através dos centros grupais e pontos vitais de energia, e deles produz, na substância, os resultados desejados. O irmão negro trabalha diretamente com a própria substância, e com os construtores menores; ele não coopera com as forças que emanam dos níveis egoicos. As tropas menores do “Exército da Voz” são seus servidores, e não as Inteligências diretoras nos três mundos, e ele portanto trabalha principalmente nos planos físico e astral, somente em raras ocasiões trabalhando com forças mentais, e somente em alguns casos especiais, ocultos no carma cósmico, encontramos um mago negro trabalhando em níveis mentais superiores. Todavia, os casos que podem ser ali observados são as principais causas de toda a manifestação de magia negra.

O Irmão da Luz trabalha sempre por meio da força inerente do segundo aspecto sempre que esteja atuando em conexão com os três planos inferiores. Depois da terceira Iniciação, ele trabalha cada vez mais com a energia espiritual, ou com a força do primeiro aspecto. Ele impressiona as substâncias inferiores, e manipula as vidas construtoras menores com a vibração do amor e a atração coesiva do Filho, e através da sabedoria as formas são construídas. Ele aprende a trabalhar a partir do coração, e portanto, a manipular aquela energia que emana do “Coração do Sol”, até que (quando ele se tornar um Buddha) ele possa ministrar um pouco da força que emana do “Sol Espiritual.” Portanto, o centro do coração no Irmão do caminho da mão direita é o agente transmissor da força construtora, e o triângulo por ele usado neste trabalho é:

a. O centro na cabeça que corresponde ao coração.
b. O próprio centro do coração.
c. O centro laríngeo.

Os Irmãos do caminho da mão esquerda trabalham inteiramente com as forças do terceiro aspecto, e é isto que, aparentemente, lhes dá tanto poder, uma vez que o segundo aspecto está ainda em processo de alcançar sua consumação vibratória, enquanto que o terceiro aspecto está no auge de sua atividade vibratória, já que ele é o produto dos processos evolutivos do principal sistema solar anterior. Trabalham quase que inteiramente a partir do centro laríngeo, e manipulam primordialmente as forças do sol físico. Esta é a razão porque atingem muitos dos seus fins pelo método da estimulação prânica, ou pela desvitalização prânica, e também porque a maioria de seus efeitos são produzidos no plano físico. Trabalham, portanto, através do:

a. Centro na cabeça que corresponde ao centro laríngeo.
b. Centro laríngeo.
c. Centro na base da coluna vertebral.

O mago branco trabalha sempre em cooperação com os demais, estando ele próprio sob a direção de certos Chefes de grupos. Por exemplo, os Irmãos da Loja Branca trabalham sob a direção de três grandes Senhores, de conformidade com os planos estabelecidos, subordinando seus propósitos e ideias individuais ao grande esquema geral. O mago negro geralmente trabalha de modo intensamente individualista, realizando seus projetos sozinho ou ajudado por subordinados. De modo geral, ele não tolera uma autoridade superior, porém, é frequentemente vitima de agentes de níveis superiores do mal cósmico, que o usam assim como ele usa seus cooperadores inferiores, ou seja, ele trabalha (no que tange ao propósito maior) às cegas e inconscientemente.

Como bem sabemos, o mago branco trabalha com o aspecto evolutivo, isto é, em conexão com o Caminho de Retorno. O irmão negro ocupa-se com as forças da involução, ou o Caminho de Ida. Constituem a grande força equilibradora na evolução, e embora um se ocupe com o lado material da manifestação e o Irmão da Luz se ocupe com o aspecto alma ou consciência, ambos em seu trabalho, sob a grande lei da evolução, contribuem para o propósito geral do Logos solar, embora (e isto tem um tremendo significado ocultista para o estudante iluminado) não para o propósito individual do Logos planetário.

Finalmente, podemos dizer brevemente em conexão às diferenças entre os magos, que o mago da Boa Lei trabalha com a alma das coisas. Seus irmãos das trevas trabalham com o aspecto material.

O mago branco trabalha através dos centros de força, no primeiro e quarto subplanos de cada plano. O mago negro trabalha através dos átomos permanentes, e com a substância e as formas. O mago branco utiliza no seu trabalho os três centros superiores; o mago negro usa a energia dos três centros inferiores (os órgãos de procriação, o baço e o plexo solar) sintetizando suas energias, por um ato da vontade, e dirigindo-a para o centro na base da coluna vertebral, e assim essa quádrupla energia é então transmitida ao centro laríngeo.

O mago branco usa a força kundalini à medida que ela é transmitida pelo canal central da coluna vertebral. O mago negro usa os canais inferiores, dividindo a energia quádrupla em duas unidades que ascendem pelos dois canais, deixando adormecido o canal central. Torna-se aqui evidente que um trabalha com a dualidade e o outro com a unidade. Nos planos da dualidade, é evidente porque o mago negro tem tanto poder. Para a humanidade, o plano da unidade é o plano mental, enquanto que os planos da diversidade são o astral e o físico. É por essa razão que o mago negro aparenta ter maior poder do que o irmão branco, nos dois planos inferiores dos três mundos. O irmão branco trabalha dirigido pela Hierarquia, ou pelo grande Rei, realizando Seus propósitos planetários. O irmão negro trabalha dirigido por certas Entidades separadas, as quais ele desconhece, e que estão vinculadas às forças da própria matéria. Muito mais poderíamos dizer, mas o que já foi apresentado atende aos nossos propósitos.

b. A Fonte da Magia Negra. Ao tocar neste ponto, estamos invadindo o reino do mistério e os domínios do inexplicável. Contudo, podemos mencionar certos fatos que, com alguma reflexão, poderão trazer algum esclarecimento a este sombrio tema.

Primeiro. É preciso lembrar que o tema do mal planetário (e os estudantes devem distinguir cuidadosamente entre mal planetário e mal cósmico) encontra-se oculto nos ciclos da vida individual e na história do Grande Ser que é o Logos planetário da Terra. Portanto, até que um homem tenha recebido certas iniciações, e assim adquirido uma certa medida de consciência planetária, é inútil que ele tente especular sobre a história desse Grande Ser. H. P. B. na Doutrina Secreta (95) fala dos “Deuses imperfeitos”, e nessas palavras reside a chave para o mal planetário.

Segundo. Em poucas palavras, e no que diz respeito à nossa humanidade, as expressões mal planetário e mal cósmico podem ser assim interpretadas:

O mal planetário surge de certas relações existentes entre nosso Logos planetário e um outro Logos planetário. Quando esta condição de oposição polar for ajustada, o mal planetário então cessará. O ajustamento será efetuado através da mediação (ocultamente compreendida) de um terceiro Logos planetário. Os três eventualmente formarão um triângulo equilátero, e então o mal planetário terminará. Seguir-se-á a livre circulação, o obscurecimento planetário tornar-se-á possível, e os “Deuses imperfeitos” alcançarão uma relativa perfeição. Assim, o carma do manvantara, ou ciclo secundário, será ajustado e grande parte do mal cármico planetário será saldado. O que foi dito acima deve ser interpretado no seu sentido esotérico e não exotérico.

Sob o ponto de vista do nosso planeta, o mal cósmico consiste na relação entre aquela Unidade espiritual inteligente, ou o “Rishi da Constelação Superior”, como Ele é chamado (que é a Vida que anima uma das sete estrelas da Ursa Maior, e nosso protótipo planetário) e uma das forças das Plêiades. (96) Os estudantes devem lembrar que as “sete irmãs” são ocultamente chamadas as “sete esposas” dos Rishis, e que as forças duais (resultantes desses relacionamentos) convergem e atuam através de um dos Logoi planetários, que é o Logos de qualquer determinado planeta, e o “reflexo” de qualquer Rishi específico. Nesta relação, à qual falta presentemente um perfeito ajustamento, jaz oculto o mistério do mal cósmico, à medida que ele se faz sentir em qualquer esquema planetário em particular. Quando o triângulo celestial estiver devidamente equilibrado, e a força circular livremente entre

a. Uma das estrelas da Ursa Maior.
b. A Plêiade envolvida.
c. O esquema planetário envolvido,

então o mal cósmico será invalidado, e alcançada uma relativa perfeição. Isto marcará a conquista da perfeição primitiva e a consumação do ciclo maior.

O mal cíclico, ou mal terciário, encontra-se oculto na relação entre os globos de qualquer esquema em particular, estando dois deles sempre em oposição, até que sejam equilibrados pela força emanando de um terceiro. A significância deste ensinamento somente será apreendida quando forem estudados os pares de opostos em seus próprios ciclos, e o trabalho equilibrador do Ego.

Um quarto tipo de mal surge dos males já mencionados, encontrando sua principal expressão nos sofrimentos e inquietações do quarto reino da natureza, o reino humano, o qual encontrará solução de dois modos: pelo equilíbrio das forças dos três reinos (o espiritual, ou quinto reino, o humano e o animal) e segundo, pela anulação do poder atrativo dos três reinos inferiores (o mineral, o vegetal e o animal, que formam assim uma unidade) pelo reino espiritual, utilizando o quarto reino, ou humano. Em todos estes casos, são formados triângulos de força, os quais, quando equilibrados, obtêm o fim desejado.

Diz-se que a magia negra apareceu no nosso planeta durante a quarta raça-raiz. (97) É preciso lembrar que isto se refere estritamente ao quarto reino e ao seu uso consciente por indivíduos impropriamente desenvolvidos. As forças do mal planetárias e cósmicas têm existido desde o começo da manifestação, estando latentes no carma do Logos planetário; porém, os seres humanos começaram conscientemente a trabalhar com elas e a utilizá-las para fins egoístas específicos, durante a quarta raça-raiz.

Os magos negros trabalham sob a direção de seis grandes Entidades, as quais, segundo a Bíblia cristã, têm o número 666. (98) Vieram elas (sendo cósmicas, não sistêmicas) naquela corrente de força emanando dos níveis mentais cósmicos que produziram os três mundos do esforço humano. Os estudantes devem lembrar-se do fato de que os três planos inferiores do nosso sistema solar não são considerados como um princípio cósmico, uma vez que eles formam o corpo físico denso do Logos, e o corpo físico denso não é considerado um princípio. A expressão “sem princípios” tem um significado oculto. Essas entidades constituem a soma total da substância dos três subplanos inferiores do plano físico cósmico (nossos três planos inferiores sistêmicos) e os magos negros, regidos por elas, são levados à atividade, com frequência de modo inconsciente, mas adquirindo poder à medida que trabalham conscientemente. (99)

Nas etapas iniciais do desenvolvimento humano, todos os homens são magos negros inconscientes, porém não são “condenados” por isso. À medida que a evolução prossegue, eles passam a ser regidos pela força do segundo aspecto, à qual a maioria responde, escapando das armadilhas dos magos negros, ficando assim sob a força de um número diferente. Os poucos que não conseguem realizar isso neste manvantara são os “fracassados” que têm que continuar a luta em uma data posterior. Um pequeníssimo número determinadamente recusam-se a “seguir adiante”, e tornam-se os verdadeiros “magos negros”. Para esses, o fim é sempre o mesmo, primeiro, o Ego separa-se da Mônada, acarretando uma espera de muitos aeons até que surja um novo sistema solar. No caso dos “fracassados”, o Ego separa-se da personalidade, ou eu inferior, acarretando um recuo por um período menor, mas ainda havendo oportunidade dentro do sistema. Segundo, um ciclo de uma existência praticando o mal sem limites, e na dependência da vitalidade do corpo egoico separado e sua persistência inata. Estas são as “almas perdidas” mencionadas na Doutrina Secreta. (1) Se os estudantes atentarem para estas condições, e ampliarem o mesmo conceito a um sistema solar anterior e mais maduro, obterão alguma luz sobre o problema da origem do mal neste sistema solar.

c. Condições para a Magia Branca. Ao considerar os fatores que requerem ajustes antes de empreendermos o trabalho de magia, vamos tratar de algo que é de valor eminentemente prático. A menos que os estudantes de magia iniciem esta busca fortificados por um motivo puro, corpos limpos e elevada aspiração, eles estão fadados ao desapontamento e até mesmo ao desastre. Todos aqueles que procuram trabalhar conscientemente com as forças de manifestação, e que se esforçam para controlar as Energias de tudo aquilo que é visto, necessitam da forte proteção da pureza. Este é um ponto nunca suficientemente enfatizado e daí as constantes injunções para que os homens mantenham o autocontrole, compreendam a natureza dos seus semelhantes e se devotem à causa da humanidade. Há três razões que tornam perigosa a investigação da magia.

Se os corpos de um homem não estão suficientemente purificados, e por isso sua vibração atômica não é suficientemente elevada, ele corre o risco de superestimulação ao entrar em contato com as forças da natureza, e isto inevitavelmente acarreta a destruição e desintegração de um ou outro de seus corpos. Ocasionalmente, provoca a destruição de dois ou mais, e quando este é o caso, provoca um definido atraso no desenvolvimento egoico, pois nesses casos são necessários intervalos muito mais longos entre as encarnações, devido à dificuldade de reunir os materiais necessários nos envoltórios.

Além disso, a menos que ele esteja fortalecido pelo motivo correto, ele corre o risco de extraviar-se do caminho pela aquisição do poder. O conhecimento das leis da magia põe nas mãos do estudante poderes que lhe permitem criar, adquirir, e controlar. Tais poderes vêm acompanhados de ameaças para aqueles que não estão ainda preparados para usar tais poderes, pois neste caso, o estudante pode aplicá-los para fins egoístas, usando-os para seu próprio progresso temporal e material, e adquirir deste modo aquilo que alimentará os desejos da natureza inferior. Ele dá então o primeiro passo em direção ao caminho da mão esquerda, e cada vida o verá avançando com maior presteza nessa direção, até que, quase inconscientemente, ele se encontrará engrossando as fileiras dos mestres negros. Tal estado de coisas só poderá ser contrabalançado pelo cultivo do altruísmo, amor sincero pelos semelhantes, e uma contínua negação a todos os desejos inferiores.

O terceiro perigo que ameaça o desavisado estudante de magia, reside no fato de que, quando ele mexe com essas forças e energias, ele está lidando com aquilo que é afim com sua própria natureza inferior, e ele, portanto, segue a linha de menor resistência; ele aumenta essas energias, aumentando assim sua resposta ao inferior e aos aspectos materiais de sua natureza. Isto ele faz às expensas de sua natureza superior, retardando-lhe o progresso. Incidentalmente, também, atrai a atenção daqueles mestres do caminho da mão esquerda que estão sempre à espreita daqueles que podem ser dobrados aos seus propósitos, e ele torna-se (inadvertidamente, a princípio) um agente do mal.

Ficará claro, pois, que o estudante necessitará das seguintes qualidades antes que ele se proponha a empreender a árdua tarefa de tornar-se um consciente Mestre de Magia:

Pureza Física. Isto é algo que não se adquire facilmente, uma vez que exige muitas vidas de árduo esforço. Por meio da abstinência, reta continência, vida pura, dieta vegetariana, e rígido autocontrole, o homem gradualmente eleva a vibração de seus átomos físicos, constrói um corpo de força e resistência cada vez maior, e consegue “manifestar” um envoltório de maior refinamento.

Liberdade Etérica. Este termo não expressa tudo que quero dizer, mas servirá, na falta de um melhor. O estudante de magia que possa com segurança realizá-lo terá construído um corpo etérico de tal natureza que a vitalidade ou força prânica e energia podem circular sem impedimentos; ele terá formado uma teia etérica tão tênue que não constituirá barreira à consciência. Isto é tudo que pode ser dito sobre o assunto, dado o perigo envolvido, mas é o bastante para a informação daqueles que estão começando a conhecer.

Estabilidade Astral. O estudante de magia visa, acima de tudo, purificar seus desejos, e assim transmutar suas emoções de modo que a pureza da natureza física inferior e a resposta e o poder de transmutação superiores estejam igualmente disponíveis. Todo mago tem de aprender o fato de que, neste sistema solar, durante o ciclo da humanidade, o corpo astral é o pivô do esforço, tendo um efeito reflexo em ambos os outros dois corpos, o físico e o mental. Ele, portanto, visa transmutar, como frequentemente se diz, o desejo inferior em aspiração; em mudar as cores mais grosseiras que distinguem o corpo astral do homem comum, nos tons mais claros e puros do homem espiritual, e de transformar sua normal vibração caótica, e o “tempestuoso mar da vida” na firme e rítmica resposta a tudo que é superior e o centro da paz. Estas são coisas que ele realiza por meio de constante vigilância, incessante controle e firme meditação.

Equilíbrio Mental. Estas palavras estão usadas no sentido ocultista, em que a mente (tal como se entende comumente) se torna o aguçado e firme instrumento do pensador interno, e o ponto a partir do qual ele pode dirigir-se para reinos mais elevados de compreensão. É a pedra fundamental a partir da qual pode-se iniciar a expansão superior.

Que nenhum estudante, ou pseudo estudante de magia, prossiga em suas investigações e experimentos até que tenha cumprido todas estas injunções, e até que toda a direção de seu pensamento esteja voltada para a manifestação e demonstração delas em sua vida diária. Quando ele tiver assim trabalhado sem descanso, e sua vida no plano físico e serviço derem testemunhos dessa transmutação interna, então ele poderá começar a acompanhar essa vida com os estudos e trabalho de magia. Somente o Anjo solar pode realizar o trabalho do mago branco, o qual ele efetua através do controle dos anjos lunares e sua completa subjugação. Eles estão alinhados contra Ele até que, através da meditação e aspiração, Ele os dobra à Sua vontade e eles tornam-se Seus servidores.

Este pensamento nos traz à vital e real distinção entre o irmão branco e o irmão negro, e com este resumo, concluímos esta discussão e prosseguiremos com as regras. O trabalhador na magia branca utiliza sempre a energia do Anjo solar para atingir seus fins. O irmão da obscuridade trabalha através da força inata dos senhores lunares cuja natureza é aliada a tudo que é objetivo. Num antigo livro de magia, oculto nas cavernas do saber guardadas pelos Mestres, encontramos as seguintes conclusivas palavras que encontram seu lugar neste Tratado sobre o Fogo devido à sua propriedade:

“Os Irmãos do Sol, por meio da força do fogo solar, atiçam a chama na ardente abóbada do segundo Céu, apagam os fogos lunares inferiores, e reduzem a nada aquele inferior ‘fogo por fricção.’

“O Irmão da Lua ignora o sol e o calor solar; toma emprestado seu fogo de tudo que é triplo, e prossegue em seu ciclo. Os fogos do inferno aguardam, e o fogo lunar se extingue. Então nem o sol nem a lua lhe são de serventia, somente o mais alto céu aguarda a chispa elétrica, buscando a vibração sincrônica daquele que se encontra embaixo. E que, contudo, não vem."

3. Quinze Regras para a Magia

Estas regras são necessariamente de natureza esotérica, e o estudante precisará lembrar-se que, embora a terminologia usada sempre traga a revelação àqueles que possuem a chave, ela tende a deixar perplexo o estudante que ainda não está preparado para a verdade. Quero também lembrar que, tudo que aqui for dito, refere-se à “magia branca”, e é dado sob o ponto de vista do Anjo solar, e do Fogo solar. Tendo em mente esses dois pontos, o estudante encontrará nestas regras muitos dados que oportunamente lhe trarão iluminação interna. Vamos dividi-los em três grupos de aforismos ou frases ocultistas; o primeiro grupo ocupa-se com o trabalho do mago no plano mental, com sua manipulação da energia solar, e sua habilidade para atrair os Construtores a cooperarem com seus propósitos.

O segundo grupo levará o trabalho para o plano do desejo, e da vitalização, e trará informação quanto ao balanceamento dos pares de opostos e seu equilíbrio, para que sua eventual manifestação se torne possível.

O terceiro grupo de regras tratará do plano físico, com a transmissão de força:

a. através dos centros,
b. através do cérebro, e
c. através do próprio plano físico.

a. Seis Regras para o Plano Mental.

Certas leis da fala serão dadas, e o significado da cor e do som aparecerão sob a forma exotérica do fraseado para aqueles que possuam suficiente percepção.

REGRA I. O Anjo Solar se recolhe, não dissipa sua força, mas em profunda meditação, comunica-se com seu reflexo.

O significado desta regra é facilmente percebido. O mago branco é sempre aquele que, por meio do consciente alinhamento com seu Ego, com seu “Anjo”, é receptivo aos seus planos e propósitos, e portanto capaz de receber a impressão superior. Precisamos lembrar que enquanto o mago branco trabalha de cima para baixo, e é o resultado da vibração solar, e não dos impulsos ardentes emanando de um ou outro dos Pitris lunares, a descida da energia impressionadora do Pitri solar é o resultado de seu recolhimento interno, da absorção das forças antes de enviá-las concentradamente à sua sombra, o homem, e sua firme meditação sobre o propósito e o plano. Seria útil se o estudante se lembrar aqui que o Ego (assim como o Logos) mantém-se em profunda meditação durante todo o ciclo de sua encarnação física. Esta meditação solar é de natureza cíclica, enviando o Pitri ao seu “reflexo” rítmicas correntes de energia que são recolhidas pelo homem em questão como seus “impulsos superiores”, seus sonhos e aspirações. Portanto, ficará claro porque os trabalhadores da magia branca são sempre homens avançados, espirituais, uma vez que o “reflexo” raramente responde ao Ego ou ao Anjo Solar a menos que muitos ciclos de encarnações tenham transcorrido. O Pitri Solar comunica- se com sua “sombra” ou reflexo por meio do sutratma, que desce através dos corpos até um ponto de entrada no cérebro físico.

REGRA II. Quando a sombra tiver respondido, em profunda meditação o trabalho prosseguirá. A luz inferior é lançada para cima; a luz maior ilumina os três, e o trabalho dos quatro prossegue.

Aqui, o trabalho dos dois, o Ego em seu próprio plano, e seu instrumento nos três mundos, mostra-se ligado e coordenado. Como bem sabemos, a principal função da meditação é trazer o instrumento inferior a uma tal condição de receptividade e resposta vibratória que o Ego, ou Anjo solar, possa usá-lo, e produzir específicos resultados. Isto envolve, portanto, uma descida de força dos níveis superiores do plano mental (o habitat do Homem real) e uma vibração recíproca, emanando do Homem, o Reflexo. Quando estas duas vibrações estão sintonizadas, e a interação é rítmica, então as duas meditações seguem sincronicamente, e o trabalho de magia e de criação pode seguir sem empecilhos. Será óbvio, pois, que o cérebro é a correspondência física dos centros do plano mental, e que a vibração tem que ser conscientemente estabelecida pelo homem em meditação. Quando isto é efetuado, o homem pode então ser um criador consciente, e o trabalho prossegue de modo tríplice; a força circula livremente por três pontos de atividade centralizada:

Primeiro. A partir do círculo de pétalas no lótus egoico que o Ego escolhe utilizar, ou está em posição de fazê-lo, o que é também condicionado pelo objetivo em vista e o estado do desenvolvimento egoico.

Segundo. O centro no cérebro físico que está ativo na meditação, o que também é condicionado pelo ponto de evolução do homem, e a meta que ele tem em mente.

Terceiro. O centro de força gerado pelo homem no plano mental inferior, à medida que ele constrói a forma mental necessária, e atrai à atividade aqueles construtores que podem responder à vibração enviada. Isto é igualmente condicionado pela força de sua meditação, a intensidade ou volume do som emitido por ele, e a potência da vibração por ele iniciada.

Por isso, a primeira coisa que o Anjo solar faz, é formar um triângulo composto por ele próprio, o homem no plano físico, e o pequenino ponto de força resultante do esforço dos dois. Os estudantes muito lucrarão se meditarem sobre este procedimento, e estudarem a correspondência entre ele e o trabalho do Logos solar ao criar “os Céus e a Terra.” Os dois aspectos - o mais Elevado e o mais inferior encontram-se: o espírito e a matéria entraram em contato, e como consequência desta interação, nasceu o Filho, isto é, nasceu o grande pensamento-forma solar. Nos três mundos, o homem, a Deidade menor, dentro dos seus limites, prossegue segundo linhas análogas. Os três que são iluminados pela luz do Uno são as três pessoas da Tríade inferior- o corpo mental, o corpo astral, e o corpo físico, os quais, juntamente com o lluminador, formam o “Quatro” a que se refere a Regra, tornando assim aparente a Tétrade microcósmica.

As duas regras acima constituem a base de toda meditação, e devem ser estudadas cuidadosamente se desejarmos obter resultados.

REGRA III. A energia circula. O ponto de luz - produto dos labores dos Quatro - aumenta e cresce. As miríades reúnem- se em torno de seu calor irradiante até que sua luz decresça. Seu fogo amortece. Então soará o segundo som.

O mago branco tendo já formado - através da meditação e consciente propósito - um ponto de energia no plano mental, aumenta a vibração pela contínua e firme concentração. Começa a visualizar, em detalhes, a forma que está buscando construir, ele a visualiza com todas as suas partes componentes, “vendo diante do olho de sua mente”, o produto consumado da meditação egoica que ele consegue captar. Este fato produz o que chamamos aqui “a nota secundária”, uma vez que a primeira nota, ou som, é aquela que emana do Ego no seu próprio plano, a qual desperta o “reflexo” (a personalidade) e provoca a resposta. A vibração torna-se mais forte, e a nota emitida pelo homem, no plano físico, ascende, e é ouvida no plano mental. Por isso, em toda meditação de valor ocultista, o homem tem que realizar certas coisas, com o fim de ajudara produzir os resultados.

Ele tranquiliza seus corpos para que não haja empecilhos para o intento egoico, e fica atento para ouvir a “Voz do Silêncio.” Responde então conscientemente a essa Voz, e reflete sobre os planos que lhe foram comunicados.

Ele então pronuncia a Palavra Sagrada, na nota que ele acredita ter ouvido ser usada pelo Ego, e a envia para aumentar o som egoico, e para pôr em movimento matéria no plano mental. Sincronicamente com esta emissão do som, ele visualiza detalhadamente o pensamento-forma proposto, para corporificar os propósitos egoicos e o visualiza em detalhe.

Não podemos esquecer que estamos tratando aqui daquelas meditações conscientes, baseadas em conhecimento e longa experiência, que produzem resultados mágicos no plano físico. Não estamos tratando daquelas meditações cujo propósito é o de revelar o Deus interno, e trazer ao homem o fogo iluminador do Ego.

Quando este processo se desenvolve segundo a lei e a ordem, o ponto focal de energia no plano mental inferior ganha força; sua luz, ou fogo, se faz sentir; ele torna-se - no sentido ocultista - visualmente objetivo, e atrai a atenção dos construtores menores por meio de

a. sua radiação ou calor,
b. sua ativa vibração,
c. seu som ou nota, e
d. sua luz.

Os trabalhadores elementais capacitados a responder são reunidos, e atraídos para o raio de força, ao redor do qual começam a agrupar-se. A forma pretendida começa a tornar-se aparente à proporção que as pequeninas vidas, uma após outra ocupam o lugar que lhes corresponde nessa construção. O resultado desta “coerência” é que a luz interna fica velada, seu brilho obscurecido, assim como a luz interna do Ego na sua sombra, ou pensamento-forma, o homem, está igualmente obscurecida e oculta.

REGRA IV. Som, luz, vibração, e forma se fundem e se absorvem, e assim o trabalho é uno. Ele prossegue sob a lei, e nada pode agora impedir o trabalho de seguir adiante. O homem respira profundamente. Ele concentra suas forças e afasta de si o pensamento-forma.

Estamos tratando aqui de um aspecto muito importante do trabalho mágico, mas que é pouco considerado e conhecido. A força usada pelo Ego, na tarefa de forçar o homem a levar a cabo Seu propósito, tem sido a vontade dinâmica, e o centro de energia empregado, tem sido uma das pétalas da vontade. Até agora o homem tem sido impulsionado pela vontade egoica, porém tem mesclado a ela grande parte da energia do aspecto da atração (desejo ou amor) desse modo reunindo para si mesmo, no plano mental, o material necessário para seu pensamento-forma. Ele conseguiu até agora, que seja vista uma forma mental coerente, viva, vibrante e de natureza desejada. Sua atividade interna é tal que ela poderá vir a realizar o propósito egoico; ela está pronta para ser enviada em sua missão, reunir para si o material mais denso de natureza astral e alcançar maior consolidação. Isto é efetuado por um ato da vontade emanando do homem, o qual dá à forma viva poder “para desprender-se.” Felizmente, para a raça humana, é exatamente neste ponto que a maioria dos investigadores mágicos fracassam em seu trabalho. Eles constroem uma forma na matéria mental, mas não sabem como enviá-la para realizar sua missão. Assim, muitos pensamentos-forma morrem no plano mental, devido à incapacidade do homem de exercer construtivamente a faculdade da vontade, e seu fracasso em compreender as leis de construção do pensamento-forma. Um outro fator é sua falta de conhecimento da fórmula que libera os construtores elementais daquilo que os circunda, e os força a se manterem coesos na periferia do pensamento-forma enquanto o pensador assim o desejar.

Finalmente, eles morrem, porque o homem é incapaz de meditar por um período suficientemente longo, assim como é incapaz de formular ideias com clareza suficiente para produzir a materialização final.

Por enquanto, os homens são impuros demais e egoístas demais para que se lhes possa confiar este conhecimento. Seus pensamentos-forma seriam construídos com o fim de serem enviados para missões egoístas e fins destrutivos; e por essa razão, até que os homens se tornem mais espirituais e ganhem controle sobre sua natureza inferior, aquelas palavras mágicas que galvanizam a forma na substância mental à atividade separada não estarão disponíveis para o seu uso.

Poder-se-ia perguntar aqui como então os homens atingem seus fins, através da concentração e visualização, e realmente conseguem enviar pensamentos-forma que alcançam seu objetivo. Há dois modos de realizar isto:

Primeiro. Por uma lembrança inconsciente de métodos e fórmulas conhecidos e usados nos dias atlantes, quando estes eram propriedade pública, e os homens obtinham resultados ao emitir certos sons. Eles não atingiam seus fins devido à sua habilidade mental, mas principalmente porque os repetiam tal como faz um papagaio ao repetir mantrams. Estes estão, às vezes, ocultos na natureza subconsciente, e são - de forma não-premeditada - usados pelo homem que os sente fortemente.

Segundo. Através dos pensamentos e ideias do homem que se encaixam com os planos e propósitos daqueles que realmente conhecem, estejam eles no caminho da magia branca ou negra. Nesse caso eles utilizam a forma com sua força inerente e a galvanizam à atividade e à identidade separada temporária, enviando-a assim para realizar seu propósito. Isto explica muitos dos resultados aparentemente fenomênicos alcançados por egoístas ou incompetentes - embora bons - pensadores.

As palavras mágicas somente são comunicadas, sob voto de segredo, aos que trabalham com a Fraternidade da Luz, aos iniciados, e aos cheilas aceitos, devido ao grande perigo que isso envolve. Também ocasionalmente, elas são captadas por homens e mulheres que já alcançaram uma condição de alinhamento com o Ego, e estão, portanto, em contato com o centro interno de todo conhecimento. Neste caso, o conhecimento está a salvo, uma vez que o Ego trabalha sempre segundo a lei e a retidão, e as palavras emitidas por Ele “perdem-se no Seu som”, como está dito ocultamente, e não serão lembradas pelo cérebro físico, quando este não estiver sob a influência do Anjo Solar.

As seis regras para o plano mental são necessariamente breves, devido ao fato de que o plano da mente é, por enquanto, um terreno desconhecido para a maioria - desconhecido no que diz respeito ao controle consciente. As duas regras restantes tratam, no primeiro caso, do irmão ocupado com a magia branca; e no segundo caso, trata do pensamento-forma que ele está construindo

REGRA V. Com três coisas se ocupa o Anjo solar antes que o invólucro criado desça: a condição das águas, a segurança daquele que assim cria, e a firme contemplação. Assim se aliam o coração, a garganta e o olho, para o serviço tríplice.

O ponto focal de energia que o homem, o mago, criou agora no plano mental, já alcançou uma atividade vibratória que lhe dá certeza que a resposta virá da matéria necessária para a próxima e mais densa envoltura. Esta vibração resultará na agregação, ao redor do núcleo central, de um tipo diferente de substância vital divina. Esta forma é construída, ocultamente, com o fim de ser enviada e desça, como um pássaro, voando para a sua missão, e este constitui um momento crítico para o mago. Um dos cuidados que ele precisa ter é que esta forma que ele construiu e que está a ele vinculada por um delgado fio de substância animada (uma correspondência em escala diminuta do fio sutrátmico por meio do qual a Mônada ou Ego mantém vinculada sua “forma de manifestação”) jamais morra por falta de sustentação vital, ou retorne a Ele sem haver cumprido sua missão. Quando esta catástrofe é o caso, o pensamento-forma torna- se uma ameaça para o mago, e ele torna-se presa daquilo que ele próprio criou. Os devas que constituem o corpo da ideia que fracassou em cumprir seu propósito tornam-se um dreno de sua força vital. Por essa razão, ele esforça-se para que o motivo ou desejo existente por trás da “ideia”, agora revestida com sua primeira envoltura, retenha a primitiva pureza; que não seja visto traço de natureza egoísta ou qualquer adulteração do propósito inicial do Anjo solar capaz de produzir uma vibração menos digna. É a isto que nos referimos quando falamos da “condição das águas.” Como bem sabemos, a água representa a matéria, e as substâncias do plano astral, que estamos agora considerando, são de primordial importância na construção de todas as formas. De acordo com a substância usada e a natureza dos Construtores que respondem à nota da forma na matéria mental, será o propósito a ser realizado. Por muitas razões, esta é a mais importante etapa, pois o corpo astral de qualquer forma condiciona:

a. A natureza do veículo físico.
b. A transmissão da força do seguinte plano superior.

Desde que o homem no plano físico possa manter firme o propósito, e se recuse a permitir sua distorção pelas influências e vibrações emanando do homem inferior, então “os devas do kama” podem realizar seu trabalho. Neste ponto, quero recordar aos estudantes, que qualquer pensamento-forma se volta necessariamente para maiores correntes de força ou energia, emanando de pensadores avançados de todos os graus, do Logos planetário para baixo, e de acordo com sua natureza e motivo, e assim o trabalho da evolução é auxiliado ou retardado. É deste modo que os Nirmanakayas trabalham, manipulando correntes de energia do pensamento, vitalizando as formas criadas pelos homens, e assim realizando o trabalho de construção ou destruição. Eles têm que utilizar aquilo que existe; daí, a necessidade de que os homens pensem com clareza. Tendo “purificado” as águas, ou salvaguardado seus desejos, a seguir, o pensador (pelo uso de certas palavras que lhe são transmitidas pelo Anjo Solar) protege-se dos devas de natureza elemental com os quais se propõe a trabalhar. No plano mental, a natureza e vibração do Anjo solar bastam como proteção; porém agora, ele se propõe a trabalhar com os elementais e existências mais perigosos nos três mundos. (2)

Estas fórmulas protetoras são pronunciadas pelo pensador, juntamente com o Anjo solar, no momento em que o pensamento-forma está pronto para receber seu envoltório astral. O mantram lida com as forças que impelem os Agnisuryans à atividade, e dá início a uma corrente de energia protetora vinda de uma das pétalas do coração do lótus Egoico. Esta circula através do centro laríngeo do homem, e estabelece ao redor dele, uma corrente circulatória de energia, a qual, automaticamente, afasta os devas que poderiam - devido ao seu cego e ignorante trabalho - ameaçar sua paz. Tendo atendido a esses dois assuntos - o desejo regulado e resguardada a identidade - tanto o Anjo solar quanto o trabalhador na magia mantêm a atitude de contemplação, ou aquela profunda condição interna que vem a seguir à profunda meditação.

Na contemplação, o olho interno fixa-se sobre o objeto da contemplação, e isto produz, inconscientemente na maioria dos casos, uma constante corrente de energia que é focalizada sobre o objetivo, produzindo vitalização e atividade. É a base do “trabalho de transmutação”, por exemplo, quando a substância humana é transmutada em substância solar. O Ego contempla seus corpos lunares, e gradualmente o trabalho é realizado. Quando seu reflexo, o homem, alcançou um ponto na evolução em que ele pode meditar e contemplar, o trabalho é acelerado, e a transmutação prossegue rapidamente, particularmente no plano físico.

No trabalho de construção do pensamento-forma, o homem, em contemplação, prossegue no trabalho de energização e vitalização, e podemos dizer aqui que o olho é o grande agente diretor. Quando se emprega o terceiro olho, como acontece na contemplação, ele é o sintetizador e o direcionador da tríplice energia; daí o poderoso trabalho executado por aqueles nos quais ele está funcionando. O terceiro olho somente começa a funcionar quando o terceiro círculo de pétalas egoicas está lentamente começando a desdobrar-se.

Se os estudantes estudarem o efeito produzido pelo olho humano no plano físico, e então estendem esse conceito ao trabalho do Pensador interno, quando ele utiliza o terceiro olho, chegariam a um interessante esclarecimento sobre o tema do controle do pensamento. Diz O Velho Comentário:

“Quando o olho é cego, as formas criadas giram em círculos e não cumprem a lei. Quando o olho está aberto, a força flui, a direção e a realização estão asseguradas, e os planos seguidos de acordo com a lei; o olho de cor azul, e o olho que não vê vermelho quando aberto, produzem com grande facilidade aquilo a que se propõem.”

A regra final está contida nas palavras:

REGRA VI. Os devas dos quatro inferiores sentem a força quando o olho se abre; eles são afastados e perdem seu mestre.

A energia egoica, transmitida via o cérebro físico, volta-se agora para a tarefa de enviar a forma para que ela possa revestir-se de matéria astral. O olho do Pensador abre-se, e a vitalidade repulsora irrompe. Nada mais precisa ser dito aqui, pois enquanto o olho não estiver em funcionamento, não será possível para os homens compreenderem a natureza da energia que eles então manejarão ou dirigirão.

b. Cinco Regras para o Plano Astral.

Antes de abordarmos o segundo grupo de “Regras para a Magia”, gostaria de tecer alguns comentários a respeito do “olho do Mago”, anteriormente referido. Uma das regras fundamentais que dão suporte a todo e qualquer processo mágico, é que homem algum pode ser um mago ou trabalhador em magia branca enquanto o terceiro olho não estiver aberto, ou em processo de abrir-se, uma vez que é por intermédio desse olho que o pensamento-forma é energizado, direcionado e controlado, e os construtores menores, ou forças, são impelidos a qualquer linha particular de atividade. Entre as descobertas futuras e as próximas revelações da ciência acadêmica, haverá uma que se ocupará com a força dirigente da faculdade do olho humano, individualmente ou coletivamente, de dirigir a força, e isto indicará uma das primeiras etapas da redescoberta do “Olho de Shiva", o terceiro olho. Shiva, como sabemos, é um dos nomes dado ao grande primeiro aspecto logoico, e sob esse aspecto estão ocultos muitos conceitos de grande importância esotérica. Shiva representa:

a. O Aspecto Vontade,
b. O Aspecto Espírito,
c. O Pai no Céu,
d. O propósito direcionador,
e. A energia consciente,
f. O intento dinâmico,

e ao considerar estas expressões, as faculdades inatas do terceiro olho tornar-se-ão aparentes.

No ser humano, como sabemos, o “Olho de Shiva” está posicionado no centro da fronte entre os dois olhos físicos. (3)

Não devemos confundi-lo com a glândula pineal, a qual é um centro físico ou glândula bem definida. O terceiro olho existe em matéria etérica, e é um centro etérico de força, feito da substância dos éteres, enquanto que a glândula pineal é formada de matéria dos três subplanos inferiores do plano físico. Contudo, ela terá que estar funcionando até certo ponto, antes que o “Olho de Shiva” evidencie alguma atividade, e é este fato que levou escritores de livros ocultistas, no passado, a confundir os dois, com o propósito de proteger o conhecimento.

O terceiro olho é formado através da atividade de três fatores:

Primeiro: através do impulso direto do Ego no seu próprio plano. Durante a maior parte da evolução, o Ego faz contato com seu reflexo, o homem no plano físico, através do centro no alto da cabeça. Quando o homem está altamente evoluído, e aproximando-se - ou já percorrendo o Caminho - o Eu interno assume um domínio mais completo do seu veículo inferior, e desce até um ponto na cabeça ou cérebro que se encontra aproximadamente na altura do centro da fronte. Este é seu contato mais inferior. É interessante notar aqui a correspondência com a evolução dos sentidos. Os três sentidos principais, e os primeiros a manifestar-se, são, por ordem, a audição, o tato e a visão. Durante a maior parte da evolução, a audição é o impulso que guia a vida humana através do contato egoico com o alto da cabeça. Mais tarde, quando o Ego desce um pouco mais, o centro etérico que se encontra ativo em conexão com o corpo pituitário, é acrescentado, e o homem torna-se capaz de responder a vibrações mais sutis e elevadas; a correspondência oculta do sentido físico, o tato, desperta então. Finalmente, o terceiro olho abre-se e a glândula pineal começa simultaneamente a funcionar. A princípio, a visão é turva, e a glândula responde parcialmente à vibração; porém, gradualmente o olho abre-se por completo, a glândula entra em plena atividade, e logo temos o homem “plenamente desperto”. Quando este é o caso, o centro alta maior vibra, e os três centros físicos da cabeça encontram-se em funcionamento.

Segundo: através da atividade coordenada do centro principal da cabeça, o lótus de múltiplas pétalas acima do alto da cabeça. Este centro afeta diretamente a glândula pineal, e a interação da força detrás dos dois (a correspondência, em pequena escala, dos pares de opostos, espírito e matéria) produz esse grande órgão de consciência que chamamos, o “Olho de Shiva, o qual constitui o instrumento da sabedoria, e nesses três centros de energia, encontramos a correspondência dos três aspectos no interior da cabeça do homem:

1. Centro principal da cabeça Aspecto Vontade Espírito Pai no Céu
2. Glândula pineal Aspecto Amor-Sabedoria Consciência Filho
3. Terceiro olho Aspecto Atividade Matéria Mãe

O terceiro olho dirige a energia ou a força, sendo assim um instrumento da vontade ou Espírito; porém, responde somente àquela vontade controlada pelo aspecto Filho, o revelador da natureza amor-sabedoria de deuses e homens, sendo portanto o signo do mago branco.

Terceiro: a ação reflexa da glândula pineal. Quando estes três tipos de energia, ou seja, a vibração destes três centros começam a entrar em contato, estabelece-se uma definida inter-relação, a qual forma, eventualmente, um vórtice, ou centro, de força, no meio da fronte, que finalmente se assemelha a um olho que observa, entre os outros dois. Ele constitui o olho da visão interna, e quando ele se encontra aberto, ele pode dirigir e controlar a energia da matéria; ver todas as coisas no Eterno Agora, e por isso, entrar em contato com as causas, mais do que com os efeitos; ler os registros akáshicos, e ver clarividentemente. Por conseguinte, seu possuidor pode controlar os construtores de grau inferior.

O “Olho de Shiva”, quando aperfeiçoado, é de cor azul, e como o Logos solar é o “Logos Azul”, também Seus filhos ocultamente se parecem com Ele. Esta cor, porém, deve ser interpretada esotericamente. É preciso também lembrar que antes das duas Iniciações finais (a sexta e a sétima) o olho do mago branco, quando desenvolvido, terá a coloração do raio do homem, também esotericamente compreendido. Isto é tudo que podemos comunicar a respeito da cor. De acordo com a cor, assim será o tipo de energia manipulada, mas lembrando que todos os magos trabalham com três tipos de energia:

a. A energia do seu próprio Raio,
b. A energia complementar à do seu próprio tipo de força.
c. A energia de seu polo oposto,

eles trabalham, portanto, na linha da menor resistência, ou através da atração e repulsão.

É por intermédio deste “olho que tudo vê” que o Adepto pode, a qualquer momento, pôr-se em contato com Seus discípulos onde quer que eles estejam; comunicar-se com seus pares em todo o planeta, no oposto polar do nosso planeta, e no terceiro planeta que, com o nosso, forma um triângulo; que Ele pode - através da energia deste olho - controlar e dirigir os construtores, e manter qualquer pensamento-forma que Ele possa ter criado dentro de Sua esfera de influência, e no seu planejado caminho de serviço; e que, através desse olho, por meio das correntes de energia dirigida, Ele pode ajudar e estimular Seus discípulos ou grupos de homens, em qualquer lugar e a qualquer momento.

A glândula pineal está sujeita a dois tipos de estimulação. Primeiro, aquela que emana do próprio Ego via os centros etéricos de força. Este fluxo de energia egoica (o resultado do despertar dos centros através da meditação e espiritualidade da vida) desce sobre a glândula pineal e, com o passar dos anos, gradualmente intensifica sua secreção, aumenta seu tamanho e dá início a um novo ciclo de atividade.

A segunda linha de estimulação que afeta a glândula pineal é resultante da disciplina do corpo físico e sua subjugação às leis do desenvolvimento espiritual. Quando o discípulo vive uma vida regulada, evita carne, nicotina e álcool e pratica a continência, a glândula pineal não fica atrofiada e recupera sua atividade anterior.

Nada mais podemos acrescentar, porém o que foi dado oferece margem para longa reflexão.

Na meditação, ao fazer soar a palavra, o estudante evoca resposta no principal centro da cabeça, provoca uma vibração recíproca entre aquele centro e o centro físico da cabeça, e gradualmente coordena as forças na cabeça. Através da prática do poder de visualização, desenvolve-se o terceiro olho. As formas visualizadas e as ideias e abstrações, às quais durante o processo lhes é dado mentalmente formato e veículos, são vistas a poucas polegadas do terceiro olho. É este conhecimento que leva o iogue oriental a falar a respeito da “concentração sobre a ponta do nariz.” Detrás desta frase enganadora, encontra-se velada uma grande verdade.

Prosseguindo com as “Regras para a Magia”, vamos abordar agora o segundo grupo, que trata dos impulsos que levam à construção da forma, e das tendências atrativas que constituem a base da manifestação no plano físico. Já tratamos de certas regras que dizem respeito ao trabalho do Anjo solar, que - em qualquer tipo de trabalho verdadeiramente mágico - constitui o agente ativo. Já estudamos as regras por meio das quais Ele constrói um pensamento-forma no plano mental, ou aquele corpo germinal que - por meio do crescimento e da vibração do som - toma para si outras formas.

REGRA VII. As forças duais no plano onde a energia vital deve ser procurada são vistas; os dois caminhos estão voltados para o Anjo solar; os polos vibram. Uma escolha se impõe àquele que medita.

O pensamento-forma terá agora que funcionar no plano astral, e é preciso proporcionar-lhe um corpo para tornar isso possível. A energia do desejo penetra a forma mental, e “aquele que medita” tem que energizá-la com um ou dois tipos de força antes que ela passe à objetividade. A construção do corpo etérico, e a consequente manifestação física, irão depender da ação que for tomada. Este ponto é pouco compreendido pelo pensador comum, porém a analogia com sua própria experiência vital é exata, assim como a correspondência com o processo cósmico. A “natureza do deva” (como é chamado) penetra-a, e da qualidade de seu amor, e do tipo específico do objeto de seu amor, dependerá a natureza do pensamento-forma. Caso o deva, ou Anjo solar, ame a manifestação e deseje a existência objetiva, assim identificando-se voluntariamente com a substância, segue-se o fenômeno da vida física reencarnada. Se o deva, ou Anjo solar, não mais sente a atração da matéria, não há identificação, e a vida objetiva deixou de ser a lei de sua existência. Ele identifica-se então com a qualidade, ou energia, e torna-se uma expressão dos atributos divinos. Pode seguir-se então a objetividade como uma oferenda voluntária para o bem do grupo ou existência planetária, porém a identificação com a forma separada não mais existe. O veículo humano assim criado é um pensamento-forma neste caso como qualquer outra ideia particularizada, e o maior ato de magia consciente que se pode ver. Todas as outras criações mágicas são secundárias. Manipulando as energias negativa e positiva, trazendo-as assim ao ponto de equilibrium antes de lhes dar forma, assim é construído o corpo aperfeiçoado do Adepto. Todo trabalho mágico no plano astral tem de seguir a linha da atividade equilibradora, e a natureza característica deste tipo de trabalho nos três planos nos três mundos pode ser resumida da seguinte maneira:

No plano mental, a força positiva do Anjo solar impulsiona a substância necessária para a forma correta.

No plano astral, a força equilibradora do Anjo solar reúne o material e energia necessários vindos de todas as direções, e com eles constrói o necessário invólucro astral.

No plano físico, a força negativa do Anjo solar é tudo que é necessário para reunir a substância etérica necessária; quer dizer, a forma já alcançou vitalidade e características próprias, e por isso, nenhuma atividade do centro egoico é necessária para continuar o trabalho. A nota e a vibração da própria forma são suficientes.

REGRA VIII. OS Agnisuryans respondem ao som.
As águas descem e sobem. Que o mago se cuide para não se afogar no ponto onde a terra e a água se encontram. O ponto a meio caminho, que não é nem seco nem molhado, deve fornecer o local de sustentação para seus pés. Quando a água, a terra e o ar se encontrarem, aí está o lugar de onde a magia é operada.

Devem ter notado que, nesta regra, não se faz menção ao quarto elemento, o fogo. A razão para isto é que o próprio mago tem que realizar a estupenda tarefa de gerar o fogo necessário neste tríplice “ponto de encontro.” Esta é uma das regras mais ocultas e enigmáticas. Alguma luz é lançada sobre ela, porém, pelas seguintes três frases de O Velho Comentário:

“Quando o fogo é extraído do âmago do coração, as águas não têm poder para contê-lo; Ele flui como uma torrente de chama e atravessa as águas, que desaparecem diante dele. Assim é alcançada a meta.”

“Quando o fogo desce de Aquele Que do alto observa, o vento não consegue apagá-lo. Os próprios ventos o protegem, servem-lhe de escudo e o auxiliam no seu trabalho, guiando-o para o ponto de entrada.”

“Quando o fogo emana da boca daquele que pensa e vê, então a terra não é capaz de ocultar ou extinguir a chama. Ela alimenta a chama, provocando tal crescimento e magnitude do fogo que o faz alcançar a estreita porta de entrada.”

Sob esta simbologia, oculta-se muita informação a respeito da energia dadora da vida, dos centros simbolizados que focalizam essa energia e a direcionam, e o lugar ocupado pelos diferentes tipos de matéria receptiva no trabalho mágico. Como sempre acontece em toda magia branca, a atividade do Anjo solar é o fator primordial, enquanto o trabalho do homem no plano físico é visto como secundário; seu corpo físico e o trabalho que nele é produzido, é frequentemente referido como “o combustível e seu calor.” É preciso ter isto sempre em mente, pois dá a chave para a necessidade do alinhamento egoico, e para esclarecer o problema da extinção de certos magos, que foram “destruídos por seu próprio fogo” ou energia. O mago cauteloso é aquele que toma providências para que seu veículo inferior esteja preparado para sustentar o fogo com o qual ele trabalha, o que ele consegue através de disciplina e rigorosa pureza.

O mago mantém-se atento para não “se afogar”, ou seja, para não se submeter à influência dos elementais astrais, ou da água, por meio do conhecimento de certas fórmulas, e enquanto esses sons e mantrams não forem conhecidos, é perigoso para homem no plano físico tentar a criação mágica. São três as fórmulas:

Primeiro, aquelas que fundem as duas notas, adicionam uma terceira e desse modo chamam à atividade os construtores do plano astral, os Agnisuryans, em quaisquer de seus graus. Estas baseiam-se no som iniciador do Ego, distinguindo entre ele e o som da nota dos construtores e vidas do pequenino pensamento-forma já criado. A fórmula é entoada com base nestas três notas, variando o tom e a nota, porém não a fórmula, e produzindo assim os diversos tipos de formas.

Segunda, aquelas que são somente de natureza protetora, e que, pelo conhecimento das leis do som que são conhecidas em conexão com a água (ou o plano astral), produzem um vazio entre o mago e as águas, e entre ele e sua criação. Esta fórmula baseia-se nos sons vinculados também ao ar, uma vez que o mago protege-se criando ao seu redor uma concha protetora de átomos do ar, entendida esotericamente, evitando assim a aproximação dos construtores da água.

Terceira, aquelas que ao serem pronunciadas produzem dois resultados: o envio da criação aperfeiçoada para que ela possa revestir- se de um corpo físico; e a seguir, a dispersão das forças construtoras, já que seu trabalho está completo.

Esta última formula é de extraordinário interesse, e se não fosse tão poderosa deixaria o mago em sérias dificuldades com o produto de seu pensamento e presa de uma forma vital, e de certos “devas das águas” que, somente o abandonariam, depois de ter esgotado completamente “as águas de sua natureza” absorvendo-as para a própria natureza, e provocando assim a morte astral do mago. Seria então observado o curioso fenômeno do Ego ou Anjo solar estar encarnado no veículo mental, contudo separado do corpo físico, devido ao oculto “afogamento” do mago. Nada mais restava ao Ego, a não ser romper o sutratma, ou fio, e interromper toda a conexão com o invólucro inferior, o qual persistiria por um curto período de tempo, de acordo com a força da vida animal, mas que provavelmente, logo morreria. (4) Vários magos têm assim perecido.

REGRA IX. A seguir, ocorre a condensação. O fogo e as águas se encontram, a forma se dilata e cresce. Que o mago ponha a sua forma no caminho apropriado.

Esta regra resume-se na seguinte injunção: Que o desejo e a mente sejam tão puros e tão proporcionalmente equiparados, e a forma criada tão exatamente balanceada, que não possa ser atraída para o caminho destrutivo, “o caminho da mão-esquerda.”

REGRA X. Quando as águas banham a forma criada, elas são absorvidas e usadas. A forma aumenta em sua força; que o mago continue assim até que o trabalho baste. Que os construtores externos cessem então os seus labores, e que os obreiros internos iniciem o seu ciclo.

Um dos conceitos fundamentais percebidos por todos os que trabalham com a magia, é que tanto a vontade, como o desejo são emanações de força. Diferem em qualidade e vibração, porém são essencialmente, correntes de energia; uma formando um vórtice inicial, ou centro de atividade, por ser centrífuga; e a outra, centrípeta, sendo o principal fator que vai reunindo e dando forma à matéria ao redor do vórtice central. Isto podemos ver de modo interessante no caso do lótus egoico, onde temos o aspecto vontade formando “a joia do lótus”, ou seja, o centro interno de energia elétrica, e o aspecto amor ou desejo formando o próprio lótus egoico ou a forma, que oculta o centro. A analogia em toda construção de formas aplica-se aos deuses, aos homens e aos átomos. Sob o ponto de vista dos planos cósmicos superiores, o sistema solar é visto como um enorme lótus azul, e assim, em escala descendente, até o diminuto átomo da substância. A distinção entre os vários lótus encontra- se no número e na disposição das pétalas. O sistema solar é, literalmente, um lótus de doze pétalas, sendo, cada uma delas, formada de quarenta e nove pétalas menores. Os lótus planetários diferem em cada esquema, e um dos segredos da iniciação é revelado ao iniciado quando lhe é confiado o número de pétalas do:

a. Nosso planeta, a Terra,
b. Nosso polo oposto planetário, e
c. Nosso planeta complementar ou equilibrador.

De posse deste conhecimento, ele pode então aplicar certas fórmulas de magia, que o habilitam a criar nas três esferas. O conceito básico que governa a construção do pensamento-forma é o mesmo que capacita o mago branco a produzir fenômenos objetivos no plano físico. Ele trabalha com os dois tipos de energia, vontade e desejo, os quais quando equilibrados, levam ao balanceamento dos pares de opostos, e à consequente liberação da substância-energia na formação da estrutura do plano físico. O mago tem que conhecer os seguintes fatos:

As fórmulas para os dois aspectos da energia logoica, vontade e desejo. Isto, literalmente, significa apreender a nota e a fórmula de Brahma, ou o aspecto substância, e a nota e fórmula de Vishnu, ou o aspecto construtor. Um ele reconhece porque já domina a matéria; o outro lhe é revelado quando ele atinge a consciência grupal.

A fórmula para o tipo particular de substância-energia que ele está procurando empregar. Isto terá relação com aquela pétala em particular no lótus solar da qual emana a força desejada.

A fórmula para o particular tipo de energia que lhe é transmitida via um ou outro dos três círculos de pétalas em seu próprio lótus egoico.

A fórmula para a particular pétala, em um círculo de pétalas, com a qual ele escolha trabalhar. Todas estas fórmulas dizem respeito ao aspecto vontade, no que tange o pensamento-forma a ser produzido, porque o mago é a vontade, ou propósito, ou espírito por trás do fenômeno objetivo que ele está em processo de produzir.

A fórmula que traz à atividade (e assim produz uma forma), aqueles Agnisuryans energizados por qualquer aspecto de força solar. Onde as duas forças entram em contato, a forma é produzida, ou o terceiro centro de energia aparece ou se manifesta:

a. A energia do aspecto vontade.
b. A energia do desejo ou aspecto amor.
c. A energia do consequente pensamento-forma.

Não há aqui contradição ao ensinamento ocultista de que quando o Pai e a Mãe, ou Espírito e Matéria, entram em contato, produzem o Filho. A dificuldade a ser vencida consiste na verdadeira interpretação dos três termos: Mãe - Matéria - Umidade (ou as águas).

Na criação, as três esferas vibratórias:

1. A física densa Mãe Matéria,
2. A etérica Matéria Espírito Santo,
3. A astral Umidade Água,

trabalham como uma unidade, e no ensinamento ocultista, durante as etapas iniciais de criação, não podem ser separadas ou vistas como tal. No caminho da involução, se o assunto pode ser abordado sob o ângulo diferente, e desse modo esclarecer um pouco, são feitas essas distinções, mas no caminho da evolução, elas são superadas, como bem sabemos; no ponto do meio de equilibrium, como no nosso globo, por exemplo, a confusão surge na mente do estudante, devido ao fato ocultista de que várias fórmulas estão sendo usadas simultaneamente, os pensamentos- forma encontram-se em diferentes etapas de construção, e o caos resultante é terrível.

Podemos interpretar que a regra que estamos comentando afirma que, no trabalho mágico, a energia das águas predomina, e o desejo pela forma e realização de seu objetivo aumentam. Isto tem lugar depois que a energia da vontade formou o núcleo central ao entrar em contato com a força do desejo. Através do desejo (ou forte motivo), o mago intensifica a vitalidade da forma até que ela se torna tão poderosa e intensa em sua própria vida separada que está pronta para cumprir sua missão no plano físico. Os devas construtores que foram impelidos a construir a forma com as miríades de vidas elementais disponíveis, completaram o seu trabalho e cessam a construção; este particular tipo de energia não mais impulsiona as vidas menores em qualquer direção específica, e inicia-se então o ciclo final do trabalho no plano astral, o qual está sintetizado na regra seguinte.

REGRA XI. Três coisas o que trabalha com a lei deve cumprir agora. Primeiro assegurara fórmula que confinará as vidas na parede envolvente; depois pronunciar as palavras que lhe dirão o que fazer e aonde levar aquilo que houver sido feito, e finalmente, pronunciar a frase mística que o salvará do seu trabalho.

A ideia incorporada possui agora forma e formato, no plano astral; porém tudo se encontra ainda em estado de fluidez, e as vidas somente se mantêm em seu lugar por meio da atenção fixa do mago, trabalhando através dos construtores maiores. Ele precisa, por meio do conhecimento de certas frases mágicas, tornar o trabalho mais permanente e independente, e fixar o lugar dos elementos vitalizadores dentro da forma, dando-lhes um estímulo que resultará em uma concreção mais profunda. Tendo feito isso, ele torna-se (se é que posso expressar-me assim) um agente do Carma, e envia o pensamento-forma dual (revestido de matéria mental e astral), a cumprir sua missão seja ela qual for. Finalmente, ele tem que tomar as medidas necessárias para proteger-se contra as forças atrativas de sua própria natureza, as quais poderiam levá-lo a manter o pensamento-forma tão firmemente preso à área de sua própria influência a ponto de anular sua própria inerente energia e frustrar seu propósito.

Essas forças podem também revelar uma atração tão poderosa, e manter a forma tão estreitamente junto dele, que ele seria forçado a absorvê-la. Isto pode ser realizado sem dano para aquele que sabe como fazê-lo, porém, de qualquer modo, representa um gasto de energia que é proibido pela Lei de Economia. Com a maioria dos homens, os quais com frequência são magos inconscientes, muitos pensamentos-forma são maliciosos ou destrutivos, voltando-se contra seus criadores de forma desastrosa.

c. Quatro Regras para o Plano Físico.

No trabalho mágico de criação da forma, nós levamos o pensamento-forma para o plano mental, onde o Anjo solar iniciou o trabalho, através do astral, onde o equilíbrio foi estabelecido, para o plano físico, isto é, para os níveis etéricos. Aqui o trabalho de produzir a objetividade é realizado, e aqui o trabalhador na magia corre um grande risco de fracassar, caso ele desconheça as fórmulas e mantras por meio das quais o novo grupo de construtores pode ser contatado, e transposta a lacuna entre o plano astral e os subplanos gasosos do plano físico. Será útil lembrar aqui que, no trabalho de criação, o mago branco utiliza-se da influência do Raio em vigência. Quando o terceiro, quinto e sétimo raios estão no poder – seja entrando, no auge, ou saindo - o trabalho é muito mais fácil do que durante o domínio do segundo, quarto e sexto raios. Atualmente, como sabemos, o sétimo Raio está rapidamente começando a dominar, e é uma das
forças mais fáceis com a qual o homem pode trabalhar. Sob a influência deste Raio, será possível construir a nova estrutura para a atual civilização rapidamente decadente, e erigir o novo templo desejado para o impulso religioso. Porém, sob sua influência, o trabalho de numerosos magos inconscientes será grandemente facilitado, o que resultará no rápido crescimento de fenômenos psíquicos inconscientes, na difusão da ciência mental, e na consequente habilidade dos pensadores não só para alcançar como também criar os benefícios tangíveis que desejam. Todavia, este tipo de magia inconsciente e egoísta conduz a resultados cármicos deploráveis, pois somente aqueles que trabalham com a lei podem evitar as consequências impostas sobre aqueles que manipulam a matéria viva e controlam as vidas menores sem o devido conhecimento, amor e vontade.

O mago branco utiliza forças solares. À proporção que o planeta gira em torno do Sol, ele entra em contato com diferentes tipos de energia, cuja utilização no devido tempo, exige não só conhecimento especializado, como também uma forma, de tal modo constituída, que possa responder à energia diferenciada, na hora necessária.

De três tipos é a força que ele manipula:

a. Aquela que é o produto de seu próprio planeta, e portanto a mais acessível.

b. Aquela que emana do oposto polar do nosso planeta.

c. A que pressentimos originar-se do planeta que forma, juntamente com a Terra e seu oposto, o triângulo esotérico.

Neste ponto, é preciso que os estudantes se recordem que estamos lidando com matéria etérica e energia vital, e portanto, envolvidos com o plano físico e tudo aquilo que está incluído nesse termo. Precisam igualmente lembrar-se que o mago (uma vez que ele está trabalhando no plano da objetividade) está em posição de usar suas próprias forças vitais no trabalho de criação do pensamento-forma, porém que isto só é possível e permitido quando ele alcança o ponto na evolução em que ele se torna um canal para a força, e sabe como extraí-la de dentro de si mesmo, transmutá-la ou combiná-la com as forças de seu próprio corpo, e então transmiti-la ao pensamento-forma que ele está construindo. Muitas coisas interessantes se evidenciarão diante do pensador que estenda esta ideia até o Logos planetário e Seu trabalho de criação de formas.

Após estes comentários preliminares, podemos agora prosseguir com as Regras para a Magia voltadas para o plano físico.

REGRA XII. A teia pulsa. Ela se contrai e se expande. Que o mago se apodere do ponto no meio do caminho, e assim liberte aqueles “prisioneiros do planeta” cuja nota esteja correta e perfeitamente sintonizada com aquilo que precisa ser feito.

É necessário aqui que o mago se lembre que tudo que tem lugar na Terra acontece dentro dos limites da teia etérica planetária. O trabalhador na magia branca, sendo um ocultista, lida com proposições universais, e inicia seu trabalho mágico nos limites da esfera física etérica. Seu problema consiste em localizar, dentro da teia, aquelas vidas menores apropriadas para a construção do veículo do pensamento proposto. Um trabalho assim tem de ser necessariamente realizado pelo homem que, por meio da separação da teia etérica em que está confinado, consegue alcançar aquela que ele conscientemente reconhece como o corpo vital planetário. Somente aquele que é livre pode controlar e utilizar aqueles que são prisioneiros. Este é um axioma ocultista de real valor, pois a maior parte dos fracassos sofridos pelos supostos trabalhadores na magia deve-se ao fato de não estarem eles próprios livres. Os “prisioneiros do planeta” são aquelas miríades de vidas dévicas que formam o corpo prânico planetário, sendo arrastados pelas correntes de força vital que emanam do Sol físico.

REGRAXIII. O mago deve reconhecer os quatro; deve observar, no seu trabalho, a tonalidade de violeta que eles evidenciam e assim construir a sombra. Quando isto é feito, a sombra reveste-se a si mesma, e os quatro tornam-se sete.

Isto significa literalmente que o mago precisa ser capaz de discriminar entre os diferentes éteres, e notar a coloração especial dos diferentes níveis, assegurando assim a construção equilibrada da “sombra”. Ele “reconhece-os”, no sentido oculto, ou seja, ele conhece suas notas e chaves e está consciente do tipo particular de energia que elas personificam. Ainda não foi dada ênfase suficiente ao fato de que os três níveis superiores do plano etérico estão em comunicação vibratória com os três planos superiores do plano físico cósmico, e eles (juntamente com o quarto nível que os envolve) têm sido chamados nos livros ocultistas “a Tétrada invertida.” É este conhecimento que põe o mago de posse dos três tipos de força planetária, e sua combinação, o quarto tipo, e que libera para ele a energia vital que irá impulsionar a sua ideia para a objetividade. À proporção que os diferentes tipos de força se encontram e aglutinam, uma forma indistinta e obscura reveste-se da vibrante envoltura astral e mental, e a ideia do Anjo solar vai alcançando uma definida concreção.

REGRA XIV. O som cresce. Aproxima-se o perigo para a alma corajosa. As águas não danificaram o criador branco e nada conseguiu afogá-lo ou molhá-lo. A ameaça agora vem do fogo e das chamas e já se vê a fumaça que se eleva. Que ele mais uma vez, após o ciclo de paz, apele para o Anjo solar.

O trabalho de criação assume agora sérias proporções, e afinal o corpo do mago é ameaçado de destruição. Tendo sido formada a sombra, ela está agora pronta para tomar para si um corpo “ardente” ou gasoso, e são estes construtores do fogo que ameaçam a vida do mago, pelas seguintes razões:

Primeiramente, porque os fogos do corpo humano estão estreitamente vinculados aos fogos com os quais o mago procura trabalhar, e caso os fogos latentes de seu corpo e os do planeta se ponham em excessiva justaposição, ele corre o risco de ser queimado e destruído.

Segundo, os Agnichaitans, sendo vinculados aos “devas do fogo”, do plano mental, têm grande poder, e somente o próprio Anjo solar pode controlá-los adequadamente.

Terceiro, neste planeta, os fogos planetários ainda não estão dominados pelo fogo solar, e por essa razão, são facilmente impulsionados ao trabalho de destruição.

Portanto, o Anjo solar precisa ser agora novamente invocado. Isto significa que o mago (quando sua “sombra” está completa, e antes das etapas finais de concreção) precisa cuidar para que seu alinhamento com o Ego seja exato e desimpedido, e que as correntes de comunicação estejam em plena atividade. Ele precisa, literalmente, “renovar sua meditação”, e fazer um novo contado direto, antes de dar prosseguimento ao trabalho. Do contrário, os fogos de seu próprio corpo podem fugir ao controle, e seu corpo etérico sofrer em consequência. Ele, portanto, enfrenta o fogo com fogo, e faz descer o fogo solar para sua proteção. Isto não foi necessário no plano astral. Para o mago, os momentos de maior perigo no trabalho de criação ocorrem em certas conjunturas no plano astral, onde ele corre o risco do afogamento oculto, e durante a transição dos níveis etéricos para os planos de concreção tangível, quando ele corre o perigo de “queimar-se ocultamente.” No primeiro caso, ele não recorre ao Ego, mas detém a corrente pelo amor e pelos poderes equilibradores de sua própria natureza. No segundo caso, ele precisa convocar aquele que representa o aspecto vontade nos três mundos - o impulsionador e dinâmico pensador, ou Anjo solar. Isto ele realiza por meio de um mantram. Quanto a isto nenhum indício pode ser dado, devido aos poderes que ele confere.

REGRA XV. Os fogos aproximam-se da sombra, contudo não a queimam. O envoltório ígneo está completo. Que o mago entoe as palavras que misturam o fogo e a água.

Pouco pode dizer-se para interpretar estas palavras, além de uma referência de sentido geral. Já foi criado o envoltório gasoso, e é chegada a hora para a formação do envoltório para o sexto subplano, o líquido. Os dois precisam mesclar-se. No que diz respeito ao pensamento-forma, este é o momento de maior perigo. Anteriormente, outros perigos ameaçaram o mago. Agora, a forma que ele está criando tem de ser protegida. A natureza do perigo é sugerida pelas palavras: “Quando o fogo e a água se encontram, sem que o som tenha sido entoado, tudo se dissipa em vapor. O fogo deixa de existir.” Este perigo está oculto na inimizade cármica existente entre os dois grandes grupos de devas, os quais somente podem ser unidos pelo mediador, o homem.

Poder-se-ia indagar qual a utilidade que o uso das quinze regras para a magia aqui apresentadas pode ter. Por enquanto, nenhuma, no que tange o trabalho prático; porém, muita utilidade, quando o desenvolvimento intelectual interno é desejado. Aquele que medita e pondera sobre estas regras, à luz do que já foi informado acerca dos „ devas e das forças construtoras, chegará a entender as Leis de Construção do macrocosmo, o que de muito lhe servirá, e poupará seu tempo quando o trabalho mágico e as fórmulas forem confiados às suas mãos.


Notas:
89 A Glândula Pineal. O Terceiro Olho. D. S., III, 548.

1. A meta da evolução é desenvolver a visão interna.

2. O significado oculto do olho. D. S., III, 577.

3. O “olho de Taurus, o Touro.” (Comparar com o olho do touro.)

A constelação de Touro era chamada a Mãe da Revelação e o intérprete da

Voz divina. D. S., II, 508.

4. Os órgãos da visão interna:

a. O órgão exotérico ..... a glândula pineal ..... físico.

b. O órgão esotérico ..... o terceiro olho ..... etérico.

Nota: os estudantes devem ter cuidado em distinguir o terceiro olho da glândula pineal. D. S., II, 308. “O terceiro olho está morto e não mais atua.”

Ele deixou como prova de sua existência a glândula pineal.

5. A glândula pineal é uma massa cinzenta de matéria nervosa do tamanho de uma pequena ervilha aderida à parte posterior do terceiro ventrículo do cérebro.

6. O corpo pituitário é para a glândula pineal o que manas é para Buddhi, ou a mente para a sabedoria. D. S., II, 504, 505.

7. A glândula pineal alcançou seu maior desenvolvimento proporcionalmente ao desenvolvimento físico inferior. D. S., II, 308, 313.

8. O terceiro olho existe em matéria etérica.

a. Na parte dianteira da cabeça.

b. Ao nível dos olhos.

9. É um centro de energia formado por um triângulo de força:

a. O corpo pituitário.

b. A glândula pineal.

c. O centro alta maior.

10. O terceiro olho aberto não proporciona clarividência; ele é o órgão através do qual se obtém certo conhecimento direto. D. S., I, 77.

a. O iniciado dirige o olho para a essência das coisas.

b. O asceta tem de desenvolver o terceiro olho antes de tornar-se um adepto. D. S.,11,651.

11. Os estudantes do ocultismo precisam saber que o terceiro olho está indissoluvelmente conectado com o carma. D. S., II, 312, nota; D S II 316 320.

a. De seu passado atlante, a quinta raça-raiz está pagando por causas originadas na quarta raça-raiz.

b. Porque ele revela aquilo que é o seu passado. D. S„ II, 297, 320, 813.

12. O terceiro olho é o espelho da alma. D. S., II, 312.

13. Para o olho espiritual interno os Deuses não são abstrações como são a alma e o corpo para nós. D. S., I, 694.

a. O olho interno pode ver através do véu da matéria. D. S., I, 694.

b. O olho espiritual interno revela os estados supersensíveis. D. S., II, 561.

14. No homem espiritual regenerado o terceiro olho está ativo. D. S„ II, 458.


90 Bíblia. Prov. 10:19.


91 Bíblia, João, I


92 - Magia. D. S„ I, 284.

1. Magia é uma ciência divina que leva à participação nos atributos da própria divindade. Isis sem véu, I, 25-27.

2. Todas as operações mágicas consistem em libertarmo-nos dos laços da Antiga Serpente. Isis sem véu, I, 138.

3. O objetivo da arte da magia é a perfeição do homem. Isis sem véu, I, 309.

4. A Magia explora a essência e poder de todas as coisas. Isis sem véu, I, 282; D. S., II, 538.

5. Magia e magnetismo são termos sinônimos. Isis sem véu, I, 279.

6. Magia consiste na soma total do conhecimento da natureza. Isis sem véu, II, 99, 189.

7. Magia não implica na transgressão das leis da natureza. Isis sem véu. I, Prefácio.

As Bases da Magia.

1. Magia baseia-se nos poderes internos existentes na alma do homem. Isis sem véu, I, 459.

2. A trindade da natureza é a fechadura da magia; a trindade do homem é a chave que se encaixa nela. Isis sem véu, II, 635.

3. Magia é psicologia oculta. Isis sem véu, I, 612-616.

4. A luz astral é o principal agente da magia. Isis sem véu, I, 128, 616; D. S., I, 275; II, 537.


93 A própria palavra Magia traz em si prova de sua elevada origem. Do latim Magus e do grego Magos, derivam outras palavras indicativas de autoridade, sabedoria, superioridade. Temos então ‘magnitude’, ‘magnificente’, ‘magniloquente’ para expressar grandeza de posição, de ação e de palavra. Com a terminação ligeiramente modificada, as mesmas palavras converteram-se em ‘majestade’, implicando em dominio, e daí temos ‘magistrado’, algo que é magistral, que por sua vez foi simplificado em 'Mestre' e, finalmente,pelo processo evolutivo das palavras, tornou-se o simples ‘Mister’. Porém, o latim é somente um transmissor de palavras. Podemos igualmente acompanhar o desenvolvimento histórico desta raiz até chegarmos ao termo zenda empregado para designar toda a casta sacerdotal. Os magos eram renomados em todo o mundo por sua sabedoria e conhecimento do ocultismo, e sem dúvida, o nosso termo magia deve principalmente a essa fonte sua atual existência e significado. Não precisamos deter- nos aqui, pois por trás da palavra zenda “mag”, “avulta a palavra sânscrita, maha, que significa, grande.” Alguns estudiosos acreditam que maha era originariamente escrita magha. É certo que existe em sânscrito a palavra Maga significando um sacerdote do Sol, porém isto foi evidentemente uma adaptação posterior do zenda, a qual, por sua vez, se derivara do sânscrito. Lucifer, Vol. X, p. 157.



94 Magia. A arte da divina Magia consiste na habilidade para perceber a essência das coisas à luz da natureza (luz astral), e empregando os poderes anímicos do Espírito para produzir coisas materiais a partir do universo invisível e naquelas operações em que o que está em Cima e o que está em Baixo devem encontrar-se e atuar harmoniosamente. D. S., II, 538.

Magia é a segunda das quatro Vidyas, e é a grande maha-Vidya nas escrituras tântricas. É preciso que a luz da quarta vidya (atma-vidya) se lance sobre ela para que seja magia Branca. D. S., I, 192.

Magia Negra é definida por H. P. B. da seguinte maneira:

a. A magia negra emprega a luz astral com o propósito de enganar e seduzir, enquanto que o mago branco a emprega para informar e para ajudar a evolução. D. S„ I, 274.

b. A magia negra trabalha com os polos opostos. O mago branco procura o ponto de equilibrium e de síntese. D. S., I, 448.

c. A magia negra tem por símbolo a estrela de 5 pontas invertida.

A magia branca usa o mesmo símbolo com a ponta para cima.

d. A magia negra é maha-vidya sem a luz de atma-vidya.

Magia branca é maha-vidya iluminada por atma-vidya. D. S., I, 592.

e. A magia negra é governada pela Lua.
A magia branca é governada pelo Sol.

f. Tanto a magia branca quanto a negra surgiram durante o grande cisma que teve início durante a quarta raça-raiz. D. S., II, 221, 445, 520.

g. A magia negra baseia-se na degradação do sexo e da função criadora. A magia branca está baseada na transmutação da faculdade criadora no pensamento criativo superior; o fogo interno deixa os órgãos de geração, passando para a garganta, o centro do som criador.

h. A magia negra lida com as forças da involução.

A magia branca trabalha com os poderes da evolução.

i. A magia negra ocupa-se com a forma, com a matéria.

A magia branca ocupa-se com a vida no interior da forma, com o Espírito.


95 D. S„ III, 62; Seção 6, p. 67.


96 D. S„ 11,579-581.


97 D. S. I, 451,452; II, 221,234, 519.


98 Bíblia. Rev. 13:18.


99 Poder-se-ia perguntar aqui que relação poderá haver a este respeito com a ronda interna. A ronda interna tem muitos significados, alguns dos quais não podemos dar, porém duas coisas podem ser ditas aqui: que está relacionado ao efeito do equilíbrio triangular de forças ao se aproximar o final do ciclo, quando a força ou energia envolvida está circulando sem obstáculos, mesmo que lentamente, através de

1. duas constelações do sistema solar,

2. esquemas planetários,

3. três globos no esquema.

É preciso lembrar que todos estes três são interdependentes. A força começa a fluir assim quando qualquer ciclo já percorreu dois terços do caminho. Isso diz respeito às Iniciações maiores e é a analogia nos planos superiores do atalho esotérico para a sabedoria e conhecimento que chamamos o Caminho da Iniciação.


1 Nenhuma alma pode perder-se quando

a. Existe uma boa aspiração.

b. É realizada uma ação altruísta.

c. A vida é plena de virtude.

d. A vida é pautada pela correção.

e. A vida é naturalmente pura. Isis sem véu, II, 368. Ler D. S., III, 528, 529.


2 H. P. B. diz que os elementais do ar são os mais perversos e perigosos, referindo-se aqui ao plano físico, e aos perigos que ameaçam o corpo físico, mas o caso que estamos considerando, refere-se ao homem, a unidade nos três mundos.


4 Os caminhos abertos para o Divino Ego, após a separação são dois. D. S., III, 524.

a. Ele pode iniciar uma nova série de encarnações.

b. Pode retornar ao “seio do Pai” e reunir-se à Mônada.

Dois caminhos estão abertos para o eu inferior descartado. D. S., III, 525, 527.

a. Se possui corpo físico, torna-se um homem sem alma.

Neste caso, há esperança.

b. Se não tem corpo físico, converte-se em um espectro, ou uma forma de Morador do Umbral.

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