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Livros de Alice Bailey

Um Tratado sobre o Fogo Cósmico

Índice Geral das Matérias

Seção Dois - Divisão E - O Movimento no Plano da Mente
I. OBSERCAÇÕES PRELIMINARES
II. A NATUREZA DESTE MOVIMENTO
III. RESULTADOS DE SUA ATIVIDADE
IV. O GIRAR DA RODA
V. O MOVIMENTO E O IMPULSO CONSTRUTOR DAS FORMAS
VI. EFEITOS DO MOVIMENTO SINTÉTICO
V. O Movimento e o Impulso Construtor das Formas
1. O Movimento e o Envoltório Mental
2. O Movimento no Corpo Causal

V. O MOVIMENTO E O IMPULSO CONSTRUTOR DAS FORMAS

1. O Movimento e o Envoltório Mental.

Na primeira seção deste Tratado abordamos várias fases de atividade ao tratar do “fogo por fricção”, e o movimento ígneo da própria substância. Mencionaremos apenas alguns outros aspectos do assunto, pois é necessário que o estudante tenha em mente certos pontos. É necessário que ele se esforce para determinar a relação entre a mente universal (ou a mente sistêmica) e a mente cósmica, e procurar compreender o propósito do envoltório mental, o qual é um dos mais interessantes dos vários corpos, devido à sua constituição gasosa ígnea. O estudante deve também procurar, através da meditação, aquele controle mental e alinhamento que resultam na estabilização, e uma resposta à impressão causal. Isto levará à transmissão da instrução egoica ao homem no plano físico.

Certos pontos ligados ao envoltório mental precisam ser enfatizados, embora nosso propósito seja apenas chamar a atenção para a sua natureza. Sob a lei da correspondência, o estudante deve ser capaz de chegar a certas conclusões e julgar criteriosamente a indicação do propósito e lugar de um determinado grupo de pitris lunares que formam o veiculo.

O corpo mental compõe-se apenas de quatro tipos de essência, enquanto que o corpo astral e o físico são formados de sete tipos. Os devas que compõem este corpo são agrupados como “a tropa da quarta ordem”, e têm uma estreita conexão com aquele grupo de Vidas cósmicas, as quais, através da impressão de sua influência sobre a matéria solar, são responsáveis pelo fato de nosso sistema solar ser um sistema da quarta ordem. Este grupo de Vidas é manipulado e controlado, no sentido macrocósmico, a partir de níveis cósmicos mentais, via o sol central espiritual, e através daquilo que é chamado, em linguagem esotérica, “a quarta cavidade solar.” Se os estudantes meditarem sobre a natureza do coração humano e suas várias divisões, e particularmente sobre uma das válvulas, uma luz será lançada sobre esse complexo problema. Há um constante fluxo de energia emanando dessas grandes Entidades nos níveis mentais cósmicos; este fluxo é a própria vida das unidades solares que compõem a soma total dos quatro subplanos inferiores do plano mental, e consequentemente, a vida das unidades individuais que formam os corpos mentais de todos os seres humanos.

Ficará evidente para todos os estudantes atentos que, em todos os planos, o quarto subplano tem uma peculiar e estreita relação com a quarta Hierarquia Criadora, a das mônadas humanas, sendo este especialmente o caso em relação ao corpo mental. Por intermédio do número do plano (cinco), e do número do subplano (quarto), a possibilidade de iniciação para o ser humano torna-se um fato, e realiza-se aquela particular forma de atividade que distingue seu progresso. Há, por conseguinte, duas correntes principais de energia responsáveis pela forma dos invólucros mentais:

a. Aquela que emana do quarto subplano do plano mental cósmico, incluindo, por conseguinte, os três subplanos restantes.

b. Aquela que emana do agregado de Vidas que formam a quarta Hierarquia Criadora. Como sabemos, nove é o número esotérico desta Hierarquia, sendo quatro o numero exotérico.

É a mistura destas duas correntes de força que - dentro dos limites dos três mundos - resulta na progressiva atividade do homem. Quando isto é acoplado à atividade autodirigida dos átomos individuais de qualquer invólucro, temos então o movimento progressivo em espirais. Isto é verdade tanto macro, quanto microcosmicamente, pois a atividade do plano físico cósmico (nossos sete planos sistêmicos) depende em grande parte da atividade coordenada de certas manifestações de força, que podem ser assim enumeradas:

a. Ada quarta Hierarquia Criadora, a qual, em seu agregado, forma os centros de força.

b. As influências emanando do quarto éter cósmico, o plano búdico, das quais depende a manifestação tangível e objetiva de todo o sistema.

c. A abertura tanto macrocósmica quanto microcósmica do quarto aspecto do lótus egoico solar e humano; isto é a revelação da “Joia do Lótus” e, macrocosmicamente, representa a perfeita coordenação dos três aspectos por intermédio da substância, sendo a culminação do propósito egoico, o qual é o do quarto grupo. Podemos também expressar isso de outra maneira.

“Quando conhecermos todo o significado da existência quadrimensional, então a quarta ordem, com a quinta, completarão o sagrado nove.”

d. O alinhamento específico, a interação ou livre circulação de força simultaneamente através das seguintes manifestações da vida una:

1. O Quaternário logoico e também o humano.
2. O quarto éter sistêmico.
3. O quarto éter cósmico, o buddhico.
4. A quarta Hierarquia Criadora.

Quando isto tiver sido completado, a meta universal terá sido alcançada e o Logos terá assumido o desejado controle do Seu corpo físico; as unidades humanas estarão então funcionando no plano buddhico, e os grupos de vidas que formam os corpos mentais dos seres humanos (que são numericamente ligados à progressão acima) terão igualmente atingido a meta.

Certas influências e forças atuam sobre o envoltório mental de todos os seres humanos, produzindo nele aquela atividade denominada “espiral progressiva.” Essas forças abrangem o seguinte:

1. As energias dos átomos da substância que compõem o corpo mental.

2. As energias do pai lunar que é a vida coerente do corpo mental grupal. Estes dois grupos dizem respeito ao Não-Eu, o terceiro aspecto da manifestação monádica.

3. As energias do Anjo solar, ou Pai, que é o princípio coordenador por trás da manifestação nos três mundos.

4. As energias das vidas inteligentes que formam o corpo egoico, as quais têm sua fonte emanadora em outros níveis que não os sistêmicos. Estes dois grupos dizem respeito ao princípio egoico, o princípio do meio, o qual une o que está em cima com o que está embaixo, ou seja o segundo aspecto da manifestação monádica.

5. A energia que emana da própria “Joia do Lótus”, o ponto focal de energia da Tríade Superior. Isto diz respeito ao Eu, o aspecto superior da manifestação monádica.

Os efeitos produzidos pela ação destes cinco tipos de energia, uns sobre os outros, produzem, por intermédio da unidade mental, aquilo que nós denominamos envoltório mental. Este envoltório nada mais é do que o agregado daqueles átomos, contidos numa área específica, com a qual o Pensador tem a ver, a qual Ele mantém magneticamente dentro de seu círculo-não-se-passa, e que serve de meio para a sua expressão mental, de acordo com seu ponto de evolução. Esta mesma definição aplica-se a todos os envoltórios atômicos, e uma das coisas que os estudantes das ciências esotéricas farão, eventualmente, é investigar a natureza das vidas formadoras dos envoltórios, a qualidade das energias que influenciam essas vidas, e o caráter e a força dos princípios básicos subjacentes. Desse modo, os estudantes chegarão aos fatos concernentes às energias no reino humano, os quais serão de inestimável valor.

Com o fim de manter a ideia básica deste Tratado correspondendo às suas várias seções, chamo a atenção para os quatro pontos que temos considerado relativos ao movimento nos envoltórios físico e astral. Vimos que são quatro os efeitos desse movimento:

Separação.
Momentum.
Atividade friccional.
Absorção.

Separação. Esta separação é efetuada por meio da atividade inicial do Ego, ao produzir a primeira daquelas formas que ele pretende usar, durante o ciclo de encarnação, mediante o agrupamento dessas energias, através do impulso autogerado. Com o propósito de evoluir, ele identifica- se com essa forma, e temporariamente, separa-se do seu Eu real. Através do véu de matéria mental, ele conhece a separação e sofre as primeiras experiências dos três mundos, ou seja, ele lida com a separação a partir do aspecto mais elevado. Do ponto de vista da personalidade, também se observa a separação, porque a atividade do envoltório monádico, sua própria vontade interna, produz a formação de uma esfera de atividade, distinta em sua natureza e governada por suas próprias leis, a qual até que seja alcançado um certo alinhamento durante a evolução - vive sua própria existência separada dos dois envoltórios inferiores, o astral e o físico. Assim, podemos realmente dizer que “a mente é a assassina do Real"16 e serve como a “grande Enganadora" do Eu, em um caso, e como a “grande Separadora", no outro; ela coloca-se entre a vida egoica centralizada e as existências da personalidade.

Esta vida de separação torna-se cada vez mais forte à medida que a ação giratória em espiral do corpo mental se intensifica durante os ciclos de manifestação, e a Ideia “individualizada” torna-se dia a dia mais dominante. O princípio “Ahamkara”, (17) como é chamado na Doutrina Secreta, executa seu trabalho, e o homem torna-se fortemente autocentrado e autoconsciente na conotação inferior do termo. Mais tarde, à medida que as energias superiores entram em ação e é feito um esforço para equilibrar os três tipos de manifestação da força nos três mundos, por meio dos três veículos, o Ego percebe a ilusão e eventualmente dela se liberta. Quando isto está a ponto de consumar-se durante as etapas finais da evolução, o corpo mental torna-se um transmissor das correntes de força vindas da mente egoica, o antahkarana entre a mente superior e o envoltório mental é construído, e o “corpo mental transmissor” mescla- se com o “corpo astral refletor.” Assim é eliminada a separação.

Os estudantes notarão, portanto, que a meta do corpo mental é simplesmente tornar-se um transmissor dos pensamentos e desejos do Anjo solar, e atuar como o agente da Tríade. A meta para o corpo astral é tornar-se um refletor dos impulsos buddhicos, os quais alcançam o corpo emocional via certas pétalas no lótus egoico, e o átomo astral permanente. O processo de equilibrar as forças na personalidade (resultando em estabilidade e alinhamento) é realizado através da manifestação científica das reações elétricas dos três envoltórios.

O corpo mental, na totalidade de suas forças é considerado positivo, enquanto os corpos físicos são considerados negativos em relação ao mental. Por sua vez, o veículo astral é o ponto de conciliação, ou unificação, das energias; é o campo de batalha onde as dualidades são ajustadas entre si e onde o equilibrium é alcançado. É este o conceito subjacente quando usamos as palavras corpo “kama-manásico”, porque, durante dois terços da viagem do peregrino, este corpo serve a um propósito dual. Somente na etapa final da sua jornada é que o homem estabelece a diferença entre vontade e desejo, e entre o seu corpo mental e o corpo astral.

Momentum. A atividade do envoltório mental e sua gradual aceleração é resultado do influxo de energias de diferentes espécies, as quais, à medida que incidem sobre o envoltório mental provocam uma crescente atividade e velocidade no movimento giratório dos átomos individuais, como também maior velocidade no progresso de todo o envoltório. Isto significa maior rapidez na substituição dos átomos de baixa vibração por outros de alta qualidade.

Isto implica numa transição mais rápida das várias energias, ou seja, um aumento da ação em espiral. Este é um dos fatores que resultam além de uma encarnação mais rápida, uma assimilação maior das experiências aprendidas. É um fato curioso que, do ponto de vista do pensador comum, este fator causa períodos devachânicos mais longos, porque estes ciclos de reflexão mental interna estão sempre aumentando sua atividade. São ciclos de intenso ajustamento mental e de geração de força até que, próximo do fim do ciclo da encarnação, a atividade gerada mostra-se tão forte que a continuidade da consciência torna-se um fato consumado, e então, frequentemente, o homem abre mão desse período devachânico por não mais necessitar dele. Outros resultados, advindos dessa aceleração, são a atividade da quarta dimensão das várias “rodas”, que, não só começam a girar, mas também a “girar sobre si mesmas”, e a vivificação das quatro espirilas da unidade mental. Podemos enumerar algumas das energias responsáveis pelo fortalecimento do momentum, e com isso os estudantes perceberão melhor como é complicado o processo do desenvolvimento humano. Essas energias são:

1. A direta e crescente influência do Anjo solar, a qual se faz sentir em quatro etapas:

• Quando as três camadas de pétalas se abrem.
• Quando a “joia interna” irradia mais poderosamente.

2. A ação reflexa proveniente da personalidade física, isto é, as correntes de pensamento enviadas pelo cérebro físico, ao longo do tempo.

3. As atividades do corpo astral.

4. As correntes de pensamento ou unidades de energia iniciadas pela identificação com os grupos nacional, familiar, racial e egoico.

5. As correntes que invadem os corpos mentais de todos os seres humanos à medida que diferentes Raios entram e saem de encarnação.

6. As forças e energias que se tornam ativas ou latentes durante diferentes ciclos.

7. A interação entre planetas, ou entre sistemas e constelações como pode ser ilustrada pelo efeito da energia venusiana sobre a nossa Terra,

e muitos outros fatores, numerosos demais para serem todos eles mencionados. Todas essas inúmeras energias são responsáveis por acelerar, em alguns casos, ou retardar em outros, o processo evolutivo.

Os estudantes precisam lembrar-se que todos os grupos egoicos são regidos pela Lei do Carma, porém somente no que tange ao Homem Celestial, e não à lei tal como se demonstra nos três mundos. Esta lei cármica, que é o impulso governante de Seu centro, revela-se de modos peculiares, e uma vez que as mônadas humanas compõem esses centros, cada grupo apresentará seus próprios problemas de “atividade", girará em espiral ao redor do Ser segundo sua própria maneira peculiar, e demonstrará qualidades e movimentos diferentes dos de seus irmãos. Por exemplo, através da retirada da energia e não devido a inércia básica, as mônadas que constituem a soma total do centro de força criativa do Homem Celestial mostram qualidades de violenta reação, no plano físico, contra certas “leis da natureza”, e no período de sua transição do chakra mais inferior para o chakra laríngeo do Homem Celestial, elas exibem qualidades de revolta que as tornam um enigma para seus irmãos.

Precisamos agora abordar a “atividade friccionai” do envoltório mental, e a atividade do envoltório que se manifesta como absorção. Lembremo-nos que os dois dizem respeito ao envoltório mental como um todo. O resultado desta atividade é ação giratória em espiral progressiva.

Atividade friccional. Como podemos deduzir, estas palavras referem- se ao “fogo por fricção” e, portanto, ao aspecto mais inferior da energia do envoltório mental. A força da vida dentro do envoltório manifesta-se na ação atrativa e repulsiva dos átomos individuais, e esta constante e incessante interação resulta no “calor oculto” do corpo, e sua crescente radiação. É também um dos fatores responsáveis pela gradual construção de novos átomos de substância (sempre de melhor e mais adequada qualidade) e da expulsão daquilo que não serve como meio para a expressão inteligente.

A unidade mental é a síntese dos quatros tipos de força das quais estamos tratando e de suas quatro expressões, objeto de nossa consideração.

Cada um dos grupos de vidas que são a essência viva dos quatro subplanos, enfoca-se através de uma das espirilas da unidade mental e assim influencia

a. O próprio envoltório,
b. O homem no plano físico,
c. Parte do chakra coronário, expressando em maior ou menor grau essas quatro qualidades.

Devemos observar aqui que alguns instrutores ocultistas dão a esses grupos, nomes que expressam a ideia da sua função predominante.

As “Vidas” do quarto subplano (onde se encontra a unidade mental) são chamadas “Os absorventes do que está acima e do que está abaixo” ou “Os aspectos transmissores da quarta ordem.” Essas Vidas recebem e absorvem a energia do Ego na etapa inicial da encarnação, e por outro lado, recebem e absorvem as energias da personalidade durante o período final de encarnação. Por conseguinte, podemos considerar sua atividade como correspondente à do primeiro aspecto. Se nos lembrarmos que o processo cósmico repete-se em cada plano, e que o Ego, nos três mundos, representa o não-manifestado, vemos que essas “vidas” constituem os separadores iniciais, e os “destruidores” finais.

No plano seguinte, as vidas que utilizam a segunda espirila da unidade mental, são chamadas “pontos de interação do momentum cíclico.” Esses pontos que acumulam o momentum por meio do processo de atração e repulsão representam, no corpo mental, a força dual, pois é somente através do processo de reunião e separação dos átomos, grande e pequena, macrocósmica ou microcósmica, que a manifestação de qualquer espécie se torna possível.

No subplano que é formado de vidas funcionando através da terceira espirila, encontram-se “os pontos de atividade friccionai”, ou “os produtores de calor” e estes três - os absorventes, os pontos de momentum, e os que produzem calor - fazem jorrar suas forças unificadas através das “vidas separadas” que formam a verdadeira barreira entre o corpo seguinte e o envoltório mental. Isto é somente possível quando seu trabalho é unificado e sintetizado. O estudante precisa lembrar-se que as vidas são a expressão da Vida una, porém que uma ou outra das espirilas será o meio para expressar específicas qualidades dessas vidas. Estamos lidando especificamente com o quarto efeito do movimento no envoltório mental ao manifestar-se através de todo o veículo.

Absorção. Esta é a faculdade que produz as formas do círculo-não-se-passa mental, e que ao final do ciclo, é o princípio ativo que se encontra por trás da manifestação devachânica. Se o estudante considerar o processo macrocósmico, poderá chegar ao conhecimento da separação do corpo mental e sua função individual. Estamos nos referindo ao “recolhimento celestial”; sob a lei da analogia não é fácil seguir os vários passos e etapas, pelas razões que se seguem.

Todos os nossos planos, sendo os subplanos físicos cósmicos, formam o corpo físico logoico. Quando de Sua retirada final de manifestação, Ele funciona em Seu corpo astral cósmico, e o devachan cósmico está ainda longe do Seu alcance, e portanto, é impossível concebê-lo. Por conseguinte, tudo que podemos considerar são certos pontos referentes ao “repouso nos Céus”, do homem.

Absorção no devachan significa absorção em uma definida etapa de consciência dentro do corpo físico logoico; devachan, portanto, é ocultamente um estado de consciência, porém de consciência considerada em termos de tempo e espaço nos três mundos. Portanto, não há uma localidade para a unidade de consciência, ou seja, o homem, mas para o ponto de vista do Homem Celestial, ela existe. Prakriti (matéria, matter) e consciência - em manifestação - são inseparáveis.

O “devachan” dos livros ocultistas está ligado à consciência do corpo planetário logoico, e com o subplano gasoso do plano físico cósmico. Consequentemente, é transcendido no momento em que o homem começa a funcionar nos éteres cósmicos, como o quarto éter cósmico, o plano búddhico. Este está estreitamente vinculado com certas forças cármicas, porque, enquanto permanece no devachan, o homem mantém-se ocupado com o agregado de pensamentos-forma que ele construiu, os quais são essencialmente de natureza oculta, mental e persistente.

É durante o devachan que o homem dá formato e polimento às pedras com as quais ele edifica o Templo de Salomão. É a oficina para onde são levadas as pedras individuais (as boas ações e os bons pensamentos) para serem modelados depois de extraídos da pedreira da vida pessoal.
Sendo de matéria mental, podemos considerar o devachan como um centro, ou coração de paz, dentro da periferia da esfera de influência da unidade mental. As quatro espirilas formam quatro correntes de forças protetoras. Podemos ver uma analogia destas correntes de força nos quatro rios que fluem do Jardim do Éden. Deste jardim, o homem é dirigido para o mundo de encarnação física, e o Anjo com a espada flamejante, protege a entrada, impedindo-lhe o acesso até o momento em que sua evolução lhe permita apresentar-se ao portal, carregado com as pedras que suportaram a ação do fogo. Quando ele submete essas pedras ao fogo e elas resistem ao teste, ele pode então entrar novamente no “Céu”, embora sua estadia ali seja limitada pela natureza e qualidade daquilo que ele apresentara.

Quando, no devachan, a consciência tiver absorvido todas as essências da experiência da vida, até mesmo essa localidade, ou aspecto da matéria, será incapaz de envolvê-lo, e ele escapa da limitação e penetra no veículo causal.

2. O Movimento no Corpo Causal.

Já estudamos um pouco desta atividade que se manifesta de quatro modos, no envoltório mental, e a razão de pouco termos mencionado este assunto, é que o envoltório mental é regido pelas leis da matéria, e sujeito às mesmas regras aplicadas aos veículos materiais de tudo que existe, com a única diferença de que é matéria de grau mais refinado. Assim sendo, o estudante pode aplicar ao mental o que dissemos antes sobre o corpo astral e o físico, e assim evitar a necessidade de entrar em maiores detalhes. O corpo causal difere do aspecto Brahma apenas por ser a corporificação mais plena da vida do segundo aspecto, cujas características são nele predominantes. Para estudar a natureza do movimento no veículo causal necessitamos de clareza de pensamento e a devida apreciação da natureza desse corpo.

É preciso lembrar que estamos lidando aqui especificamente com o veículo de manifestação de um Anjo solar, que é a vida que lhe dá forma, e que está em processo de construí-lo, aperfeiçoá-lo e expandi-lo, e portanto, refletindo, em pequena escala, o trabalho do Logos em Seu próprio plano. Cada parte do corpo causal é acionada pela força que emana de um ou outro dos grandes centros, e é importante considerar as partes componentes deste “Templo da Alma”, estudar o tipo de atividade impulsionadora, e chegar ao conhecimento das forças que atuam sobre e através dele. Abordaremos cada uma, começando pela fileira exterior de pétalas.

As Pétalas do Conhecimento. Estas são as que representam o aspecto mais inferior da Tríade respondendo ao tipo inferior da força egoica. São em número de três, e estão sob a influência de certas correntes de atividade.

a. Uma corrente de energia emana da tríade inferior de átomos permanentes, particularmente o átomo físico permanente, via uma das três pétalas, a do conhecimento. A corrente de força gerada no eu inferior circula numa corrente tríplice (o reflexo no Eu inferior do tríplice Caminho para Deus) ao redor do triângulo atômico na base do lótus egoico. Quando de força e pureza suficientes, ela afeta a fileira exterior de pétalas. Isto começa a ser sentido durante o terceiro período da evolução do homem, quando ele se torna uma unidade, ou átomo, de inteligência comum. Esta energia, quando mesclada à vida inerente das vidas atômicas que formam as pétalas, produz finalmente aquela íntima fusão de alma e corpo que torna o homem uma alma vivente.

b. Com o tempo, uma outra corrente de energia emana da segunda fileira de pétalas, quando em atividade; esta segunda fileira é peculiarmente instintiva com a vida e qualidade do Manasaputra em manifestação. A segunda fileira de pétalas, em qualquer lótus egoico, é a que nos dá a chave para a natureza do Anjo solar, assim como a fileira exterior representa - para a visão interna do Adepto - a indicação do ponto de evolução da personalidade. Ao olhar o lótus egoico, o vidente pode identificar a natureza do;

Eu pessoal, através da condição do triângulo atômico, e da fileira de pétalas exteriores.

Eu Superior, através da cor e organização da fileira central de pétalas. Através da organização das vidas atômicas formadoras das pétalas, e da circulação das correntes de forças nessas pétalas, esta fileira revela a “família” do Anjo solar.

Mônada, através do círculo interno de pétalas; seu estágio de percepção inferior é revelado.

O número do Raio em questão é conhecido pela qualidade da “luz” emanando da joia oculta.

Em todas estas pétalas, estão envolvidos grupos de vidas - solares e de outra espécie - cujas correntes de energia focalizam- se através delas. Isto é evidente para aqueles que possuem a chave. É um fato curioso que as correntes de força formadoras das pétalas e que estão em constante fluxo, produzem aparentemente “símbolos-chave” dentro da periferia da roda egoica, revelando-se assim através de sua própria atividade.

c. Um terceiro tipo de energia é aquele que - ao final da evolução - faz-se sentir através do círculo interno de pétalas, e que é o resultado do fluxo da força monádica, ou atma.

d. Em suma, quando abertas, as pétalas são, portanto, transmissoras de vida ou energia proveniente de três fontes:

1. Eu inferior Pitri lunar Pétalas do conhecimento.
2. Ego Anjo solar Pétalas do amor.
3. Mônada Pai no Céu Pétalas do sacrifício.

É então possível fazer-se sentir uma forma de energia ainda mais elevada - a energia do centro do corpo do Homem Celestial ou Logos planetário, o Qual usa a “Joia do Lótus” como seu ponto focal.

Neste resumo, tratamos dos principais tipos de energia manifestando-se no corpo egoico ou causal. Há, porém, outras influências a considerar também em relação à fileira exterior de pétalas.

e. Há a energia que alcança diretamente as pétalas do conhecimento vinda do átomo manásico permanente. Os átomos permanentes da Tríade Espiritual, assim como os corpos que, ao redor deles são construídos, introduzem certos grupos de vidas dévicas que ainda não estudamos aqui. Eles não são os pitris lunares, no sentido em que esse termo é compreendido; porém, têm uma ligação direta com o que é chamado “a lua cósmica”, ou aquele sistema solar em extinção, o qual tem, com o nosso sistema, a mesma relação que a lua mantém com a cadeia terrestre. Esta “lua cósmica” transmite sua energia para o subplano atômico manásico via o planeta Saturno. É uma energia tripla, e há uma conexão esotérica entre esta tripla energia e os anéis de Saturno.

O Velho Comentário expressa esta verdade sobre um interessante grupo de filhos de manas do seguinte modo:

“Estes filhos da mente agarraram-se à velha e agonizante forma, recusando-se a abandonar sua Mãe. Preferiam dissolver-se com ela, porém, um filho mais jovem (Saturno) procurou salvar seus irmãos, e construiu uma ponte tripla entre o velho e o novo. Esta ponte persiste, formando um caminho por onde é possível escapar.

Alguns escaparam e vieram ajudar os encarnantes Filhos da Mente que haviam abandonado a Mãe pelo Pai. Fora estendida a ponte sobre o abismo maior. O abismo menor ainda persiste, e os próprios viventes Filhos da Mente deverão estender a ponte.”

(Esta última condição, refere-se à construção do antahkarana)

A energia transmitida do átomo manásico permanente de cada jiva encarnante, sua união com seu reflexo, a energia da unidade mental e a tripla corrente de força assim criada no plano mental, tem seu reflexo planetário na relação de Saturno com um outro esquema planetário, e os três anéis que são os anéis de energia, e símbolos de uma verdade interna.

f. A energia também flui para as pétalas do conhecimento vinda do grupo egoico, ou do agregado das pétalas do conhecimento de todos os outros lótus, no grupo afiliado a qualquer Anjo solar em particular. Desses grupos já tratamos anteriormente.

g. A energia também é transmitida às pétalas pelos grupos e emanações daqueles esquemas planetários e correntes de força que formam as pétalas externas daquele grande centro que é o nosso sistema solar, o qual, segundo nos dizem, é visto a partir dos planos superiores, como um lótus de doze pétalas. Essas correntes não emanam dos sete planetas sagrados, e sim de outros corpos planetários dentro do Círculo-Não-Se-Passa solar. Correntes de força oriundas dos Planetas Sagrados incidem sobre a fileira central de pétalas. Eis aqui um indício para o estudante atento e uma pista para a natureza do aspecto mais inferior do Anjo solar.

As Pétalas do Amor-Sabedoria. As correntes de energia que atuam sobre e através desta segunda fileira de pétalas muito se assemelham às que já foram discutidas, embora se originem de diferentes grupos de vidas (lunares e solares).

a. A forma inferior de energia que alcança este círculo, emana do eu inferior, via o átomo astral permanente, e a segunda pétala da fileira exterior. É energia astral transmutada, mais poderosa que sua correspondente na primeira fileira, devido à inerente natureza do corpo astral, e ao fato de que é aumentada pela energia da própria fileira exterior. Este é um dos fatores responsáveis pelo rápido progresso feito no final do período evolutivo. Há certas correntes de força na evolução da Mônada que parecem representar para ela a linha de menor resistência e são, especificamente começando pela mais inferior:

a. Emanações do reino vegetal.
b. Energia astral.
c. A energia do segundo círculo de pétalas.
d. Força búddhica.
e. A atividade do segundo Logos, planetário ou solar.

Isto, é claro, aplica-se somente ao nosso sistema solar, o qual é o sistema do amor regenerativo.

b. Uma outra forma de energia influente origina-se do círculo interno de pétalas, que é o ponto focal de força para a Mônada, considerada como atma. Devemos destacar que as correntes de força formadoras das “pétalas da vontade” possuem uma atividade dinâmica, e, quando em ação, provocam um desenvolvimento muito rápido. Dos dois tipos de força, esta constitui a interna; sua mútua interação fornece o estímulo necessário, e resulta na abertura do botão e a revelação da Joia.

Os demais tipos de energia encontram sua correspondência naqueles já enumerados, porém quero mencionar um deles somente - aquele que alcança a segunda fileira das pétalas do amor, via o átomo búdico permanente. A energia que daí se origina é de uma espécie particularmente interessante, sendo a energia básica de toda a manifestação, e a soma total das forças que formam o coração sétuplo do Sol físico, e estão localizadas dentro de sua protetora luminosidade. Por sua vez, elas são transmissoras dos impulsos vitais partindo do coração do Sol Central Espiritual, de modo que assim temos uma direta e graduada cadeia de energias transmissoras, do

a. Coração do Sol Espiritual Central,
b. Coração sétuplo do Sol físico,
c. Dos devas búdicos,

para

d. O círculo central de pétalas.
e. O átomo astral permanente
f. O centro do coração dentro da cabeça.
g. O centro cardíaco.

Esta energia búdica é a soma total da força da vida de Vishnu ou o Filho, Que é o transmissor e representante de uma Deidade cósmica ainda maior.

Tudo que foi dito acima serve para demonstrar a unicidade do ente mais minúsculo com a grande Vida que lhe dá a forma, mostrando assim a beleza do esquema. A vida do maior Senhor cósmico, o Senhor do Amor, pulsa em grau infinitesimal no coração do seu mais ínfimo reflexo, e por esta razão o átomo homem pode igualmente dizer, “Eu também sou Deus; Sua vida é a minha vida.”

As Pétalas do Sacrifício. As energias ou as forças que fluem, produzindo assim atividade na fileira interna de pétalas, as Pétalas de Sacrifício, são também similares, em natureza, às demais enumeradas, além de possuir um definido e duplo estímulo de poder.

Uma influência estimuladora origina-se do Aspecto Vontade da Mônada, através da transmissão do primeiro aspecto modo do Logos planetário, e a outra emana do “Sagrado Botão que vela a Joia.” Esta é uma vibração particularmente forte, porque, quando a fileira interna se abre, a joia é revelada, e os 3 “véus” ou “pétalas sagradas” abrem-se sucessivamente quando as três fileiras se desdobram.

Fica assim aparente quão numerosas são as influências responsáveis pelo “movimento”, ocultamente entendido, do lótus egoico. Há a vida inerente das unidades atômicas que compõem cada pétala, e a vida circulatória da própria pétala, considerada como unidade individual. Há também a vida do círculo de três pétalas, e a isto precisamos acrescentar a unificada atividade dos três círculos externos, ou a mesclagem das forças do conhecimento absorvidas pelo eu pessoal, as forças do amor, que são as energias naturais do Anjo solar, e as forças do sacrifício que emanam da Mônada. Temos assim, um maravilhoso conjunto de correntes de energias, todas elas representando energias internas, e ainda maiores, por serem elas energias cósmicas.

Finalmente, temos a força dinâmica da “Joia” no Coração, que é ela própria o ponto focal para a vida do Logos planetário, e por meio do Logos planetário, de todos os demais Logoi.

Assim, vemos que as potencialidades latentes no jiva encarnante são estupendas, e que ele pode tornar-se um Deus, desde que ele se submeta ao processo evolucionário e não “se recuse a ser estendido sobre a roda.” Assim, as expansões de consciência que aceitarão conselhos de um ponto individual de vida espiritual, e a Sabedoria da Deidade, não são uma vã promessa, mas sim constituem uma garantia, pela própria constituição do veículo empregado, e do lugar no esquema ocupado pelo “Ponto em desenvolvimento”, como às vezes o Ego é chamado. Nada no tempo e no espaço pode impedir, pois cada forma é simplesmente uma expressão de vida energizada e tende a servir todas as outras formas. Algum tipo de estimulação, a tendência a aumentar a vibração das energias que entre si estabelecem contato, o aumento de atividade de cada ponto centralizado à medida que contata outros pontos na elevação geral da vibração por meio da interação dessas forças, tudo isto impulsiona o sistema inteiro à sua consumação, e à revelação da “glória que será um dia revelada.” (18) Todas estas forças formam o agregado que denominamos “vida fohática.” À medida que o sistema, ou corpo do Logos, é levado a avançar através da energia em todas as suas partes, também cada parte infinitesimal é acelerada, levando-a a idêntica glorificação individual. Os muitos que formam o Todo, e as unidades que constituem o Uno, não podem ser diferenciados quando é alcançada a consumação. Eles misturam-se e juntam-se e perdem-se na “beatífica luz” geral, como é às vezes chamada. Podemos então, expandir um pouco mais o conceito, e tomar consciência da interação cósmica que igualmente se está processando. Podemos visualizar a estimulação e intensificação cósmica à medida que as constelações formam as unidades no Todo em lugar de planetas ou átomos humanos. Sois inteiros com seus sistemas, em sua imensidade, desempenham o papel de átomos. Assim talvez possamos fazer uma ideia do propósito unificado que subjaz ao girar da grande Roda do Céu cósmico, e o desenvolvimento dos propósitos da vida daquelas estupendas Existências Que mantêm uma posição na Hierarquia cósmica similar à “DAQUELE CUJO NOME NÃO PODE SER DITO.”

Não é possível dar aos estudantes uma ideia adequada da beleza do lótus egoico quando ele atinge a etapa de completa abertura. Não me refiro aqui à radiância de suas cores, mas sim ao brilho dos fogos, às rápidas cintilações das correntes incessantemente em movimento, e aos pontos de energia. Cada pétala pulsa com o tremular dos “pontos” de fogo, e cada fileira de pétalas vibra com vida, enquanto no centro cintila a Joia, irradiando correntes de energia do centro até à periferia mais afastada do círculo.

Os fogos da energia viva circulam ao redor de cada pétala e o método da textura e da circulação dos fogos é (como bem podemos compreender) de acordo com a sétupla natureza do logos em questão. Cada círculo de pétalas torna-se, a medida que a evolução prossegue, igualmente ativa e gira ao redor da Joia central, de modo que temos, não apenas a atividade das pétalas, e não apenas a atividade dos pontos vivos ou vidas dévicas no interior da circunferência da pétala, mas também a atividade unificadora de cada fileira do lótus tríplice.

Numa específica etapa, na evolução anterior à abertura do véu que encobre o botão central, as três fileiras de pétalas, consideradas como uma unidade, começam a girar, de modo que todo o lótus parece estar em movimento. Nas etapas finais, o círculo central de pétalas abre-se, revelando o que está oculto e girando ao redor da Joia, mas em direção contrária à do lótus externo circulando rapidamente. A razão para isso não pode ser revelada, pois está oculta na natureza do próprio Fogo Elétrico do Espírito.

A Joia permanece ocultamente estática, e não circula. É um ponto de paz; pulsa ritmicamente, como faz o coração do homem, e daí se irradiam oito correntes de fogo vivente que se estendem até as pontas das quatro pétalas do amor e as quatro pétalas de sacrifício. Esta energia óctupla é atma-buddhi. É esta irradiação final que produz a eventual desintegração do corpo do Ego. As pétalas de conhecimento, não sendo o objeto da atenção deste fogo central cessam, no devido tempo, sua atividade; o conhecimento é suplantado pela sabedoria divina, e as pétalas de amor têm suas forças igualmente absorvidas. Finalmente, nada resta, a não ser o desejo de “sacrificar-se”, e, como o impulso vibratório é afim com a natureza da Joia vivente, sintetiza-se na unidade vivente central, e somente a Joia de fogo permanece. Quando todas as pétalas fundem suas forças em outro lugar, o processo de revelação é completo. Os fogos inferiores apagam-se; o fogo central é absorvido, e somente o radiante ponto de fogo elétrico persiste. Então, observa-se um curioso fenômeno na Iniciação final. A Joia de fogo resplandece como sete joias dentro da una, ou como a centelha sétupla elétrica, e na intensidade da labareda assim criada, é reabsorvida pela Mônada ou o Uno. Este processo é repetido na consumação final da evolução solar, quando então os sete Sois resplandecem antes do grande Pralaya.

Todos estes modos de expressão verbal são figuras que servem para transmitir uma pálida ideia da beleza e complexidade do processo divino ao ser levado adiante no microcosmo, e no macrocosmo. Servem apenas para limitar a realidade, mas para o homem cujo olho divino está em processo de abrir-se, e para aquele que tem a faculdade da intuição superior despertada, essas figuras servem como indicação para uma interpretação superior. Servem para revelar ao estudante certas ideias sobre a natureza do fogo.

Ao concluir o que tínhamos a dizer a respeito do corpo causal, gostaria de destacar que ele também - no seu próprio plano - apresenta as três características de inércia, mobilidade e ritmo.

Inércia caracteriza a etapa precedente à revolução das diferentes fileiras de pétalas, revolução essa que somente se inicia quando as pétalas se estão tornando ativas. Podemos dizer que a passagem do Peregrino pela Câmara da Ignorância corresponde ao período de “inércia egoica.” Durante este período, os átomos permanentes são os pontos de luz mais notados no lótus; são os “alimentadores de energia” da pétala. Mais tarde, à medida que o Peregrino, no plano físico, se torna mais ativo, e o lótus egoico está, por conseguinte, desdobrando-se com maior rapidez, sobrevém a etapa da mobilidade, e os círculos começam sua revolução. Finalmente, quando o homem segue o Caminho e seu propósito se intensifica, o botão central abre-se, a revolução é intensificada, e através da irradiação dos fogos da Joia, um ritmo específico é imposto sobre o Lótus, sendo suas energias estabilizadas. Este ritmo difere segundo o tipo da Mônada em questão, ou a natureza do Logos planetário do Raio a que o homem pertence, seu Protótipo divino.

Pelo uso de certos termos, é transmitida informação aos Trabalhadores do planeta, a Fraternidade da Luz, a respeito da natureza do Ego em questão, da qualidade de seu Raio, o número de sua vibração, e o ponto alcançado na evolução. Torna-se claro, pois, porque não é permitido aqui tornar públicos os nomes dos sete grupos rítmicos.

Um dos efeitos produzidos no homem inferior via o centro, através da atividade unificada do corpo causal, é a coordenação das energias inferiores do ser humano, energias essas que, como sabemos, demonstram-se por meio de:

a. Os três grupos de centros nos três corpos.
b. O próprio corpo etérico.
c. Certos centros no corpo físico como os da glândula pineal, do corpo pituitário e do baço.

Não nos estamos referindo aqui ao trabalho desses centros, pois ele é autoiniciado, sendo inerente à sua própria natureza, mas sim aos efeitos que podemos ver neles, à medida que as três fileiras de pétalas funcionam com crescente coerência, e a força latente na Joia faz sentir sua presença. Podemos dizer especificamente que estes efeitos demonstram-se de modo tríplice:

Primeiro, o grupo de “rodas” ou centros em cada plano (ou em cada um dos veículos mais sutis) torna-se quadrimensional e funciona como “rodas que giram sobre si mesmas.”

Segundo, distribuem ordenadamente a força formando os vários triângulos de energia dentro dos corpos. Já tratamos disto antes, e basta aqui apenas indicar que é a energia que se vai acumulando no corpo causal e daí faz sentir sua presença, que produz a esotérica circulação de força entre os centros e oportunamente liga cada centro de modo geométrico peculiar, controlando assim toda a natureza inferior do homem.

Terceiro, estimulam certas glândulas do corpo, consideradas presentemente como puramente físicas, e assim permitem que o Anjo solar as submeta e mantenha, para o Seu propósito, o corpo físico denso.

Seria útil se o estudante se lembrasse que cada centro pode ser considerado como uma evidência da energia solar ou fogo, manifestando- se como um meio da energia inferior ou fogo por fricção. Esses centros específicos permitem que o Anjo solar imponha Seu próprio ritmo e vibração a um ritmo considerado inferior. Deste modo, Ele gradualmente passa a controlar a substância inferior da forma.

Antes da liberação final, mas depois de completa a principal parte dos processos de purificação e alinhamento, os veículos do iniciado apresentam uma aparência maravilhosa, devido às correntes de energia vindas do corpo egoico que podem alcançá-lo. O lótus egoico está aberto, exibindo o “fogo” central. Todas as pétalas, e todos os círculos de pétalas, estão pulsando com vida e cor, e em ativo movimento, girando com grande rapidez, enquanto a corrente de energia viva circula por todas as partes do lótus. Os três átomos permanentes incendeiam-se e chamejam, e formam, através de sua rápida evolução e interação, o que parece ser um ponto ofuscante de fogo, que é denominado às vezes “o reflexo da Joia na fronte da Mãe.” Os dezoitos centros nos três planos (quatro no plano mental, e sete em cada um dos dois planos inferiores) são rodas irradiantes de fogo, cada grupo identificado por uma cor específica, e girando com tal rapidez que o olho mal pode segui-los. Os corpos estão formados pela substância mais elevada, sendo cada átomo, portanto capaz de vibrar de modo intensificado, e brilhar com a luz de seu próprio fogo central. O corpo etérico, nesta etapa, torna-se especialmente notável, pois é o transmissor do mais puro tipo de prana, e faz-se merecedor do nome que lhe é às vezes dado de “corpo do Sol.” É o envoltório que recobre os fogos do sistema microcósmico; dentro dele, não só estão os fogos prânicos, como também aqueles sete centros transmissores de todas as energias superiores emanadas do Ego, e dos dois corpos materiais superiores. Tudo está ali centralizado, e o veículo etérico aguarda ser usado no plano físico em colaboração com o meio denso, até que o homem consiga ligar a consciência dos dois aspectos de seu corpo denso de modo que a continuidade seja preservada. Uma vez realizado este trabalho, os três centros que são de natureza estritamente física - a glândula pineal, o corpo pituitário, e o baço - tornam-se eles mesmos luminosos e radiantes, e todos os fogos do corpo são de tal modo estimulados que os átomos do invólucro físico parecem irradiar. Esta é a verdade oculta por trás da crença de que todo mensageiro da Loja e todo Salvador do homem é naturalmente um curador. As forças que fluem através do homem cujos átomos, centros, envoltórios e corpo causal formem uma unidade coerente em plena e radiante atividade, têm tal força e pureza a ponto de produzir efeitos definidos sobre a natureza daqueles com os quais estabelecem contato. Eles curam, estimulam e intensificam a vibração de seus semelhantes.

Tudo isto precisa, de certa maneira, ser conscientizado, e visualizado, antes que um homem, no plano físico, se disponha a submeter- se à disciplina purificadora, e trilhar o Caminho onde ele encontra seu centro e trabalha a partir de um ponto de força. Ele tem que alinhar estes vários fatores, ou centros de energia, e assim trazer para o plano físico a força a ser usada na cura das nações. Quando a glória do Deus interno de um homem é vista, quando sua radiação resplandece, então diremos a seu respeito o que foi dito daqueles que o precederam na Senda: “Então nascerá o Sol da Justiça trazendo a cura em suas asas.” (19)

Há, na evolução humana, certos fatores que produzem definidos e importantes resultados, quando relacionados entre si através de correntes de energia e assim funcionando conscientemente, os quais podem ser considerados a seguir, dividindo-os em dois grupos, cada um deles enfatizando a dualidade da manifestação microcósmica:

Grupo I.

1. As Pétalas do Conhecimento.
2. A pétala do conhecimento em cada um dos dois círculos internos.
3. Os centros no plano mental.
4. O centro laríngeo na matéria etérica.
5. O centro alta maior.
6. O cérebro físico.

Grupo II.

1. As Pétalas do Amor.
2. A pétala do amor em cada círculo.
3. O centro no plano astral.
4. O centro coronário na matéria etérica.
5. O corpo pituitário.
6. O sistema nervoso simpático.

Estes vários alinhamentos (quando funcionam devidamente ajustados) resultam, no primeiro caso, na transmissão de energia do átomo manásico permanente, e no segundo caso, do átomo búdico permanente. Torna-se claro, portanto, a importância do estudante considerar devidamente o processo de realizar um alinhamento uniforme, e uma conscienciosa apreciação dos processos vibratórios desses dois grupos. À medida que realiza este ajustamento, o efeito no plano físico será a manifestação dos poderes da Alma e a capacidade de curar, pois o homem torna-se um ponto focal para a energia egoica e um servidor de sua raça. O mago negro apresenta resultados similares por meio do primeiro grupo, excetuando-se o fato de que ele não pode alinhar as pétalas do conhecimento nos dois grupos internos, uma vez que, no seu caso, o aspecto amor-sabedoria está atrofiado. Todavia, ele atrai a energia do átomo manásico permanente, porque a força de Mahat (da qual manas é uma expressão) está estreitamente ligada ao que, erroneamente, chamamos “mal”. Mahat e Mal cósmico possuem estreita ligação.

As grandes Existências Que são o princípio de Mahat, em seu sentido cósmico, estão ligadas às existências menores que expressam o mal sistêmico. São a soma total do instrumento separatista, e onde existe separação em qualquer forma, aí se encontra a ignorância e, portanto o mal. A separação anula a compreensão, ou conhecimento, daquilo que se encontra fora da consciência separada, porque conhecimento separatista significa identificação com aquilo que se está expressando através de uma forma. Portanto, os Irmãos da Sombra podem alcançar altos níveis em um aspecto de consciência, e tocar certas específicas alturas do mal espiritual, caminhando um longo percurso ao longo da linha de Mahat, ou conhecimento, o princípio da Mente Universal. Eles podem atingir, nas suas últimas etapas, expansões de consciência e de poder que os conduzirão para além dos limites do nosso sistema solar, e dar-lhes atributos e capacidades que se tornam uma ameaça ao desenvolvimento do segundo Aspecto.

O primeiro grupo de alinhamentos, quando não equilibrado pelo segundo grupo, está na linha do mago negro; irá eventualmente conduzi-lo para fora da corrente de energia quíntupla que chamamos manásica, e direto para o caminho cósmico de energia fohática, a estritamente mahática. Quando no Caminho, duas direções são possíveis para ele; uma o manterá em contato com o aspecto da substância natural que diz respeito às encarnações cósmicas do nosso Logos solar; a outra o arrastará para aquele centro o universo que é a fonte emanadora do princípio mahático; é o ponto focal onde é gerada aquele tipo de energia que torna possível a manifestação física densa de homens e Deuses.

Ao fazer esta declaração, é necessário ter em mente que o envoltório físico denso jamais é considerado um princípio. Ele é sempre tido esotericamente como mal. Sobre este tema, podemos simplesmente expressá-lo dizendo que o adepto negro está francamente lidando com aquilo que é descrito como “o resíduo do que existia anteriormente.” Ele responde à vibração do sistema solar de um ciclo maior e anterior, no qual o conhecimento, ou o princípio manásico, era a meta da realização. Ele não responde ao impulso do atuai sistema solar, mas sua falta de resposta está oculta no carma da manifestação anterior. Como sabemos, os Filhos da Mente, ou os jivas encarnantes, são os nirvanis que retornam de uma prévia encarnação logoica. Eles alcançaram a mente, e precisam de amor. Alguns poucos, através de um misterioso ciclo de eventos inexplicável para o homem neste sistema solar, recusaram a oportunidade e ligaram-se com a grande existência dévica que é o impulso do corpo físico denso e não podem libertar-se. Seu destino, assim como o deles, está oculto nos planos DAQUELE SOBRE O QUAL NADA PODE SER DITO, e neste atual sistema solar não há esperança para eles. Felizmente, eles raramente se revelam ao homem comum; são os Adeptos da Boa Lei que com mais frequência os encontram.

O assunto é muito complexo, porém alguma luz chegará a nós se nos lembrarmos que manas, no plano mental, é encontrada em duas expressões: a unidade mental, nos níveis da forma, e o átomo permanente manásico, nos planos sem forma. Estes dois tipos de manas corporificam as qualidades dos dois tipos, branca e negra. A unidade mental ou o aspecto mente de um homem, por exemplo, nada mais é do que o sexto sentido, e tem que ser transcendido pela mente superior e a intuição. O irmão negro leva a evolução dos sentidos a um estágio agora inconcebível para o homem, e este sexto sentido mahático é de maior extensão e serviço para eles do que jamais foi para o Adepto branco. Portanto, torna-se aparente que durante um longo ciclo de tempo, o mago negro pode persistir e desenvolver seus poderes, porque um terço da força do lótus egoico é dele, e ele sabe bem como utilizá-lo com maior vantagem. Ele também constrói um antahkarana, mas de qualidade e objetivo diferentes dos do estudante da magia branca. Ele é chamado “o caminho do mal manásico”, e faz a ponte entre a unidade mental do mágico, e certas correspondências nos níveis mentais nos veículos dos devas desse plano. Por seu intermédio e pela identificação com os devas, ele pode escapar dos três mundos para esferas do mal incompreensível para nós. O ponto a ser lembrado aqui é que o mago negro é sempre um prisioneiro: não pode escapar da substância e da forma.

Não há necessidade de nos alongarmos sobre este assunto. Gostaria de enumerar as linhas de alinhamento do terceiro grupo que eventualmente transcende os outros dois, e afeta a iluminação e liberação finais do homem.

Grupo III.

1. As Pétalas do Sacrifício.
2. As pétalas do sacrifício nos dois grupos externos.
3. Os três centros principais em cada um dos três planos dos três mundos, produzindo assim absorção dos quatro centros inferiores em cada plano.
4. O centro da cabeça, ou o lótus de mil pétalas.
5. A glândula pineal, produzindo a vivificação e irradiação de toda a natureza inferior.

Estes três grupos de força no homem, quando são sintetizadas, produzem eventualmente aquela perfeita coordenação e adaptação a todas as condições, formas e circunstâncias que sucedem na evasão da centelha vital liberada. Isto é tecnicamente realizado quando o “botão” se abre, e torna possível, ao Hierofante, durante a iniciação, liberar a energia da Mônada, e direcionar por meio do Cetro essa energia, de modo que, eventualmente, ela circula livremente por todas as partes da tríplice manifestação inferior. À medida que circula, ela destrói pela queima, uma vez que ela desperta completamente o aspecto kundalini, quando a quinta Iniciação é realizada. O aspecto destruidor predomina, e a forma é “queimada sobre o altar.”

Estas ideias podem também ser estudadas em seu aspecto mais amplo; podemos encontrar uma pista para o mistério do mal cósmico na diferença existente entre os planetas sagrados e não sagrados, e no propósito e lugar - até agora irreconhecido - das vidas que dão forma às existências dos muitos planetas e asteroides no sistema solar. Alguns são puramente maháticos, ou do terceiro Aspecto, dominado pelos devas. Outros (como, por exemplo, os planetas sagrados) são controlados pelo segundo Aspecto, e este inevitavelmente virá à manifestação. Outros, como a nossa Terra, são campos de batalha, e os dois Aspectos estão em colisão, com a indicação do eventual triunfo da magia “branca.”


Notas:
16 “Mente, a Assassina do Real” - Voz do Silêncio, p. 14-15
17 Ahamkara. O “Eu” que estabelece o princípio necessário para que a autoconsciência se desenvolva, porém que é transcendido quando o seu trabalho está terminado.
18 Bíblia. I Pedro, 5:1.
19 Bíblia. Malaquias 4 : 2.

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