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Livros de Alice Bailey

Um Tratado sobre o Fogo Cósmico

Índice Geral das Matérias

Seção Dois - Divisão E - O Movimento no Plano da Mente
I. OBSERCAÇÕES PRELIMINARES
II. A NATUREZA DESTE MOVIMENTO
III. RESULTADOS DE SUA ATIVIDADE
IV. O GIRAR DA RODA
V. O MOVIMENTO E O IMPULSO CONSTRUTOR DAS FORMAS
VI. EFEITOS DO MOVIMENTO SINTÉTICO
IV. O Girar da Roda

IV. O GIRAR DA RODA. (12)

Vamos agora considerar um ponto de extrema importância que emerge daquilo que temos dito a respeito dos ciclos e que é a base de todos os fenômenos periódicos. Uma das mais elementares verdades científicas é que a Terra gira em torno do seu eixo e viaja ao redor do Sol. Uma das verdades menos conhecidas, e contudo, de igual importância, é que o sistema solar inteiro igualmente gira ao redor do seu eixo, porém num ciclo tão vasto que está além dos poderes do homem comum compreender, necessitando de fórmulas matemáticas grandemente intricadas.

O caminho orbital do sistema solar nos céus, ao redor de seu centro cósmico, começa agora a ser sentido, e o empuxo geral de nossa constelação está sendo levado em consideração como uma hipótese bem-vinda. Os cientistas ainda não admitiram em seus cálculos o fato de que nosso sistema solar está girando ao redor de um centro cósmico, juntamente com seis outras constelações de magnitude, na maioria dos casos, ainda maior que a nossa, sendo que apenas uma se aproxima da mesma magnitude do nosso sistema solar. Por sua vez, este centro cósmico forma parte de uma grande roda e - para o olho do vidente iluminado - parece que toda a abóbada celeste está em movimento. Observadas em conjunto, todas as constelações são impelidas em uma única direção.

O Velho Comentário expressa esta obscura verdade como segue:

“A roda gira. É dada somente uma volta, e todas as esferas, e sois de todos os graus seguem seu curso. A noite do tempo está nele perdida, e kalpas medem mais do que segundos no curto dia do homem.

Passam dez bilhões de kalpas, e vinte bilhões de ciclos de Brahma, e ainda assim não foi completada uma hora do tempo cósmico.

Dentro da roda, formando essa roda, estão todas as rodas menores, desde a primeira à décima dimensão. Estas, em sua volta cíclica, mantêm, em suas esferas de força, outras rodas menores. Contudo, inúmeros sois compõem o Uno cósmico.

Rodas dentro de rodas, esferas dentro de esferas. Cada uma segue seu curso e atrai ou repele seu irmão, e contudo não conseguem escapar dos braços envolventes da mãe.

Guando as rodas da quarta dimensão das quais nosso Sol é uma, e tudo que é de menor força e maior número, como o oitavo e nono graus girarem sobre si mesmos, devorando-se uns aos outros, e se voltem para rasgar sua mãe, então a roda cósmica estará pronta para uma revolução mais rápida.”

Será, pois, evidente que o poder do homem para conceber a ideia destas rodopiantes constelações, medir sua interação, e perceber sua unidade essencial ainda não é suficientemente grande. Sabemos que, mesmo para o liberado Dhyan Chohan, o mistério daquilo que jaz além do seu próprio Círculo-Não-Se-Passa solar, permanece oculto.

Certas influências indicam-Lhe, e certas linhas de força demonstram- Lhe, o fato de que algumas constelações estão ligadas ao Seu sistema numa estreita e cooperativa união. Sabemos que a Ursa Maior, as Plêiades e Draco, ou o Dragão, estão de algum modo associadas ao sistema solar, porém, por enquanto, Ele desconhece suas funções ou a natureza de outras constelações. É preciso lembrar, também, que o girar da nossa pequena roda sistêmica, assim como a revolução da roda cósmica, podem ser aceleradas ou retardadas por influências emanando de constelações desconhecidas ou ainda não percebidas, cuja associação com um Logos sistêmico ou cósmico é tão misteriosa relativamente falando, quanto o efeito de um indivíduo sobre o outro na família humana. Este efeito está oculto no carma logoico e fora do alcance do homem.

Por ordem de sua importância, as rodas podem ser assim enumeradas:

A roda do universo, ou a soma total de todas as estrelas ou sistemas estrelados.

Uma roda cósmica, ou um grupo de sete constelações, as quais são agrupadas de acordo com

a. Sua magnitude,
b. Sua vibração,
c. Sua cor,
d. Sua influência umas sobre as outras.

Estas rodas cósmicas, de acordo com os livros esotéricos, estão divididas em quarenta e nove grupos, contendo milhões de constelações septenárias. Para propósitos de estudo pelos Adeptos, cada uma é conhecida por um símbolo, e estes quarenta e nove símbolos personificam tudo que pode ser apreendido sobre tamanho, magnitude, qualidade, atividade vibratória e objetividade dessas grandes formas, através das quais uma Existência está adquirindo experiência. Os Chohans de elevado grau conhecem os quarenta e nove sons que indicam a qualidade do aspecto consciência desses grandes Seres Que estão tão afastados da consciência do nosso Logos solar quanto a consciência do homem está afastada da consciência de um cristal. Naturalmente, o conhecimento percebido pelos Chohans é somente teórico, e somente transmite à Sua natureza relativamente limitada, a natureza geral do grupo de constelações, de modo que a força que elas ocasionalmente geram tem que ser levada em conta. Por exemplo, o interesse ultimamente despertado na mente do público pela gigantesca estrela Betelgeuse, na constelação de Orion, é devido ao fato de que tem havido uma interação de força entre o nosso minúsculo sistema e este gigante, e comunicação entre as duas Existências que lhes dão forma.

Rodas sistêmicas ou a vida atômica de constelações individuais, as quais são divididas em 343 grupos, que os Adeptos conhecem através de uma série de caracteres formando uma palavra que - através de sua natureza ideográfica - transmite informação essencial ao Adepto. O ideograma para o nosso sistema solar pode, em parte, ser revelado, não os próprios caracteres, mas uma condensação daquilo que eles representam. Nosso sistema solar é descrito como:

a. Um sistema da quarta ordem, tendo centros de força no quarto plano cósmico, tendo sua manifestação objetiva no quarto plano sistêmico, via o quarto subplano do plano físico sistêmico.

b. Um sistema de cor azul, laranja e verde esotéricos.

c. Um sistema que, para o Adepto, é ocultamente conhecido como “um signo aéreo no qual o Pássaro pode voar.”

d. Um sistema formado de “três fogos que formam um quarto.”

e. Um sistema no qual o Pássaro tem “quatro plumas na cauda”, e por essa razão pode, ocultamente, “elevar-se a um plano superior e encontrar a sua quinta.”

f. Um sistema que apresenta quatro grandes ciclos, e períodos menores de manifestação que são múltiplos desse número.

g. Um sistema que, na fraseologia alquímica dos Mestres, é considerado “um produto do quarto; o próprio quarto em processo de transmutação; e a pedra viva com quatro conchas.” Tudo isto pode ser visto de relance pelo Mestre que tem diante Dele a palavra ideográfica. Há também, à Sua disposição, outros ideogramas para Sua informação imediata, à medida que Ele estuda as influências que fazem contato com o nosso sistema solar.

Rodas planetárias. Para estas há dois modos de expressão.

Rodas das cadeias, chamadas rondas em alguns dos livros.

A revolução de qualquer globo.

O ciclo dos três mundos.

A roda de um plano.

A revolução ou aparência cíclica de um reino na natureza. Isto aplica-se dentro de um esquema, mas somente aos quatro reinos em aparência objetiva.
A revolução de um centro planetário produzindo o aparecimento monádico.

A roda monádica, ou o periódico aparecimento de unidades da quarta Hierarquia Criativa. Assim, descemos a escala através de todos os reinos e formas, até chegarmos à pequenina revolução de um átomo da substância.

Ao concluir nossos comentários a respeito das diversas rodas do universo, abordaremos rapidamente as “rodas” concernentes à mônada humana. Este é um assunto pouco discutido, embora algo já fosse dito a respeito da roda egoica.

É preciso ter em mente que a evolução da Mônada é algo muito mais intricado do que aquilo que aparece nos livros já publicados, nos quais, o desenvolvimento da consciência, e sua transição através dos reinos da natureza, são os pontos abordados. Todavia, tem havido ciclos anteriores que só poderemos compreender à medida que a história e evolução dos Logoi planetários forem gradualmente reveladas. Elas são partes do Seu corpo de manifestação, células daquele veículo maior, e portanto vitalizadas por Sua vida, qualificadas por Sua natureza, e distinguidas por Suas características. Isto, portanto, levará a história de uma Mônada de volta a kalpas anteriores. Não é possível revelar essa história, a qual, de qualquer modo, não serviria a propósito algum. Só mencionamos o fato porque ele deve ser abordado em linhas gerais, se quisermos conhecer com exatidão a verdadeira natureza do Eu.

Podemos considerar que a Mônada do ser humano passa por ciclos análogos aos que o Homem Celestial percorre. Há, primeiro que tudo, o vasto ciclo de desenvolvimento pelo qual a “centelha” passa. Isto cobre o período dos três grandes sistemas solares - o atual, o que o precedeu e o que se seguirá. Nestes três, a totalidade do Passado, Presente e Futuro cósmicos - corporificando os três aspectos da Vida divina do Logos solar - são levados a um ponto de perfeição em uma Mônada individualizada. É preciso lembrar que neste sistema solar, por exemplo, certos desenvolvimentos são recapitulações de processos evolutivos realizados em um sistema solar anterior; a chave para isto está em levarmos em consideração o princípio manásico ou mente. Os Anjos Solares, o fator individualizador inteligente, sob certos ângulos de visão, foram o produto de um sistema anterior, e só esperaram o momento no atual sistema quando as formas nos três reinos alcançaram o ponto de desenvolvimento sintético que tornou possível que eles fossem impressionados e influenciados de cima.

Neste conceito, temos uma ideia análoga à da entrada daquelas Mônadas, durante os dias da Atlântida, as quais tendo individualizado-se em uma outra cadeia, detiveram-se nos espaços interplanetários, até que as condições terrenas foram de molde a tornar possível a ocupação de formas adequadas. A correspondência não é exata, mas aproxima-se da verdade.

O vasto ciclo de desenvolvimento que tornou possível a evolução posterior, precedeu a este sistema solar, e pode ser considerado como a correspondência monádica de uma roda cósmica. Este ponto de desenvolvimento está implícito nas seguintes palavras de O Velho Comentário:

“O quinto não apareceu como o produto do presente. Os cinco raios dessa roda apresentavam, cada um, um ciclo de desenvolvimento, e outro em que eles eram soldados no centro.”

A Mônada apresenta ciclos análogos, embora em miniatura, àqueles da Vida Una Que permeia e anima todas as vidas menores. (13) Alguns desses ciclos cobrem períodos tão vastos de tempo, e de passado tão longo, que sua história somente pode ser transmitida, aos Adeptos que os estudam, por meio do som e de símbolos. Os detalhes desse desenvolvimento estão perdidos na noite de outros kalpas, e tudo que é possível ver são os resultados - tendo que aceitar a causa como existente, embora pareça inexplicável para nós, até que tenhamos recebido as iniciações maiores.

No giro da Roda monádica, abrangendo o período de três sistemas solares, encontra-se oculto o mistério da própria vontade monádica, e o segredo da razão porque algumas das Mônadas recusaram-se a encarnar, enquanto outras “caíram”, e outras prosseguiram nas atuais linhas da evolução. Recusaram-se a encarnar devido às condições grupais internas provocadas pelos processos evolutivos de kalpas anteriores. Será evidente, portanto, que a questão de quê constitui o pecado e o mal é muito mais intricada do que aparece na superfície. Do nosso limitado ponto de vista, parece ser “pecado” entrar em encarnação, e igualmente pecado ou vontade própria, autossatisfação, permanecer nos planos superiores sem evoluir. Todavia, ambos os grupos seguiram a lei do seu ser, e a solução do mistério reside naquilo que está porvir.

Se o estudante meditar com cuidado sobre o fato de que os três planos inferiores - o mental, o astral e o físico - formam o corpo físico denso do Logos planetário e, portanto, não constituem um princípio, ficará claro para ele que, através da necessidade, certas unidades ou células no corpo estão mais ativas, no tempo e espaço, do que outras. É preciso também levar em consideração que grupos de Mônadas entram em encarnação de acordo com o centro no Homem Celestial de um determinado esquema planetário, ou centro do Logos solar, que esteja em processo de vivificação ou atividade cíclica, e que certos centros de um Logos solar e este particular sistema solar estejam numa condição de pralaya parcial, por meio do processo de absorção das forças inferiores da vida solar, pelos centros de vitalidade superior. Mais uma vez o estudante precisa lembrar-se que o aspecto total da Vida Divina, de modo algum alcançará seu pleno desenvolvimento, em qualquer momento deste sistema solar: para tal, teremos que aguardar os impulsos vitalizadores de um sistema posterior. Isto porque existem no atual sistema solar, efeitos cujas causas foram originadas em kalpas anteriores, ou em outras palavras, sementes cármicas de passadas atividades logoicas.

O nosso Logos solar ainda não atingiu o Seu verdadeiro ritmo, pois durante milênios de ciclos terá que seguir o processo equilibrador. Tampouco o nosso Logos planetário atingiu o equilibrium, ou sequer o equilíbrio de forças; portanto, até que Seu ponto na evolução e Sua visão objetiva sejam conhecidos, e, conhecido também qual centro no corpo solar está vitalizado por Sua vida, fará parte da sabedoria evitar qualquer afirmação dogmática e pronunciamentos excessivamente liberais sobre Mônadas, encarnadas ou não. Todas estão girando ao redor da roda cósmica monádica; cada uma está sendo arrastada para alguma forma de atividade na revolução menor desta particular roda sistêmica, porém, nem todas as que pertencem a um ciclo particular giram em uma roda planetária específica. Muitas aguardam pelo desenvolvimento e por épocas mais apropriadas nos espaços interplanetários, e algumas terão que esperar até a chegada de um novo mahamanvantara. Os estudantes devem ter em mente as palavras de H. P. B. quando ela diz aos leitores da Doutrina Secreta que as estâncias e seus Comentários tratam primordialmente de nosso particular Logos planetário. Isto é frequentemente esquecido.

Talvez interesse aos estudantes saber que há certas cores, totalmente desconhecidas pela humanidade, que atualmente velam esses grupos de Mônadas não encarnantes. Essas cores somente chegarão à consciência dos seres humanos em um outro sistema solar, ou após receberem a sexta Iniciação. Tudo que temos na Terra são reflexos das verdadeiras cores, e também reflexo do aspecto mais inferior.

No cosmos, cada cor existe em três formas:

1. A verdadeira cor,
2. A ilusória aparência da cor,
3. Seu reflexo.

O reflexo é aquilo com que estamos familiarizados; a aparência, ou aquilo que vela a realidade, é contatada e conhecida quando vemos com o olho da alma, o Olho de Shiva, e a verdadeira cor (14) é contatada depois que já ultrapassamos o quinto reino, e a consciência grupal se está mesclando com a consciência divina. Os estudantes notarão, portanto, que a roda cósmica monádica pode ser visualizada em termos de “verdadeira cor”, e é vista pelo vidente iluminado como a fusão combinada das cores primárias dos três sistemas solares.

A roda sistêmica monádica somente concernente a este sistema solar, distingue-se por ser a totalidade das sete cores dos sete Homens Celestiais, e do ponto de vista do Adepto de quinta Iniciação, constitui a soma total das cores primárias dos grupos egoicos dos diferentes esquemas planetários.

A roda planetária monádica, que concerne ao particular grupo de Mônadas encarnando em um particular esquema, é vista pelo vidente como a fusão de grupos egoicos, mas com a diferença de que a cor é dual, e a coloração do raio da personalidade do Ego encarnante é também visto.

O ciclo egoico, ou o girar da roda do Ego encarnante é do maior interesse prático para o homem, e já foi abordado de algum modo. Para propósitos de clareza e elucidação, podemos ver também que esta roda gira em três ciclos e realiza três tipos de revoluções, abrangendo vários períodos de tempo.

Existe primeiro, a Roda da cadeia, ou a circulação da Mônada ao redor da cadeia inteira, e sua passagem por todos os globos e reinos. Seu estudo complica-se pelo fato de que, em qualquer cadeia em particular, as Mônadas raramente começam e terminam sua evolução; elas raramente emergem, atravessam seu ciclo e atingem seu objetivo. Não é possível dissociar uma cadeia da anterior ou da seguinte. Muitas Mônadas que alcançaram a autoconsciência na cadeia lunar, somente entraram em renovada atividade na metade da quarta raça-raiz; outras que se individualizaram na Terra, não conseguirão alcançar sua meta neste planeta. Existe aqui uma correspondência à evolução sistêmica, e há uma analogia entre as Mônadas que se recusaram a encarnar, e os Egos que não conseguiram tomar corpos, na Lemúria ou terceira raça-raiz.

Há ainda, a Roda de um globo, ou o processo de evolução em um globo em particular. O estudante precisa ter em mente que a Mônada, após a dissolução planetária, passa o tempo entre as encarnações em outros globos mais sutis, que são a analogia da esfera interplanetária ou intersistêmica.

Há também a Roda de uma raça, ou o ciclo menor de encarnações - formando uma série definida - onde a Mônada encarnante passa por um ciclo de vidas numa determinada raça.

Todos estes ciclos de manifestação periódica dizem respeito especialmente à aparência, ou a manifestação das “centelhas” e um ou outro dos três planos nos três mundos, ou em alguma parte do corpo físico do Logos planetário. Os ciclos menores encarregam-se disso; os ciclos maiores da roda ocupam-se da aparência ou surgimento das centelhas no corpo etérico planetário ou sistêmico, ou nos quatro planos superiores do nosso sistema solar. Podemos visualizar para nós mesmos a glória deste conceito; o jorrar das correntes de centelhas ígneas; a cintilação de pontos de fogo intensificado à medida que encontram condições para produzir a “ignição” oculta; e a constante circulação dos quarenta e nove fogos construídos dos sessenta bilhões de Mônadas humanas e incontáveis correntes de mônadas dévicas: o fogo por todos os lados - uma rede de rios de fogo de energia vivente, pontos focais de intenso brilho e, em toda a parte, as centelhas.

Há mais algumas considerações a serem feitas a respeito do girar das várias rodas e nós podemos então retornar às considerações sobre o movimento e os invólucros.

Dentro de todas essas rodas que acabamos de enumerar, encontram-se muitas rodas menores, todas governadas pelas mesmas leis, impulsionadas pelas mesmas três formas de atividade, e todas – em sua totalidade - formando um grande todo. Será evidente para todos os estudantes conscienciosos que os fundadores do método simbólico conseguiram transmitir, no símbolo da roda, uma ideia da triplicidade de toda a atividade atômica:

a. O ponto central da força positiva - o eixo.
b. A corrente de vida negativa - os raios irradiantes.
c. A esfera da própria atividade, o efeito da interação desses dois - a circunferência da roda.

Se o estudante puder imaginar essas rodas em atividade, se ele puder visualizar todas as partes da roda como compostas de rodas viventes menores, e se ele puder introduzir neste quadro um indício da interação de todas essas essências ígneas, coloridas com certos matizes predominantes, ele ficará ciente das condições e terá diante de si aquilo que é sempre visível para o vidente iluminado. Se, antes de fazer isto, ele puder visualizar o conjunto todo da roda sistêmica em um constante estado de circulação, no qual as pequeninas vidas menores são impelidas, pela força da vida solar central, a percorrer toda a extensão da roda, sendo assim impressionadas por todos os vários tipos de “substância-força”, então a natureza geral do método pode ser, de certo modo, determinada. Empregamos o termo “movimento”, mas que queremos realmente dizer? Simples e literalmente, a manifestação da energia gerada pela reunião de certos aspectos da energia, e o tríplice resultado assim obtido; as atividades resultantes desta corrente de energia elétrica dinâmica, emanando de algum centro, o qual evoca resposta de tudo com o qual entra em contato, e que faz com que as unidades que respondem se mantenham unidas em uma ou outra forma.

Sob o ponto de vista esotérico, tudo que se manifesta tem a forma esferoidal, e é apropriadamente, denominado uma roda, embora na manifestação física densa, as formas sejam diversas e muitas, e sem a visão etérica, a forma esferoidal de todas essas formas não é aparente. Como se explica isto? Há três razões principais para esta ilusão, encontrando na palavra “ilusão” (15) a chave para o mistério.

Têm-nos dito, em relação ao corpo físico denso, que ele não é considerado um princípio e - neste segundo sistema solar - não expressa as qualidades características do Logos solar e Sua presente encarnação. Dizem-nos também que as formas mais grosseiras da substância, tudo que é objetivo e tangível no plano físico estão vibrando numa clave característica do sistema precedente, sendo o resíduo (se podemos usar tal expressão) de um kalpa anterior.

Estes dois pontos devem ser levados em consideração e a latitude permitida por eles, quando tentamos expressar a verdade sobre o movimento. Portanto, um certo número de átomos da matéria estão por enquanto governados por uma vida interna que apresenta, como traço principal e distintivo, a faculdade de adesão muito mais estreita, e firme tendência a agrupar-se, que é inerentemente característica do atual corpo de manifestação do sistema solar. É preciso lembrar ao considerar isto que, tudo que é denso e grosseiro em todas as formas, diz respeito apenas às formas nos três subplanos inferiores, nos planos sistêmicos mais baixos. As formas são construídas de matéria de todos os planos, porém a porcentagem de matéria grosseira, como podemos claramente ver é pequena. A interação com a mônada mineral existe, tornando totalmente negativa a vibração dos três subplanos inferiores do plano físico; finalmente penetra nas formas que estão mais estreitamente aliadas à “verdadeira forma.”

A mônada mineral apresenta um problema ligeiramente diverso do problema dos outros reinos, pois é especificamente uma expressão das vidas que foram classificadas como os fracassos de um sistema solar anterior, e condenadas a submergir nas formas do reino mineral. Para o homem, a liberação surge quando ele consegue libertar-se da vibração dos três planos inferiores do nosso sistema solar, daquela parte da manifestação logoica que constitui Seu corpo denso, o qual, portanto, Ele não considera um princípio. Assim sendo, torna-se evidente que existe uma analogia digna de estudo na relação entre a mônada mineral, um ser humano, e um Logos solar. Considerando estes três como uma triplicidade esotérica, podemos obter muita luz se meditarmos sobre eles, vendo-os como sendo:

a. A vibração residual do sistema 1,
b. O ponto intermediário de atividade do sistema 2,
c. A energia subjetiva do sistema atual.

Se compreendermos isto e entendermos que existem na natureza forças residuais de outros sistemas, teremos encontrado a chave para grande parte do enigma da manifestação, da crueldade e morte, do sofrimento, e da agonia que vemos nos reinos vegetal e animal. E no reino animal eu incluo o corpo físico do homem. Teremos também a chave para alguns aspectos do Caminho da Mão Esquerda, e para o problema da causa básica do aparecimento dos magos negros. Assim como nenhum ser humano pode escapar dos efeitos da energia que ele gerou em uma vida anterior, também o Logos solar está tentando esgotar os efeitos de certas energias que são o resultado de Suas atividades anteriores no Sistema 1.

As formas físicas densas são uma ilusão, porque elas representam a reação do olho a essas forças já mencionadas. A visão etérica, ou o poder de ver a substância - energia é, para o ser humano, a verdadeira visão, assim como o corpo etérico constitui a verdadeira forma. Porém, até que a raça esteja mais desenvolvida, o olho percebe apenas a vibração mais pesada e somente responde a ela. Gradualmente, ele se libertará das reações mais inferiores e grosseiras, tornando-se assim um órgão da verdadeira visão. É interessante lembrar aqui o fato ocultista de que, à medida que os átomos no corpo físico do ser humano buscam sua evolução, eles avançam para formas cada vez mais refinadas, até que, eventualmente, encontram seu lugar dentro do olho, primeiro dos animais, e a seguir, do homem. Esta é a forma densa mais elevada em que podem ser construídos, e indica a consumação do átomo da matéria densa. Compreendido ocultamente, o olho forma-se através da interação de certas correntes de força, das quais encontram-se três no animal, e cinco, no ser humano. Por meio de sua conjunção e interação, eles formam aquilo que é chamado “a tríplice abertura” ou “a quíntupla porta”, através das quais a alma animal ou o espírito humano podem “olhar para o mundo da ilusão.”

A razão final porque a verdadeira forma esferoidal de todas as coisas, aparentemente, não pode ser vista no planeta, só pode ser expressa, nesta etapa, por meio de uma citação tirada de um antigo manuscrito encontrado nos arquivos dos Mestres:

“A visão da esfera superior está oculta no destino da quarta forma da substância. O olho olha para baixo e, eis que o átomo se perde de vista. O olho olha para os lados e as dimensões se fundem, e novamente, o átomo desaparece. O olho olha externamente, porém vê o átomo fora de proporção. Quando o olho nega a visão descendente, e vê tudo de dentro para fora, as esferas então serão vistas.”


Notas:
12 O homem precisa compreender a natureza da roda em que está girando, chamada em sânscrito a roda de Samsara. “Samsara” derivada da raiz Sri, mover, indica uma roda em movimento ou a grande roda da vida mutável para a qual as entidades humanas são chamadas a trabalhar e que jamais devem ser abandonadas por compaixão pelo homem e em obediência à lei da unidade que liga os muitos, na opinião de todos os verdadeiros iogues e Sri Krishna. O Instrutor explica a natureza da roda sansárica num certo modo peculiar que merece toda a atenção de vocês. Diz Ele, “Todos os Bhootas surgem do alimento e o alimento de Parjanya ou chuva. A chuva deriva de yagna e yagna, do Carma. Carma, do Veda e Veda é do Eterno.” Aqui temos uma escala Septenária com o bhoota (ou forma manifestada) por um lado e a eterna substância não manifestada para nós no outro lado. Se dividimos estes sete de acordo com o plano teosófico de quatro planos inferiores dominados por uma tríade superior, obtemos forma, alimento, chuva e yagna como os quatro inferiores e carma, Veda e eterna substância como a tríade superior. A substância eterna que permeia todo o espaço, elaborada pelo cantar do mundo e dando nascimento a todas as leis do carma que governam o desenvolvimento do mundo, desenvolve um quatro inferior, e estes quatro são originados por yagma - o espírito da evolução que conecta o superior ao inferior ou, de modo purânico, o espírito que procura somar à harmonia do não-manifestado oferecendo-lhe um campo de desarmonia onde trabalhar e estabelecer sua própria grandeza. Este espírito de yagna em seu caminho para produzir a forma manifestada dá nascimento a Parjanya ou chuva. A palavra Parjanya aplica-se à chuva e muitas vezes a um espírito cuja função é produzir chuva. - Alguns Pensamentos sobre o Gita. P. 127
13 Bíblia. I Pedro 2 : 4.
14 Cor - Originariamente significava uma “cobertura.” Da raiz “celare”, cobrir ou esconder. Também Occultare, esconder. Simbologia das cores. A linguagem do prisma, na qual “as sete cores maternas têm cada uma sete filhos”, ou seja, quarenta e nove matizes ou “filhos” entre os sete, cujos matizes graduados formam letras ou caracteres alfabéticos. A linguagem das cores, para o iniciado, tem cinquenta e seis letras. O septenário de cada letra é absorvido pela cor mãe, assim como cada uma das sete cores mães é finalmente absorvida pelo raio branco, a Divina Unidade simbolizada por estas cores.
15 Maya ou Ilusão. Maya é uma palavra que precisa ser devidamente compreendida para que possamos captar o espírito da filosofia antiga. A derivação para a palavra é Ma + Ya ou “não isso.” Maya é pois o poder que faz uma coisa parecer o que ela não é, ou um poder de ilusão oriundo da limitação de um antigo conceito de uma real unidade aparecendo periodicamente como multiplicidade pelo poder de Maya que coexiste com essa unidade.

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